segunda-feira, 28 de novembro de 2011

lembrei-me depois do bilhete, depois da entrega hoje, finalzinho da tarde.
tenho sorte nos meu encontros criativos. tenho sorte por tê-los.

domingo, 27 de novembro de 2011

a melhor sensação do mundo é sentir-se. liberdade.
eu não me importo. eu só quero que termine,
você


liberdade

sábado, 26 de novembro de 2011

qualquer garoto com alergia de casa (foto + tinta a óleo, 2011)






alguém chama o garoto para fora de casa ou então ele decide ir sozinho. como um movimento de. e também de.
qualquer garoto não precisa ser um ácaro em território domiciliar para saber que é a hora de permanecer em casa. é a hora de ficar quietinho debaixo das cobertas. é a hora de prestar mais atenção na disposição dos móveis ou então, sozinho, sem a ajuda dos pais, de mudar tudo de lugar e propor novos movimentos.


série de 05 trabalhos. fotografias e tinta a óleo.
programa de pós-graduação em artes da universidade estadual paulista júlio de mesquita filho.
são paulo, novembro de 2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

amado,

mantenha os seus pés no chão enquanto não é maio. esta é uma carta tardia que certamente não saberá que fará a gente sofrer. a noite passou em você e fez questão de, ao meu modo, tentar balançar os teus pés afiados na terra batida: droga! ela costuma errar os instantes amontoando tanta gente.
não nos arrependeremos; porque já é tarde e também; porque os mortos não choram.
a gente bem sabe que eu deveria estar dizendo de amor aqui. o amor que me dei é devagar. por isso mesmo não está fincado no chão como uma árvore grande na esquina da praça antiga. não convém lembrar agora o quanto eu permiti que você entendesse todo esse ar, essa vontade de vida que grita. nada imóvel em mim.
não haverá lugar para as tuas raízes.

já aprendi a amar você. mas pouco espero os frutos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

1.b. já sente por tamanho silêncio

2.g. já não é necessário tamanho silêncio

3.f. já compreende tamanho silêncio

terça-feira, 15 de novembro de 2011

minha casa será tão bonita
se ela dissesse a verdade a ele diria

e também que

domingo, 13 de novembro de 2011

entre o jogo e a confissão
nenhum dos dois
não ensaiei os ritmos
pois já não cabe afastar muito

e sem despeito
arredondo o quão pode ser patético
entrelaçar o próprio choro
engolir como um rio

para consolar a vida
em riso
sem nenhum risco

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

afinal, agora, a gente já pode, finalmente, sentir saudade. é difícil demais sentir saudades (assim, no plural) de quem a gente nunca viu. mas agora vê. te digo, em azul, que a sua verdade faz tudo parecer tão bom. sorte de quem te tem, sorte de quem te vê.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

por uma cenografia amarela

levantadas as questões de identidade e de uma possível estruturação de um diálogo ancorado atráves de uma postura de sentimento nacional, as proposições cenográficas para as apresentações deste grupo pretenderão priorizar a antropologia como disciplina, das primeiras guerras coloniais, da emergência da má consciência, resultando um conceito de que não nos parece possível idealizar uma única versão para indivíduos agrupados geopoliticamente sob uma só fórmula identitária. então, o que vemos são grupos de indivíduos, tribos, subjetividades. Por isso, a cenografia e os figurinos, aos seus modos, abortam a questão “o que é ser brasileiro?” por “como, na contemporaneidade, propor um termo tão grande como 'povo brasileiro'? de quem se fala? para quem se fala?”.

aqui, ancorada pelos graus de funcionalidade do teatro épico, propusemos validar seus discursos através da supressão de um cenário aparentemente realista para abarcar sentidos de imersão no texto ressentido de nossas doentias relações coloniais, herança motora de construções identitárias, suas barbáries expressas nas dicotomias que marcam a história deste País: colonizador/colonizado; civilizado/bárbaro; natureza/tecnologia.

tratando de questões mais práticas, glauber rocha, cineasta brasileiro, cinema novista, foi o ponto de partida. para cá mais como um projeto politico de cenografia do que ironia, obviamente. glauber apostava nos cenários abertos, em regiões que por vezes eram suprimidas no plano cinematográfico: seus filmes, por vezes, eliminam os cenários e colocam o espectador diante de questões que vão desde “onde estes atores (e não personagens) estão?” e “que ambiente é este? que Brasil é este?”

com a apologia da devoração da diferença, oswald de andrade, a quem glauber tanto revelava carinho, ultrapassa a concepção que limitava o canibalismo à devoração de objetos com qualidades desejáveis. não é o objeto da devoração que será classificado, mas a própria devoração que se define como “alta” ou “baixa”, ou seja, o gesto acabado em si mesmo, de pura violência e destruição do “baixo canibalismo”; ou o gesto produtor do devir, da diferença, da multiplicidade, da incorporação do “alto canibalismo”. as projeções nas paredes da sala de apresentação dialogam com o discurso de deglutição, pois, por horas, tem-se a impressão (sempre a impressão, uma vez que nesta proposta a narratividade não é dada, mas sim sugerida) de que a materialidade dessas imagens projetadas engoliram, sem dó, nossos atores.

a desautorização do discurso, primeiramente aferido pela dramaturgia, também será marcada pelo uso de materiais simples: “trono” não é um “trono” enquanto signo usual, mas aqui “trono” é um simples caixote de Madeira enquanto um ator, vestindo uma máscara, dilacera a dignidade de uma mulher, “enfiando sua sujeira nela”. e mais: o que se diz, enquanto discurso, não será aquilo que se vê: em dado momento uma atriz oferece uma bandeija de comida a um estrangeiro, relativizando o momento em que nos é contado pela história oficial de que nossos primeiros brasileiros, os índios, trocaram ouro por um espelho português.

o papel a que joão ubaldo ribeiro e seu 'viva o povo brasileiro' (década de 1980) nos presta a esta cenografia é a transformação da antropofagia em traço de identidade que possibilita pensar oswald de andrade a partir do problema da construção do nacional, o que adiante marca o movimento antropofágico sedimentado em uma outra óptica para a relação entre o local e o universal, num processo de desierarquização que significa a possibilidade de uma expressão própria dos países de economia periférica, importante tanto para quem se expressa, quanto para o outro, o receptor. o público privilegiado por esta cenografia terá a opção de se movimentar, mesmo sentado, para qual “foco” de encenação que quiser, como uma liberdade que é também massacrante, forçada e decisiva.

nosso salvo-conduto desta direção de arte é a proximidade temática com tais autores, mas que aqui também é abraçada pelo conceito de atemporalidade amarela, como em nossas primeiras cartas, como nas doenças de nossas crianças pobres: figurinos feitos de restos; cenografia que amplia a noção de lixo, dando “vida”, portanto “discurso”, a restos de madeira para a confecção das caixas; tecidos orgânicos, flutuantes, que receberão as imagens projetadas.

viva o povo. viva o povo. muitas vidas.

@ sp escola de teatro
cenografia e figurino: benedito ferreira, alexandre ferraz e guilherme catofaroni.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

se ajunte em cinco
para dividir
um traço amarelo
em cinco grandes cores

novembro
dividido
entre