domingo, 27 de fevereiro de 2011

sonho.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

a parede verde, o armário azul da cozinha, os nossos quadros na parede da sala, todas aquelas histórias

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

vê-la chorando ali, deitada, fez com que ele tivesse a certeza de que não era possível, de que ele precisava chorar também.
um abraço de herbert jonkers.

sobre caber, permanecer e o amor

de repente eu entendi que precisava contar uma história. foi de repente mesmo. eu já estava acostumado a contar as histórias de outras pessoas, outros amigos, sempre na posição de diretor de arte e figurinista. e então escrever o “eu já não caibo mais aqui” foi entender que ali, naquele momento, eu precisava contar o meu personagem. não eu, mas também eu.
todo o projeto possui uma referência direta com a obra do artista holandês ban jan ader, principalmente o i'm too sad to tell you, realizado em 1971. eu estudei a obra deste artista para o desenvolvimento da minha pesquisa de graduação em direção de arte, na etapa de elementos que implicam a necessidade de um projeto de direção de arte para filmes. (...) o mês de março foi bastante difícil para mim e eu sabia que se não me propusesse a realizar alguma atividade audiovisual, ou em artes plásticas, poderia adoecer, como todo bom aquariano. mas poderia adoecer de amor. mas poderia adoecer para amar. mas poderia realizar para o amor. decidir a terceira opção me pareceu a mais difícil das tarefas, pois costumo ser exigente nas minhas imagens, principalmente quando elas discursam sobre o amor. minha experiência em cenografia permitiu marcar o instante da sacralização da solidão, uma espécie de momento só seu, que também era meu.
e caíram como uma luva as músicas do álbum “qualquer” do magnífico arnaldo antunes, principalmente a diegese participativa de “acabou chorare”, “2 perdidos” e “da aurora até o luar”. juntei com observações que me ocorriam sempre que escutava o álbum “the flying club cup” da banda beirut, nas músicas “the penalty” e “cherbourg”. com as referências estéticas bem claras, conversei com alguns dos meus amigos e então eles toparam. meus amigos sempre estão por perto e isso me alegra. (...)
o crítico de cinema cid nader parece ter entendido muito do curta quando aponta que os elementos inanimados (bolas de sabão, os balões, cigarro, liquidificador, etc) cumprem com sua função de narradores. os objetos parecem invadir os espaços, a decisão tomada foi a de que os quadros estariam bem marcados por tais elementos. (...)
os ambientes mudam de coloração. os objetos foram escolhidos em um processo muito particular em que eu posicionei uma caixa no meio da sala do meu apartamento e fui preenchendo com delicadeza, seguindo as ordens de obviedade de um dressing-fino. coloquei, em todas as cenas, folhas de celofane em frente à lente para que a imagem não tivesse esse apelo realista.
eu já não caibo... sinaliza uma teoria que carrego mesmo depois de entender que a gente precisa estar aqui, todo tempo, que é a de que ideias são menores que os encontros. o amor nunca deve ser tratado como desculpa para as relações sociais, mas a gente nunca erra quando fala de amor. nunca. e eu amo o eu já não caibo mais aqui assim como amo a direção de arte. as ideias são importantes, mas elas acontecem e aí... ah, e aí elas vão. eu encontrei muitas pessoas com o curta e fui encontrado. por mim, por elas, por todos nós que não cabemos em lugar algum.

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* texto lido por rodrigo cássio na sessão de curtas convidados do cineclube cascavel. goiânia, terça, 15, fevereiro.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

esse é o meu convite para minha casa você vai surgir com os cabelos ainda mais escuros e pesados e com uma nova sarda no canto inferior do nariz eu vou titubear e me aproximar da janela da sala enquanto você abomina a parede vermelha da sala eu vou pedir silêncio para o trânsito talvez você vai sugerir uma música aquela eu vou dizer que aprendi a amar mais e que sempre estive errado dois ou cinco carros parados no semáforo da rua abaixo vão ouvir talvez você vai dizer que está tarde são 2h da manhã eu direi mas o horário de verão não mente vou me sentir melhor vou me despedir do amor e você vai sorrir para a geladeira com a foto da viagem em nossa casa deveria ser teríamos dois novos sofás para assistir à despedida daquele jogador de futebol como é mesmo o nome dele talvez você responda a outra pergunta mas não eu não ouvirei a música está alta o vizinho de baixo chamará o porteiro a gente sempre erra quando escolhe o volume 15 para os discos xx eu poderia se você desenhasse um cristal no ar e alterasse a cor da parede com o abajur comprado no bazar então você faz giro a mesa em direção à janela e seguro um suspiro chorar você deveria estar chorando mas seca eu senti você dia desses me dirá eu vou ouvir porque a música está mais baixa e pedir um repeat exaustivo para que nada nos impessa de diagnosticar você está mais bonito sabe eu queria tanto ter coragem para abrir a caixa amarela do pequeno príncipe e reler as suas impressões de mundo datadas nas cartas que chegarão muito cedo não é difícil estranhar tanta insegurança quando não se sabe quem está parado e porque está parado na faixa daquele sinal você sabe disso e nunca saberá toda hora vai, me diz então porque me chamou aqui e eu vou fingir um outro sorriso nosso deita lá no meu colchão para que eu te explique tudo mas é despedida em sobressalto ai você nunca entende vou abrir a gaveta do armário que não existe e pedir uma ajuda para a família de passarinhos no fio elétrico de alguma cidade aqui próxima consolação é quando você fica em silêncio e solta um talvez queria que você me abrace quando eu me deitar no colchão eu saberia te dizer mas não direi para não poder me parecer recuperado ou melhor o amor tem dessas coisas a gente se amaria só você até às 4h da manhã mas não quero acordar sozinho e subir a rua inteira enquanto penso onde fica a sua casa se está tudo bem o melhor de mim é me preocupar com os seus compromissos afinal você os pediu tanto tanto que eu sorri quando conseguiu mais um resultado positivo, você disse deitar na cama para terminar isso que não termina para sentir eu desfalecer nos seus braços e acabar chorando duad lágrimas uma para você e outra para ele, não, não, para mim e então você introduz em tom explicativo que ainda me ama eu nunca saberia se não me dissesse mas sempre foi silêncio barulho na rua mas você não pode ir adiante tem coisas que não serão vividas agora e sim está tarde ninguém diz adeus àquilo que nunca acaba principalmente às 6h da manhã mas vejo um pedaço do pescoço virar a porta do banheiro enquanto eu permaneço deitado exausto fecha a porta vem trancar a porta não dirá mas eu entenderei a preocupação comigo com as samambaias e silêncio com o prazer de se estar indo embora do meu convite de casa nova
a hora dos espaços da gente é também a hora de se organizar enquanto se é. pendura o primeiro quadro e a cortina da sala, recebe as flores, subverte as ordens, aglutina os ambientes... senta no chão da sala, olha pela janela. azul. grande surpresa. descreva, descreva, descreva. vai, vou narrar o mundo pra mim.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

em fevereiro não tem carnaval. e também pouco de mim aqui, por enquanto.