quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sabe, estou eu aqui esperando que ele chegue agorinha.
quando vi, num pequeno momento do meu olho, ele estava aqui. aproximo o meu motivo a ele. e ele suspende o lençol no alto para costurar o que ainda não tem ponto. eu digo que ele não sabe, pois se soubesse me amaria até eu perder o ar de tanta vontade. tem frases que sempre, de qualquer maneira, ficam bonitas no teatro. acho beleza demais no mundo quando ele recolhe os cabelos e titubeia, sem pouca pressa, o abajur para que a gente possa encontrar um caminho de violão para dormir em paz. mas a gente não dorme, eu não costumo dormir quando dói demais de amor. olha, eu digo, vou colocar meus dedos para fora do antiquário, vou endireitar dois ou cinco caminhos para a gente se amar como se deve. ele, dizendo em baixo tom, que me ama do jeito como se ama, que não importa a hora em que se chegue, o importante, sem dúvidas, é chegar,
mas eu digo que é agosto e o que eu mais peço é que a gente erre. que a gente erre o bastante até doer, que a gente erre para acertar, que a gente se tenha por poucas horas
que ele me cubra com o lençol para eu poder dormir bem e ir trabalhar,
que ele me abrace. que feche a janela. choverá.
que ele se molhe e eu o seque.


http://www.youtube.com/watch?v=BbRq5ukmcJA