quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

viajar dia 31, aeroporto, é muito esquisito. 
sou feliz porque ele está aqui comigo. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

com você

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

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terça-feira, 11 de novembro de 2014

não sei o que escrever aqui 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

rapaz, sorte das pessoas você ter se tornado "gabriel" pra elas. Gabriel-conceito.
sorte a minha de ter como adjetivo e sustantivo próprio. em caixa alta.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

enquanto cubro com o lençol a extremidade da janela 
uma flecha me divide em dois: 

(dou vazão à imagem primeira que você descobriu) 

outra vez o lençol se enrosca no prego da direita 
é você regando o horizonte 

sou um só com você contigo outra vez 
em dois de par em par 
à sua primeira imagem que é dois 
ho ri zon te indivisível pelo caminho 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

a casa de madeira com o varal melancólico ali perto do encontro dos dois rios sente o barulho bom da queda d'água foi a música quem deu o corte da imagem é linha-reta-horizonte-laranja devir em dupla o carro com a bandeira de plástico do brasil beija a estrada que te aproxima de  mim, de primeira vez a sua chegada é o nosso grito de moço o desenho do apartamento todo colorido - parede verde e azul - cuja sacada respira um bocado de samambaias e ali o violão é a gente, nós dois e meu jeito de sentir embalado pelas cordas, a trilha sonora e o jeito como você está perdido como um bicho com a mochila nas costas e sim mais tarde a sala é o primeiro filme, é o céu dela, que também é gente de verdade o quarto baratinho de hotel, um pai que se chama benedito, o quadro com o personagem da mão bonita o vislumbre de sim, quero pintar, pode pintar novamente, senhor afinal ele entende do negócio nossa! como você é bobo, meu deus, só mais um pouquinho de vinho, amor o roteiro filme que entrecorta as duras paisagens antes e depois da serra é a poeira que preenche o cavalo é o guia de verdade que confunde o que é e deixa de ser, a possibilidade e uma pequena luz de lanterna guarda aquilo que desejamos juntos os dois pro mundo, pro filme pra vida pra emocionar e ser cuidado e de despertar porque há uma linda fogueira ali fora e eu já estou chorando de tanta alegria que poderia apagá-la assim de tanto lágrima-rio a cidade esquisita de desenho tão duro tão sonhado é o que grita dentro de cada quadra se multiplicando no asfalto da gente sensível é o mundo dizendo "sim" tá na hora de voltar, vamos acompanhar a senhora, tia, o jeito de empilhar molduras, de testar os destinos, do cheiro de queimada e doce de café-da-manhã "eu estou aqui", repetidas vezes, obrigado daí o ultimo trecho seria "tudo possui um lugar" dentro de mim da gente do que é futuro tudo mesmo porque sim e estou aqui treinando para ser chuva de um lugar bonito e folheável e com desenhos pequeninos no canto superior de cada folha  

tudo possui um lugar aqui/ali/donde? - agora eu sei
 o mundo nos abriu uma fenda gentil em dó ré mi 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

aquele dia em que você botou a trilha sonora de asas do desejo
enquanto a gente bebia mais vinho
e segurava a água da banheira pro tempo durar mais
em colorido ou em p&b

 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

duas posições da minha mão 
apertei o papel para mim 
e depois, com os dedos, esse texto


terça-feira, 8 de julho de 2014

que sorte a nossa 

domingo, 29 de junho de 2014

meu amor, não tem jeito: não cabe a ninguém as dores do mundo

quinta-feira, 19 de junho de 2014

aquela cena em que desaba trocentos litros de água na sala da personagem

imóvel
coração imóvel

determina a entrada em cena
ou
quem sabe

domingo, 8 de junho de 2014

cartografia das possbilidades
estou indo ali examiná-las

domingo, 1 de junho de 2014

a trilha recente
l'image entreabertaparasempre 

1 minuto e 32 segundos
parasempre 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

faz de sua negação ser um não em dois
duas vezes estúpido

quarta-feira, 28 de maio de 2014

“Na verdade, as paixões cozinham e recozinham na solidão. É encerrado em sua solidão que o ser de paixão prepara suas explosões ou seus feitos. E todos os espaços das nossas solidões passadas, os espaços em que sofremos a solidão, desfrutamos a solidão, desejamos a solidão, comprometemos a solidão, são indeléveis em nós. E é precisamente o ser que não deseja apagá-los. (…) a lembrança das solidões estreitas, simples, comprimidas, são para nós experiências do espaço reconfortante, de um espaço que não deseja estender-se, mas gostaria sobretudo de ser possuído mais uma vez.”

BACHELARD, Gaston. A Poética do Espaço. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p.29.

domingo, 25 de maio de 2014

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Talvez a gente caiba aqui: aqui/ali/onde/nãosei: o mundo nos abriu uma brecha

Era 2009 e eu seguia finalizando a produção do meu primeiro projeto como diretor. "Eu já não caibo mais aqui" me guiou a um processo muito humano e de valoração do ambiente interno: a casa dos personagens, o abrigo, o desconforto, a fuga e o questionamento da própria "habitação" em diferentes modulações cromáticas. A casa da infância. A casa que engole. Nos anos seguintes, boa parte dos meus projetos autorais também seguiam por esse interesse. O exame de minha própria relação com o fazer audiovisual culminou, enfim, numa possível catalogação dessas imagens. Foi num contexto muito particular que se deu o meu regresso à capital do estado de Goiás. E é aqui que estou.
Goiânia ressurge assim como um giz-de-cera muito frágil. As primeiras imagens foram desenhadas no projeto anterior como diretor. Ao final de "Um Bastante Sim", percebi que precisava rastrear ainda mais esse desejo de estar aqui de volta. E de filmar em Goiânia.

Meu percurso de viagem de fim de ano privilegiou a amizade: estar com um amigo de infância. Foi uma grande residência artística, de verdade. Eu e Pedro, que assina parte da fotografia desse último e do segundo, temos interesses bem similares e nosso convívio tão feliz acabou colocando em questão certas imagens. Um franco-brasileiro e um goiano. Amigos de escola. Desenhar nas páginas do livro de física. Estávamos ali, num ambiente dele, em sua casa, três diárias, dois rapazes franceses e um equipamento de uma amiga chinesa. O cheiro do bolo de cena produzido com tanto carinho. A luz móvel no rosto de Gael que sorria abraçando, finalmente, o convívio. Nicolas questionando a câmera, pedindo para ser olhado. O roteiro que nasceu a partir de polaroids tão íntimas. O cheiro do poço d'água da casa do Pedro. Talvez a gente caiba aqui/ali/aonde/nãosei: o mundo nos abriu uma brecha.

Pensando bem... não tem erro. Vai dar tudo certo. Talvez.

Essa beleza que são os encontros me fizeram deparar novamente com a possibilidade. Tudo conjugado pelo "verbo" talvez. Talvez o vídeo não nasceria sem que esse último encontro não tivesse existido. Ao seu modo foi um encontro, existiu. Eu não sei sentir saudade de quem eu nunca vi. Talvez. Pois foi dividindo as experiências de São Paulo, da questão da volta, da imagem da viagem,  que esse projeto nasceu, que foi montado. Fiquei esperando um encontro. Ele não existiu. A imagem. Aquela que lhe caberá sem sobras ou falta. Aquela que já não cabe mais numa tela azul de celular. Até certa altura do projeto, a montagem do filme privilegiava o encontro dos dois personagens. O meu, que não existiu,  também virou imagem. Se agora, anos depois, o filme apresenta-se no plural, mas com um grande "talvez", a falta, achei justo, naquela última montagem, que os personagens não estivesses juntos.

Foi ali, num celular, que eu mostrei as primeiras imagens a ele. Nasceu cheio de incertezas. A gente também conta o que a gente é através daquilo que vê. E está aqui em texto. Está ali na placa que termina o vídeo. Ele viu. Foi coincidência a placa.

O título deste novo, bem como parte dos procedimentos adotados, retomam as questões de isolamento, de objetos simples,  dos balões, da câmera frontal e a ausência. A moldura também tem se tornado um importante elemento naquilo que venho realizado. Essa experimentação tem se tornado uma tarefa de questionamento: o desejo de colocar cada vez mais a noção de "enquadramento/quadro" em conflito. Este é um projeto "plural", conjugado a partir de "a gente", de "nós", de "dois". A gente.

"Talvez a gente caiba aqui" é um vídeo muito simples que tem a palavra "amigo" tatuada nas costas. É um projeto que busca o que eu possa ter deixado certa vez em Goiânia. É um exercício de análise. É um projeto de cerrado, mas não tem nada a ver com o FICA. É uma de declaração de amor e frustração à dúvida. É uma retomada de paisagem do azul do céu do cerrado, por isso brinca com a capital do país. É um vídeo de alegria em francês. É a topografia do que outros amigos podem sentir. É a segunda parte iniciada em 2009 e não será a última porque acreditamos em encontros. Eles precisam existir. 

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Talvez a gente caiba aqui. Com Gaël Pontieux-Simonnet e Nicolas Gerifaud, fotografia de Pedro Domeignoz Horta e Kaco Olímpio, produção executiva de Lidiana Reis, trilha sonora original por Rui Bordalo, finalização e montagem de Ludielma Laurentino, projeto gráfico por Rodolfo Brasil e Beatriz Perini, ass. de produção de Lucas Peixoto. Filmado em Paris/Goiânia, 2014.

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domingo, 18 de maio de 2014

todo esse tempo
30 tenta ficar em silêncio 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

a casa vazia 
a câmera reverbera o ritmo
o quarto bem arrumado 
a cozinha desfeita 
a voz ali na escada 
mais uma vez
(é possível escutar) 
"não esqueço você" 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

cláudia ficou esperando que alguém dissesse que sim, que tá na hora certa mesmo e que vai dar tudo certo

quarta-feira, 16 de abril de 2014


ela queria que ele fosse o mesmo que foi da primeira semana 
mas ela também já não era mais a mesma, 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

escolhi a mesma cor pra parede
a mesma cor que escolhi
anos atrás
pra moldura do seu desenho sobre mim

descobri colocando lado-a-lado
tudo num mesmo lugar 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

é muito curioso como o cotidiano está organizado
fotografei a dona ana no começo dessa tarde aqui no centro da cidade. ela estava limpando uma vitrine. fiz uma sequência de fotos e, logo no fim, ela me viu. fiquei envergonhado. então ela sorriu e disse "entra aqui". eu entrei.


"entra aqui" é como se alguma coisa fizesse sentido nessa tarde tão quente. como se eu abraçasse o meu ofício, aquilo que eu escolhi fazer da vida. a vida é uma grande pesquisa e isso é bonito demais.

pois é, dona ana, eutôsuperafimdomundo
muito obrigado pelo convite

terça-feira, 8 de abril de 2014

zero redescobre o próximo passo que também é zero 

sexta-feira, 28 de março de 2014

ele enxerga por detrás da vidraça azul
enquanto divide o mapa
que atravessa a noite
(um bloco de quadras e seus devires)
porque, que coisa bonita, 
ele tem amigo tatuado nas costas
e abraça alongando o pescoço
como se fosse agarrar o universo todinho com suas duas mãos
seus olhos
insuflam a quietude daquilo que é
eu não sei, suponho 
em pequenos pontos
vou sorrir
eu sei



domingo, 16 de fevereiro de 2014

não consigo hashtagear a vida
eles juntos à imagem devagarpode ser novamente
quero mais,
tu me manque

eu não sei conjugar o futuro em francês
não sei o futuro em francês

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

talvez a gente caiba aqui/aí/adonde/nãosei: o mundo nos abriu uma brecha 


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

«l’image manquante»


































despedidas são como fade-ins

domingo, 9 de fevereiro de 2014

digo, com o coração iluminado:
foi schiele quem nos aproximou


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"o cinema, reconhecido, fará da locomotiva sua primeira estrela" (p. 54). aumont.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

estava tão confuso que se deu ao direito de dizer 
eu não sei 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

talvez a gente caiba aqui

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

não teve um só dia que ela não imaginou o diálogo 

domingo, 26 de janeiro de 2014

formas biográficas: 
como quando troquei de sala
e derrapei na neve 

sábado, 18 de janeiro de 2014

postais do lado contrário 
para que você imagine
a paisagem 


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

branco

(ainda bem que o mundo não é em p&b) -- o branco

onde? musée d'orsay
às 15h40

sempre acho a decisão de cor uma etapa muito difícil

e quase sempre a cor tá ali na locacão. o que tenho feito é buscar uma similar, trabalhar com aquilo que é aproximado, respeitando as condições de luz natural e artificial, privilegiando certos signos. sou menos bruxo que storaro, claro, e me emociono  com seu trabalho em o último imperador. "azul" não é apenas "fraternidade" e "branco" não é apenas "paz". cor não é uma decisão arbitrária, tampouco filiada a um código de astrologia-semiótica-roupa de fim de ano. ela vem conforme o que me é contado dos ensaios, o que é observado no roteiro, da pesquisa e claro, do desenho. tenho sentido que sem o desenho não há cor, não tem jeito. o desenho é o que encaminha, é meu primeiro contato material: desenho no fundo do roteiro, desenho no tablet, na agenda, no papel.

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os franceses pensam demais as cores. hoje falamos do branco, do vínculo de representação da escola simbolista, seu privilégio por uma pintura  que desdobra o branco da antiguidade clássica - luz divina, a pureza, a inocência - em vetor de modernidade, burguesia e do bem-estar. esbarrei nisso, no interesse da belle époque pelo branco e, adiante, seus desdobramentos de criação.

diretores de arte tem o costume de esvaziar certas intenções de branco: "ah, o branco não". "tá chapado". o branco é amigo, pô.
tem uma coisa muito bonita que a daniela thomas diz sobre a direção de arte em p&b (em mesa/conferência/diálogo lá na semana abc do ano passado) que é o lance do preto como moldura e do branco como infinito. isso me toca com uma força espetacular por esbarrar aí na minha questão.

a vontade que eu tenho aqui, com a luz amena de paris, que quase finda às 17h da tarde, é de "bater um branco" na paisagem. de rastrear, como na luz branca de raio-x, os desenhos de paisagem.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

(deletei esse post
que era um post 
de

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

me perdi de propósito

soube voltar sozinho