terça-feira, 31 de dezembro de 2013

felicidade

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

beber igual a mim
meus amigos do brésil

domingo, 15 de dezembro de 2013

residência em processo: 
bonita a escolha, o vacilo, de não ter uma cortina no quarto 


sábado, 14 de dezembro de 2013

ele vai saborear a raiva daquele dia enquanto olha para seu par de mãos e não encontra o último dedo com o último anel 

mais uma vez catalogado como um desenho de taxidermia não propõe pouco dialoga com o par de mãos tão enrugadas de água com sabão de hortelã

é quando voltar, porque voltará, avançará em direção ao prédio para esbravejar vida numa falsa tentativa, porque tenta, de recuperar o dedo que ficou faltando

ele anotou ele 


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

primeiro veio a linha -----
em seguida a segunda seguida de ---- despedida 
por fim a terceira a quarta a quinta 
dez dias, você me lembrou 
dez l embro 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

quero voltar pra viver contigo 
o carro, cidade escura, in america

de novo e outra vez 
für hildegard von bingen:
cama que me estreita
ponte frouxa que nem barbante
certeza categórica de planeta-anão 
enquanto aquela luz te recorta 

arqueia-se
todas as pontas de todos os dedos 
resta-nos
te digo, sem desviar a atenção, 
o futuro é azul 

sábado, 2 de novembro de 2013

senti saudade da sopa que dividíamos
não importava a razão ou o motivo ou o desejo
ali próximo ao prato você estava de perfil 
e resmunga 

sábado, 14 de setembro de 2013

que saudade de você

terça-feira, 10 de setembro de 2013

que bom você aqui 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

mlaégu ueq eabcung odut
lméuga qeu unbagec dout
gaéueq que becaugn todu
alguém que bagunce tudo

éugalmcaugeqeqdoalguod
outaguncodutlméugaauqu

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

i.

assustado a que demora
em deslize, que
não suportar o pertencimento
(tira o adesivo da porta
pois será difícil demais
removê-lo)
um rearranjo do memorial de
sardinhas

ii.

ter mudado o amor de endereço
não signigica ter trocado de corpo

iii.

nenhum beijo horizontaliza
é mandíbula frouxa de braços
(um novo aviso de que 
 há um novo material de estudo
apoio)

domingo, 14 de julho de 2013

uma emoção que foi tão só minha, mas tão minha, que eu
num desenho egoísta
jamais compartilharia aqui
 

sábado, 13 de julho de 2013

estou pensando em você
e você nem sabe que você é você

quinta-feira, 11 de julho de 2013

não foi preciso estar dormindo para que se pudesse sonhar
que loucura é isso da multiplicação de meus sonhos, espero ter a força necessária

segunda-feira, 1 de julho de 2013

faria enorme rebuliço:
nada alcança nada daquilo outra
vez

mensuraria ágil
rápido
toda insipidez:
nada subterrâneo

colaboraria outra
longa luz:
alto coragem outra:
novamente
mais uma vez


domingo, 16 de junho de 2013

eu quero chegar logo cedo que é pra ter vocês o dia inteiro

sábado, 15 de junho de 2013

carta para R.R.

eu fico com uma vontade muito grande de dizer o que eu penso, veja você. deve existir no mundo inteiro, multiplicado pela quantidade de veículos em funcionamento nas vias públicas, pouca gente assim, como você. pode parecer uma grande bobagem dizer assim, sem muitas delongas, o que se sente aqui desse lado. se me fala de angústia, tão logo cedo, antes do almoço, é porque de angústia se está refletindo. eu digo, do meu jeito, essa minha mania doce de atribuir adjetivos às coisas “mas que pena que é isso de viver”. mas não é. talvez ali, naquele dia, alguma coisa muito boa tenha acontecido pra gente, talvez ali você tenha contado muito de você pra mim e eu também. também e talvez. daria para acrescentar, para que seja mantido o “t” dessas palavras, um gesto “travessia”. deve ser assim, eu mal sei começar a explicar de uma maneira muito didática o funcionamento dos aparelhos telefônicos, deve ser assim que os celulares funcionam. o que eu quero dizer a você é que sempre que há um novo chamado seu, sempre que essa cidade cinza se manifesta desse lado de cá, sempre que isso ocorre, é como se eu liberasse boa parte da minha alma para um encontro, uma travessia mesmo. ondas de celular (celulares funcionam como ondas?, eu não sei e perguntaria) nos aproximam. mas, sobre isso, a gente tem tanto tempo, eu sei que temos porque você está ali, do outro lado, dizendo "sim, adianta chamar...".
se eu te conto um pouco do futuro, da angústia que costumamente é o futuro, não conjugável, você deve fazer uma cara de quem “eu sei bem o que é isso”. desse lado eu fico feliz. eu sei bem como é estar sozinho na sala do cinema assistindo a um filme. o seu desaparecimento não é motivo de texto, eu devo confessar. o que nos aproxima aqui é o encontro. e não há nada mais bonito do que encontrar, nós bem sabemos como isso se deu, gente querida de madrugada. eu te digo a música, você a busca. você me diz de angústia, eu a busco. quero descobrir porque se isso te confunde, a mim também interessa. me interessa o teu texto, me interessa a tua decisão de desligar a travessia numa tarde para que se viva sozinho. a gente bem sabe que sozinho não é a quilometragem dita ali. tem tanto pela frente, eu devo pensar enquanto faço  a minha mala de viagem. é de encontros que se vive e eu me encontro inclusive quando a angústia é tema de sua tarde. quando para a angústia novas mil páginas são adicionadas a sua vontade de dizer “sim”,  é para o amor que se guia.
eu rio para esses encontros como quem acorda às 7h da manhã e cataloga novas manhãs: bom demais é também saber que você está aí, que o outro dia já está iluminado e que a angústia pode trocar de nome, pode ser outra palavra. rio do jeito como você esquece que a cidade iluminada é por pouco tempo e que sim, eu vou estar aqui de volta. rio porque você acha querido o jeito como eu gosto das coisas, mas é o meu jeito, e eu e você não queremos que o destino disso tome outro caminho.
é de branco que você fica cheio de graça, com ou sem crachá. sobre as cores, posso afirmar que amarelo não funciona com o índio da parede. mas funcionaria para caso a angústia voltar a bater. o meu telefone. que beleza ouvir a tua voz. travessia. e não, em hipótese alguma, deve haver desconforto porque é você do outro lado, e eu te recebo com qualquer sentimento. e eu te respeito se a opção mais feliz é essa a do cinema e dos novos livros. talvez eu seja pequeno demais para um encontro tão grande, talvez o que eu só queira é que você esteja ainda mais feliz e sorrindo. e que alimente, todos os dias, o encantamento. como é o que eu sinto por você. que você partilhe os seus sonhos comigo, que me diga "sim" sempre que for importante dizer sim.
o envelope com as tuas músicas está aqui. eu estou aqui com uma mala de viagem. as próximas fotografias são para você. e, saiba, se houver angústia, te visto de branco e te projeto na primeira sala de cinema que eu encontrar. delícia mesmo é você existir e, se possível, pertinho de mim.  
sábado, agora de manhã, eu só sou sorrisos. você está do outro lado sorrindo também.
se você for, por favor, não vá. se eu for, por favor, não demora.
te beijo esta manhã e quantas mais você dizer necessárias,
com carinho nas pontas dos dedos,


b.

segunda-feira, 18 de março de 2013

é cultural, minha gente

segunda-feira, 4 de março de 2013

decurso de habitat

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

você nunca ficará sabendo, mas aquele dia eu salvei aquela sua foto no meu computador:

estava papai e vovó felizes num certo silêncio da cozinha 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

a ana acaba de cortar o meu cabelo com uma tesoura de papel: era o que tinha aqui em casa às 4h da manhã. de repente fomos interrompidos pela entrada de um beija-flor azul na janela do meu quarto, ainda sem cor. o animalzinho entrou no meu quarto e foi parar numa das salas, ficou aqui dentro durante uns 10 minutos. de duas, duas: tem doçura demais nessa casa & leva no bico uma canção (nós dissemos, juntos, "bem-vindo" "bem-vindo").

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

necessidade que cinge,

domingo, 10 de fevereiro de 2013

.

durante a prévia da faculdade, estudando arte para o processo seletivo, eu pensava comigo que eu seria a única pessoa da mundo que queria trabalhar com cenografia. na verdade, eu não sabia direito o que significava "cenografia" e a autoria "cenógrafo". a outra verdade é que eu me sentia demasiadamente atraído pelo lance de contar histórias e, adiante, de pensar o espaço desses personagens que não são de verdade verdadeira, mas precisam ser. (a gente prende o instante exato dessa poética pra depois soltar e rabiscar o primeiro sentido de chão, de lateral e de teto)
lembro que, certa vez, a minha mãe me perguntou o que eu gostaria de ser quando crescesse. eu disse "decorador de festa infantil". com cinco anos de idade, o máximo que eu poderia dizer, em grau de semelhança com a tal da futura profissão, era isso. na ocasião ela estava metida com a decoração "turma da mônica" da minha festa de aniversário: as fotografias nunca foram reveladas, o filme se perdeu antes de qualquer tentativa.
foi a vera quem me apresentou flávio império. foi assustador quando eu comprei um livro sobre ele. me senti lesado pelo fato de que, bem antes de mim, existiu um cara que pensava e produzia isso. que, antes de mim, um menino do interior do centro desse país, já tinha um alguém-cenógrafo. além disso, o jeito, os depoimentos (completamente sensíveis), o trabalho... tudo isso me juntou de uma maneira muito especial a este artista.
no filme sobre o flávio há uma série de depoimentos, bem como experimentações (que flertam com sua biografia) audiovisuais realizadas por ele mesmo. no filme, rola uma música que, mensurada com a minha surpresa, me fez chorar. é "canto do povo de um lugar".
um pouco mais tarde, passei pelo acompanhamento tão especial do serroni. já tinha entendido que precisava ser mordido pelo bichinho do teatro. serroni foi aluno do flávio na usp e eu ficava apaixonado quando ele contava coisas do flávio, das aulas, da alma do magistério, do artista.
o que eu quero contar aqui é o seguinte: não sei quem fez o download da música do caetano e botou isso no computador. eu gosto demais do caetano, claro, mas não tinha essa. hoje, enquanto eu desenhava o projeto de cenografia de um novo filme (que tem uma festa de aniversário com toda aquela decoração), meu computador brincou de aleatório e tocou essa do filme.
fiquei 30 segundos demasiadamente feliz. foi como se eu tivesse fazendo aniversário e que flávio, vera e serroni tivessem me entregado um presente. talvez repetindo a pergunta da minha mãe (a gente tem pra sempre uma relação muito paternal/maternal com os nossos mestres, né?) enquanto aguardavam a chegada do parabéns. e eu, tão certo agora, respondia (ainda mais certeza) que sim, está dando tudo certo, que é isso.


---

a parte 01 do filme é essa

e a segunda é essa


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

essas são as cores
convites

que o meu corpo pediu

e não recusas
um desejo:

tão nosso


quando finjo que você se afoga, ana
na banheira da minha nova casa
um pouco
de mim continua a acreditar

é ao mesmo tempo
uma queixa da velocidade
dos nossos pulmões

o mesmo ar que eu respiro não é o ar que você respira
e está tudo bem
rodovias não esperam coragem
e está tudo bem, ana

um guarda-chuva não ampararia
qualquer porção d'água

mais veículos
sim
se dirigem ao sul do país

aeroportos aguardam o seu vôo

é do uruguai que se vai, ana.
 
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(para benhur b., meu querido)

domingo, 6 de janeiro de 2013

ela se aproxima da porta da entrada principal
escuta, ao longe, bem longe, uma piscadela do bolero de ravel
algum músico está se apresentando aqui?, deve ter pensado
e sim

quando endireita o corpo para o peito da janela
confirma a existência da biblioteca
adentra

curioso não poder falar alto, oferecer petiscos e tomar coca-cola
aqui dentro

ela se distancia da porta da entrada principal
coloca o fone de ouvido, bem próximo: derradeiro encontro particular
algum músico está se apresentando lá dentro, deve ter cogitado
e sim

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


desde sexta passada que organizo uma grande pasta de música que servirá para o momento de imersão - minha e do personagem

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

janeiro-bom