domingo, 30 de janeiro de 2011

já está na hora de voltar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

15 cenários

entenda 01: a natureza da imagem que a direção de arte estetiza contém a implicação fundamental antes de se organizar propriamente em imagem, a necessidade de que uma verdadeira representação ocorra organizada dentro de alguma ordem e em um espaço concreto.

listei os 15 filmes (15 sempre me pareceu um bom número para estas listas) que me influenciaram/influenciam e que apresentam um interessante projeto de direção de arte.

1. man in the moon (1902)
diretor de arte: george melies

referir-se à direção de arte como uma mera ilustração daquilo que o roteiro sinaliza é uma observação completamente infortuna, pois até mesmo o cinema dos primórdios (ou "comecinho de um cinema"), da década de 1910 e 1920, atentou-se ao fato de que o espaço, principal objeto de estudo do diretor de arte, auxilia a narração, prevendo o possível encaminhamento da discussão da direção de arte como elemento autônomo para o pensamento fílmico e não como refém do roteiro.

2. metropolis (1927)
diretores de arte: otto hunte, erich kettelhut, karl vollbrecht.

fritz lang, que também era pintor, desenvolveu uma opra-prima visual. o cenário faz um incrível intertexto com a torre de babel de bruegel através do uso das sombras e de uma espécie de "arquitetura de moda" com os figurinos que lady gaga, por exemplo, daria todos os dedos do pé para ter em seu armário. muito também já se disse sobre os espelhos utilizados dentro do cenário para multiplicar o efeitos de clima. é uma ópera.

3. the wizard of oz (1939)
diretores de arte: william a horning, elmer sheeley.

pela variação p&b e cores. pela transposição sincera no figurino e maquiagem. (me sentindo um júri aqui, perdão).

4. gone with the wind (1939)
diretor de arte: william cameron menzies.

o segundo do fleming. anote isso. após o filme, o magnífico menzies mudou a designação da função, que passa de art director para production designer. o que isso significa? uma certa autonomia de criação através da exigência de um profissional capaz de pensaro espaço e não apenas de executá-lo seguindo as ordens do roteiro. e, mais adiante, alguém responsável pelo departamento, elaborando as diretrizes de pensamento com a maquiagem, o produtor de arte, o produtor de objetos, etc. menzies lia os roteiros como ninguém. e recebeu um oscar honorário pelo excelente desempenho no uso de cores para a valorização do humor dramático na cenografia deste filme. as melhores cortinas ever.

5. sunset boulevard (1950)
diretor de arte: john meehan

a imagem arquitetônica delineia a natureza deste filme, a função das ações e a atmosfera das locações. da conjunção destes fatores se define a importância do papel da arquitetura no cinema que é muito mais que mera cenografia e deve saber transitar no imaginário fílmico para construir estruturas capazes de resgatar o espírito de uma época ou lançar o de outras. é o espaço arquitetônico que permite a ligação entre tempo, espaço e homem.

6. giant (1956)
diretor de arte: boris levin

direção de arte para uma diegese de três gerações. três gamas de cores, uma para cada geração. deixa qualquer semioticista louco com a quantidade de objetos escolhidos a dedo e que sempre, sempre pontuam o quadro. como uma pintura.

7.
*
vou cometer uma licença kubrickiana, porque pode. e porque ele é rei.
*

2001 - a space odyssey (1968)
diretores de arte: tony masters, ernest archer, harry lange

a clockwork orange (1971)
diretor de arte: john barry

barry lyndon (1975)
diretor de arte: ken adam

o félix murcia, um diretor de arte espanhol, escreve em um de seus livros* cuando se trata de reconstruir escenarios desconocidos [...] o nunca vistos por nadie em la realidad, la concepción de éstos se apoya en el desconocimiento, permitiendo establecerlos incluso como testimonio para la mayoría de los espectadores, por supuesto más indocumentados. en la escenografía cinematográfica actual este planteamiento requiere saber primeiro todo lo que se puede saber, hasta límites inospechados, acerca de lo que se pretende representar, para inventarse com libertad lo que no se puede saber, sin que se pueda rebatir.

o enquadramento em barry lyndon, assumindo a atividade da moldura na pintura, é fantástica. me emociono sempre. poesia visual.

8. star wars (1977)
diretor de arte: john barry

por que, né?

9. fanny and alexander (1982)
diretor de arte: ingmar bergman

tudo no lugar. direção de arte cuidadosa, sensível e ... alguém me explica aquele teatro de marionetes nas primeiras cenas do filme? adorável.

10. o beijo da mulher-aranha (1984)
diretor de arte: clovis bueno.

clovão e babenco. lembram do menzies lá atrás? o clovis foi o primeiro profissional dos cenários a ser creditado no brasil como diretor de arte. a direção de arte do clovão para o filme é madura e sensível às novas expectativas da função. elementos do universo gay para a composição dos ambientes das personagens e utilização das cores para marcar bem as diferenças dos dois protagonistas presidiários, um expresso pela condição homossexual e o outro pela mágoa e solidão. tem na c.a.r.a. vídeo em vhs. obrigação.

11. wings of desire (1987)
diretor de arte: heidi lüdi

a paisagem, uma das principais referências da direção de arte frente à geografia narrativa do filme, é alcançada pelo trabalho do establishing shot, plano que tem por função localizar o espaço da trama, logo no início do filme. wim wenders faz isso. voa por berlim. muita gente pergunta: mas o que o diretor de arte faz em uma externa? como alterar o espaço real de uma cidade? ele auxilia a posicionar a câmera com o diretor do filme e o fotógrafo. a bibioteca, o circo, os ambientes tristes de personagens que sentem uma alemanha manchada de uma guerra.

12. mujeres al borde de un ataque de nervios
direção de arte: felix murcia, emilio cañuelo

se este comentário tivesse uma trilha sonora, com certeza não seria a adriana calcanhotto cantando... "cores de almodóvar, cores...". mas hein, cenários pomposos, coloridos kitch. um excelente trabalho de set decoration. me dá vontade de ter todos os objetos do filme.

13. trois couleurs (1993-1994)
diretor de arte: claude lenoir
(no 'bleu': claude lenoir e halina dobrowolska)

qualquer coisa que eu disser vai denunciar o meu amor pela trilogia.

14. central do brasil (1998)
diretores de arte: cassio amarante e carla caffé

excelentes continuidades visuais entre os elementos cenográficos e o espaço urbano em crise: permanência de pontos estratégicos, geralmente na cor azul, no enquadramento, para que a imagem não seja refém de uma monocromia de sertão. muito especial a cenografia do apartamento de dora.

15. lavoura arcaica (2001)
diretor de arte: yurika yamasaki

de lavoura arcaica a o rei do gado, os trabalhos do luiz fernando carvalho em tv e cinema possuem um rigor cenográfico muito especial. uma bela fazenda de café. objetos desgastados. luz e sombra. algodões e rendas. selton melo ainda não cansado (desculpe, não resisti rsrs). @pedronovaes, eu também oro todos os dias e peço 1% do talento do luiz.

16. le fabuleux destin d'amélie poulain (2001)
diretor de arte: aline bonetto

dizer que não gosta da história: tudo bem. é aquele tipo de filme que tem fãs escrotos. mas dizer que não tem um trabalho excepcional de direção de arte é cometer um grande erro. vale a pena ter/locar o dvd do filme e conferir os depoimentos sobre os cenários e, é claro, pausar cena por cena e observar o detalhismo dos objetos de cena.


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* la escenografía en el cine, el arte de la apariencia (2002).
** incluí o almodóvar depois. é que 15 é mais plástico. mas 16 também me parece bom.

sábado, 22 de janeiro de 2011

depois da acordar do meu segundo dia sonhando com você em situações perigo, na verdade em que eu me sentia ameaçado, pensei: como eu tenho preguiça de você. como eu quero você distante, bem longe, de mim.
em minha pele nenhum toque. em meus sonhos você não reverbera nem a atmosfera.

sábado, 15 de janeiro de 2011

emolduraram todos os amores para que não fugissem.

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011 pra gente imaginar.