domingo, 16 de junho de 2013

eu quero chegar logo cedo que é pra ter vocês o dia inteiro

sábado, 15 de junho de 2013

carta para R.R.

eu fico com uma vontade muito grande de dizer o que eu penso, veja você. deve existir no mundo inteiro, multiplicado pela quantidade de veículos em funcionamento nas vias públicas, pouca gente assim, como você. pode parecer uma grande bobagem dizer assim, sem muitas delongas, o que se sente aqui desse lado. se me fala de angústia, tão logo cedo, antes do almoço, é porque de angústia se está refletindo. eu digo, do meu jeito, essa minha mania doce de atribuir adjetivos às coisas “mas que pena que é isso de viver”. mas não é. talvez ali, naquele dia, alguma coisa muito boa tenha acontecido pra gente, talvez ali você tenha contado muito de você pra mim e eu também. também e talvez. daria para acrescentar, para que seja mantido o “t” dessas palavras, um gesto “travessia”. deve ser assim, eu mal sei começar a explicar de uma maneira muito didática o funcionamento dos aparelhos telefônicos, deve ser assim que os celulares funcionam. o que eu quero dizer a você é que sempre que há um novo chamado seu, sempre que essa cidade cinza se manifesta desse lado de cá, sempre que isso ocorre, é como se eu liberasse boa parte da minha alma para um encontro, uma travessia mesmo. ondas de celular (celulares funcionam como ondas?, eu não sei e perguntaria) nos aproximam. mas, sobre isso, a gente tem tanto tempo, eu sei que temos porque você está ali, do outro lado, dizendo "sim, adianta chamar...".
se eu te conto um pouco do futuro, da angústia que costumamente é o futuro, não conjugável, você deve fazer uma cara de quem “eu sei bem o que é isso”. desse lado eu fico feliz. eu sei bem como é estar sozinho na sala do cinema assistindo a um filme. o seu desaparecimento não é motivo de texto, eu devo confessar. o que nos aproxima aqui é o encontro. e não há nada mais bonito do que encontrar, nós bem sabemos como isso se deu, gente querida de madrugada. eu te digo a música, você a busca. você me diz de angústia, eu a busco. quero descobrir porque se isso te confunde, a mim também interessa. me interessa o teu texto, me interessa a tua decisão de desligar a travessia numa tarde para que se viva sozinho. a gente bem sabe que sozinho não é a quilometragem dita ali. tem tanto pela frente, eu devo pensar enquanto faço  a minha mala de viagem. é de encontros que se vive e eu me encontro inclusive quando a angústia é tema de sua tarde. quando para a angústia novas mil páginas são adicionadas a sua vontade de dizer “sim”,  é para o amor que se guia.
eu rio para esses encontros como quem acorda às 7h da manhã e cataloga novas manhãs: bom demais é também saber que você está aí, que o outro dia já está iluminado e que a angústia pode trocar de nome, pode ser outra palavra. rio do jeito como você esquece que a cidade iluminada é por pouco tempo e que sim, eu vou estar aqui de volta. rio porque você acha querido o jeito como eu gosto das coisas, mas é o meu jeito, e eu e você não queremos que o destino disso tome outro caminho.
é de branco que você fica cheio de graça, com ou sem crachá. sobre as cores, posso afirmar que amarelo não funciona com o índio da parede. mas funcionaria para caso a angústia voltar a bater. o meu telefone. que beleza ouvir a tua voz. travessia. e não, em hipótese alguma, deve haver desconforto porque é você do outro lado, e eu te recebo com qualquer sentimento. e eu te respeito se a opção mais feliz é essa a do cinema e dos novos livros. talvez eu seja pequeno demais para um encontro tão grande, talvez o que eu só queira é que você esteja ainda mais feliz e sorrindo. e que alimente, todos os dias, o encantamento. como é o que eu sinto por você. que você partilhe os seus sonhos comigo, que me diga "sim" sempre que for importante dizer sim.
o envelope com as tuas músicas está aqui. eu estou aqui com uma mala de viagem. as próximas fotografias são para você. e, saiba, se houver angústia, te visto de branco e te projeto na primeira sala de cinema que eu encontrar. delícia mesmo é você existir e, se possível, pertinho de mim.  
sábado, agora de manhã, eu só sou sorrisos. você está do outro lado sorrindo também.
se você for, por favor, não vá. se eu for, por favor, não demora.
te beijo esta manhã e quantas mais você dizer necessárias,
com carinho nas pontas dos dedos,


b.