terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

você nunca ficará sabendo, mas aquele dia eu salvei aquela sua foto no meu computador:

estava papai e vovó felizes num certo silêncio da cozinha 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

a ana acaba de cortar o meu cabelo com uma tesoura de papel: era o que tinha aqui em casa às 4h da manhã. de repente fomos interrompidos pela entrada de um beija-flor azul na janela do meu quarto, ainda sem cor. o animalzinho entrou no meu quarto e foi parar numa das salas, ficou aqui dentro durante uns 10 minutos. de duas, duas: tem doçura demais nessa casa & leva no bico uma canção (nós dissemos, juntos, "bem-vindo" "bem-vindo").

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

necessidade que cinge,

domingo, 10 de fevereiro de 2013

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durante a prévia da faculdade, estudando arte para o processo seletivo, eu pensava comigo que eu seria a única pessoa da mundo que queria trabalhar com cenografia. na verdade, eu não sabia direito o que significava "cenografia" e a autoria "cenógrafo". a outra verdade é que eu me sentia demasiadamente atraído pelo lance de contar histórias e, adiante, de pensar o espaço desses personagens que não são de verdade verdadeira, mas precisam ser. (a gente prende o instante exato dessa poética pra depois soltar e rabiscar o primeiro sentido de chão, de lateral e de teto)
lembro que, certa vez, a minha mãe me perguntou o que eu gostaria de ser quando crescesse. eu disse "decorador de festa infantil". com cinco anos de idade, o máximo que eu poderia dizer, em grau de semelhança com a tal da futura profissão, era isso. na ocasião ela estava metida com a decoração "turma da mônica" da minha festa de aniversário: as fotografias nunca foram reveladas, o filme se perdeu antes de qualquer tentativa.
foi a vera quem me apresentou flávio império. foi assustador quando eu comprei um livro sobre ele. me senti lesado pelo fato de que, bem antes de mim, existiu um cara que pensava e produzia isso. que, antes de mim, um menino do interior do centro desse país, já tinha um alguém-cenógrafo. além disso, o jeito, os depoimentos (completamente sensíveis), o trabalho... tudo isso me juntou de uma maneira muito especial a este artista.
no filme sobre o flávio há uma série de depoimentos, bem como experimentações (que flertam com sua biografia) audiovisuais realizadas por ele mesmo. no filme, rola uma música que, mensurada com a minha surpresa, me fez chorar. é "canto do povo de um lugar".
um pouco mais tarde, passei pelo acompanhamento tão especial do serroni. já tinha entendido que precisava ser mordido pelo bichinho do teatro. serroni foi aluno do flávio na usp e eu ficava apaixonado quando ele contava coisas do flávio, das aulas, da alma do magistério, do artista.
o que eu quero contar aqui é o seguinte: não sei quem fez o download da música do caetano e botou isso no computador. eu gosto demais do caetano, claro, mas não tinha essa. hoje, enquanto eu desenhava o projeto de cenografia de um novo filme (que tem uma festa de aniversário com toda aquela decoração), meu computador brincou de aleatório e tocou essa do filme.
fiquei 30 segundos demasiadamente feliz. foi como se eu tivesse fazendo aniversário e que flávio, vera e serroni tivessem me entregado um presente. talvez repetindo a pergunta da minha mãe (a gente tem pra sempre uma relação muito paternal/maternal com os nossos mestres, né?) enquanto aguardavam a chegada do parabéns. e eu, tão certo agora, respondia (ainda mais certeza) que sim, está dando tudo certo, que é isso.


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a parte 01 do filme é essa

e a segunda é essa