sexta-feira, 29 de abril de 2011

um ano atrás. um ano e. eu estava em são paulo. como agora.
eu estava próximo à praça da república. uma aula com cyro del nero para que eu entendesse essa necessidade do teatro, essa vitalidade da arte ao vivo, da funcionalidade das coisas, das experiências cognitivas de luz e cor que os materiais provocam. estava chovendo e aquela era a terceira vez que eu me via em frente ao espaço cenográfico de j. c. serroni. decidi ali, naquele instante de chuva, dos carros com suas luzes coloridas, refletidas no asfalto, que eu precisava estudar cenografia teatral.
fechado. três vezes fechado. sem poder esboçar um grito para adentrar os múltiplos espaços.
mas há atores que te contam o que acontecem. era a vez de dar as mãos para abraçar mais um ciclo, pois eu já sabia que em mim, na minha vida, tudo é assim, devagar, devagar, acontece em escalas 1:25, acontece pequeno e gostoso.
a gente brinca, todos os dias, que este é um tempo de artesão. e, justamente por isso, por tais mãos de artesão, que este é um tempo de flavio império. e tudo, eu disse tu-do, acontece porque precisa.
eu sorrio para mim mesmo quando giro a cabeça e me confronto dividindo os meus pensamentos de aprendiz aos meus formadores. um tipo de geração do agora que tem um monte de distrações, que pertenceu a última turma de cenografia do cyro, que revê império e se emociona, que pede um café enquanto agora, eu disse a-go-ra, investiga o panorama histórico da cenografia teatral brasileira. agora, agora mesmo, estou dentro daquele lugar que estava fechado.
alguém que se surpreende por estar aqui. por fazer parte desta cenografia.
por dividir o vídeo imperial com um mestre.
e, segura as minhas lágrimas. segura porque eu preciso estar aqui.
e eu estou muito feliz. eu estou teatro.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ele acordou no instante em que o sentimento mais bonito, como o livro, sorriu um começo de. e também de.
e me ganha quando eu apresento o pedaço do meu filme favorito enquando corta um pedaço pequeno do meu cabelo
e então você assina o meu nome com sua caneta preta sem tinta tudo é saud
é para você o meu poema de número 300.
três centos. dois mil e onze três centos.
três filmes para você comigo.
três roupas de atores para você dividir comigo.
três é quase dois. passará depois de cada começo.

domingo, 3 de abril de 2011

x,

(...)
sabe quando a gente olha um balão numa festa de aniversário e pensa "eu sei que mais tarde essa será estourada"? é assim, eu sei quais serão estouradas. e não é pela cor, pelo volume, pela disposição em frente ou lateral ao bolo, à mesa do bolo. eu simplesmente sei. e sei também como/quando vou gostar das pessoas. e isso aconteceu ainda na escola, depois no ginásio e, finalmente, na faculdade. eu sempre tive sorte. sempre chorei quando tive sorte. e me orgulho bastante disso. me orgulho pela sensibilidade.
quando eu olhei, ainda na primeira semana, eu comecei a esboçar meus fragmentos de "será que fuma?", "será que já visitou tal país?", "será que acha que tudo, ou quase tudo, pode ser visual?", "será que tem as coisas concebidas e sabe dar brilho a elas?", "será que ele sabe desenhar castelos?". e então você confirma várias das minhas questões e me coloca questionando ainda mais.
(...)
eu espero que você volte logo para eu gostar ainda mais de você. eu espero por nossa amizade como quem espera um desenho de um pássaro ao lado de uma camiseta com desenho de coração.

uma viagem deliciosa para você. um espetáculo emocionante.
vou abrir as cortinas quando você voltar mais forte, mais lindo, mais querido e mais risonho.
eu gosto muito de você.

y.
a viagem dele revirará em mim num certo tipo de sentimento de solidão. de quem está sozinho mas sabe que ele retorna. dois meses. dois meses sem saber o que falar, sem ter o que dizer. conjugando o verbo esperar em todos os tempos, todos os modos. ao meu modo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

preparem os seus casacos. preparem os seus corações.