quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

te amo como você e eu acharmos que seja esse amor.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

pedaço sensível de consolação (ou) 2011, tão especial

abandonar o espaço, tirar a banda de circulação, para a chegada da nova fanfarra a gente não precisa de muito não por vezes para entender um monte esse estágio é importante para adiantar o que há de mais pesado e o que precisa ficar e foi assim eu adentrei os ambientes como quem ocupa os primeiros assentos de uma sala de cinema não me escondi em nenhum galho de árvore à espera de chuva eu me molhei porque são paulo fica seca eu tenho medo da falta de água
recebi o leo em casa sua nova chegada aliás me recebi naquele barulho gigantesco que é a consolação um tempo cheio de recato que é tentar dormir e não conseguir mas consegui é só eu fechar tudo e começar a pintar na mesa que foi deixada lá só pra mim
eles foram à minha casa todos eles conheceram o meu melhor a maneira como eu compro cactos pequenos e os planto dentro de xícaras para que iluminem as estantes de aço eles fizeram com que eu renovasse a minha fé deram mais embalo à minha dança de madrugada enquanto apagavam as luzes para que pudéssemos enxergar vagalumes
não consegui (acredito que não haja conclusão pois isso já não é tão relevante mais) seguir um caminho seguro daqueles pontos que supostamente guiavam o meu amor deus obrigado as artes plásticas estão me invadindo como o dia em que comprei aquelas caixinhas de tinta a óleo e fiz meus primeiros esboços de vida
com o gui eu entendi que no fim no fim de tudo nós cenógrafos nós artistas queremos ser músicos a gente se aproxima da ideia de que a visualidade quer sem querer ser música meio paul klee eu sei
esperei um reencontro mais sincero mas não eles deveriam saber todos eles que isso de gostar de alguém é uma coisa muito séria falta desejo e um tanto grande de questões para se resolver na relação deles-cidade ou talvez o meu olhar de forasteiro seja direto demais não não acho que ingênuo demais
me trouxeram vacalhações fui machucado talvez eu lerei este pedaço específico aqui e não entenderei mas eu espero que eu entenda do que estou escrevendo aqui para que possa socializar melhor esta etapa uma mágoa pequena não sei sentir dor
os novos pedidos as novas entradas já estão abraçadas pelas mãos e toda a intenção dos vinte e três

vou receber parte do meu amor aqui no pedaço de chão que me viu crescer honestamente

estou tão feliz por 2011 que não sei se agora estou chorando ou se trata de chuva nesta cidade
com amor,

domingo, 25 de dezembro de 2011

só depois de eu ter conhecido o fer é que o intervalo entre natal e ano novo me pareceu mais bonito/com mais sentido.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

alguem me lembre de adicionar todos os pontos, sinais de pontuacao neste texto

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"(...) enquanto eu dançava, tinha um desenho do chão que corria / tudo de acontecer acontecia / e na calçada eu sentada vivia / sem fazer idéia / e a falta de imaginação me fez lembrar de você / de tarde, se anoitecer, tudo se acaba / e aí crio asa / e aí elas querem voar / aqui é assim / o que a gente inventa a gente tem / e aí crio asas e aí elas querem voar” k. buhr
eu chegaria um pouco atrasado hoje. você estaria me esperando com o celular no bolso, conferindo vez ou outra alguma chamada minha. mas sabendo que eu faço isso porque prefiro um atraso menor pra diminuir o tempo necessário em que a gente precisa dividir você com os outros convidados. chegaria e pediria uma cerveja nova. estava tudo tão fácil, tão bom de pedir. no fim, você viria pra cá, te leria aquele poema e nos aproximaríamos. você pediria uma outra música, mas não tão rock, uma música minha. eu colocaria e então você leria um segundo poema.
a gente dormiria, pois ninguém resistiria o suficiente à um colchão tão quentinho num dia de frio.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

lembrei-me depois do bilhete, depois da entrega hoje, finalzinho da tarde.
tenho sorte nos meu encontros criativos. tenho sorte por tê-los.

domingo, 27 de novembro de 2011

a melhor sensação do mundo é sentir-se. liberdade.
eu não me importo. eu só quero que termine,
você


liberdade

sábado, 26 de novembro de 2011

qualquer garoto com alergia de casa (foto + tinta a óleo, 2011)






alguém chama o garoto para fora de casa ou então ele decide ir sozinho. como um movimento de. e também de.
qualquer garoto não precisa ser um ácaro em território domiciliar para saber que é a hora de permanecer em casa. é a hora de ficar quietinho debaixo das cobertas. é a hora de prestar mais atenção na disposição dos móveis ou então, sozinho, sem a ajuda dos pais, de mudar tudo de lugar e propor novos movimentos.


série de 05 trabalhos. fotografias e tinta a óleo.
programa de pós-graduação em artes da universidade estadual paulista júlio de mesquita filho.
são paulo, novembro de 2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

amado,

mantenha os seus pés no chão enquanto não é maio. esta é uma carta tardia que certamente não saberá que fará a gente sofrer. a noite passou em você e fez questão de, ao meu modo, tentar balançar os teus pés afiados na terra batida: droga! ela costuma errar os instantes amontoando tanta gente.
não nos arrependeremos; porque já é tarde e também; porque os mortos não choram.
a gente bem sabe que eu deveria estar dizendo de amor aqui. o amor que me dei é devagar. por isso mesmo não está fincado no chão como uma árvore grande na esquina da praça antiga. não convém lembrar agora o quanto eu permiti que você entendesse todo esse ar, essa vontade de vida que grita. nada imóvel em mim.
não haverá lugar para as tuas raízes.

já aprendi a amar você. mas pouco espero os frutos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

1.b. já sente por tamanho silêncio

2.g. já não é necessário tamanho silêncio

3.f. já compreende tamanho silêncio

terça-feira, 15 de novembro de 2011

minha casa será tão bonita
se ela dissesse a verdade a ele diria

e também que

domingo, 13 de novembro de 2011

entre o jogo e a confissão
nenhum dos dois
não ensaiei os ritmos
pois já não cabe afastar muito

e sem despeito
arredondo o quão pode ser patético
entrelaçar o próprio choro
engolir como um rio

para consolar a vida
em riso
sem nenhum risco

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

afinal, agora, a gente já pode, finalmente, sentir saudade. é difícil demais sentir saudades (assim, no plural) de quem a gente nunca viu. mas agora vê. te digo, em azul, que a sua verdade faz tudo parecer tão bom. sorte de quem te tem, sorte de quem te vê.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

por uma cenografia amarela

levantadas as questões de identidade e de uma possível estruturação de um diálogo ancorado atráves de uma postura de sentimento nacional, as proposições cenográficas para as apresentações deste grupo pretenderão priorizar a antropologia como disciplina, das primeiras guerras coloniais, da emergência da má consciência, resultando um conceito de que não nos parece possível idealizar uma única versão para indivíduos agrupados geopoliticamente sob uma só fórmula identitária. então, o que vemos são grupos de indivíduos, tribos, subjetividades. Por isso, a cenografia e os figurinos, aos seus modos, abortam a questão “o que é ser brasileiro?” por “como, na contemporaneidade, propor um termo tão grande como 'povo brasileiro'? de quem se fala? para quem se fala?”.

aqui, ancorada pelos graus de funcionalidade do teatro épico, propusemos validar seus discursos através da supressão de um cenário aparentemente realista para abarcar sentidos de imersão no texto ressentido de nossas doentias relações coloniais, herança motora de construções identitárias, suas barbáries expressas nas dicotomias que marcam a história deste País: colonizador/colonizado; civilizado/bárbaro; natureza/tecnologia.

tratando de questões mais práticas, glauber rocha, cineasta brasileiro, cinema novista, foi o ponto de partida. para cá mais como um projeto politico de cenografia do que ironia, obviamente. glauber apostava nos cenários abertos, em regiões que por vezes eram suprimidas no plano cinematográfico: seus filmes, por vezes, eliminam os cenários e colocam o espectador diante de questões que vão desde “onde estes atores (e não personagens) estão?” e “que ambiente é este? que Brasil é este?”

com a apologia da devoração da diferença, oswald de andrade, a quem glauber tanto revelava carinho, ultrapassa a concepção que limitava o canibalismo à devoração de objetos com qualidades desejáveis. não é o objeto da devoração que será classificado, mas a própria devoração que se define como “alta” ou “baixa”, ou seja, o gesto acabado em si mesmo, de pura violência e destruição do “baixo canibalismo”; ou o gesto produtor do devir, da diferença, da multiplicidade, da incorporação do “alto canibalismo”. as projeções nas paredes da sala de apresentação dialogam com o discurso de deglutição, pois, por horas, tem-se a impressão (sempre a impressão, uma vez que nesta proposta a narratividade não é dada, mas sim sugerida) de que a materialidade dessas imagens projetadas engoliram, sem dó, nossos atores.

a desautorização do discurso, primeiramente aferido pela dramaturgia, também será marcada pelo uso de materiais simples: “trono” não é um “trono” enquanto signo usual, mas aqui “trono” é um simples caixote de Madeira enquanto um ator, vestindo uma máscara, dilacera a dignidade de uma mulher, “enfiando sua sujeira nela”. e mais: o que se diz, enquanto discurso, não será aquilo que se vê: em dado momento uma atriz oferece uma bandeija de comida a um estrangeiro, relativizando o momento em que nos é contado pela história oficial de que nossos primeiros brasileiros, os índios, trocaram ouro por um espelho português.

o papel a que joão ubaldo ribeiro e seu 'viva o povo brasileiro' (década de 1980) nos presta a esta cenografia é a transformação da antropofagia em traço de identidade que possibilita pensar oswald de andrade a partir do problema da construção do nacional, o que adiante marca o movimento antropofágico sedimentado em uma outra óptica para a relação entre o local e o universal, num processo de desierarquização que significa a possibilidade de uma expressão própria dos países de economia periférica, importante tanto para quem se expressa, quanto para o outro, o receptor. o público privilegiado por esta cenografia terá a opção de se movimentar, mesmo sentado, para qual “foco” de encenação que quiser, como uma liberdade que é também massacrante, forçada e decisiva.

nosso salvo-conduto desta direção de arte é a proximidade temática com tais autores, mas que aqui também é abraçada pelo conceito de atemporalidade amarela, como em nossas primeiras cartas, como nas doenças de nossas crianças pobres: figurinos feitos de restos; cenografia que amplia a noção de lixo, dando “vida”, portanto “discurso”, a restos de madeira para a confecção das caixas; tecidos orgânicos, flutuantes, que receberão as imagens projetadas.

viva o povo. viva o povo. muitas vidas.

@ sp escola de teatro
cenografia e figurino: benedito ferreira, alexandre ferraz e guilherme catofaroni.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

se ajunte em cinco
para dividir
um traço amarelo
em cinco grandes cores

novembro
dividido
entre

domingo, 16 de outubro de 2011

"ele só poderia ter esse nome, ele só poderia ter esse nome. é bonito como ele.
e ele faria todo o sentido do mundo nesse domingo chuvoso,"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"o que jamais se esqueceria
pois nem principiou a ser lembrado.
(...)
a vida não chega a ser breve."

c. d. de andrade.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

mate,

mas e se eu não me levantar e não escrever? de manhã, eu sei. desaprendo boas horas, todos os dias, para que o carinho que envolve o meu coração aconteça; "alguém dizendo quente entre os dentes palavras tão gentis", palavras que eu sei que mereço: teatro. não poderia me avaliar sem amor, sem repetir comigo mesmo o quanto é valioso estar lá, no palco, tomado pelo corpo da cenografia, e lá, nas aulas de teatro. mate boa parte das minhas necessidades deste conhecimento. mate o que eu sei para que eu dê um espacinho a mais para este novo conhecimento.
um nove para mim. em novembro eu estreio a minha proposição cenográfica épica. em nove. e um dez para o mate. um dez que ensina a gente a respirar mansinho. um dez para o mate.
eu estou feliz, estou feliz por estar aprendendo.

com um carinho danado,
b

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

“e eu sentado onde estava sobre uma raiz exposta num canto do bosque mais sombrio”.

ele parece apresentar sozinho seu próprio universo. tem uma satisfação em olhar e saber que terá uma resposta imediata. não sei se joga, mas se joga... parece bem profissional. a franja esconde dois terços da saudade que ele sente. não engana fácil. sai de bicicleta e bermuda. escolhe o melhor lugar para sentar e pegar o cigarro enquanto sabe que está sendo admirado. não telefona, se esconde da festa e, claro, oferece a sua casa.
parece mentir. não engana o mundo tão fácil.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

abraço essa beleza como quem aguarda a gema brilhante nos olhinhos pouco perspectivados daquela escultura grega. grega, de verdade.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

um poema para neruda.
um poema. dois. três.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

timidez de argila
em casa
estranha,

que ao movimento
surpreso
diz-se de dois
que ao movimento
mais supreso
levita ao leo

de outros sonos


para concluir
que não é
cedo
o bastante
para cálculos de resistência
de argila, de movimento
e de dois

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

para que conclua
o começo
faz com que esvazia
seus pretextos
tinindo
com a paciência
de uma jovem senhora
que prega
os botões
da camisa do filho
que vai
embora
especialmente hoje eu te

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

deus, estou pedindo, quero amar demais.
sabe, estou eu aqui esperando que ele chegue agorinha.
quando vi, num pequeno momento do meu olho, ele estava aqui. aproximo o meu motivo a ele. e ele suspende o lençol no alto para costurar o que ainda não tem ponto. eu digo que ele não sabe, pois se soubesse me amaria até eu perder o ar de tanta vontade. tem frases que sempre, de qualquer maneira, ficam bonitas no teatro. acho beleza demais no mundo quando ele recolhe os cabelos e titubeia, sem pouca pressa, o abajur para que a gente possa encontrar um caminho de violão para dormir em paz. mas a gente não dorme, eu não costumo dormir quando dói demais de amor. olha, eu digo, vou colocar meus dedos para fora do antiquário, vou endireitar dois ou cinco caminhos para a gente se amar como se deve. ele, dizendo em baixo tom, que me ama do jeito como se ama, que não importa a hora em que se chegue, o importante, sem dúvidas, é chegar,
mas eu digo que é agosto e o que eu mais peço é que a gente erre. que a gente erre o bastante até doer, que a gente erre para acertar, que a gente se tenha por poucas horas
que ele me cubra com o lençol para eu poder dormir bem e ir trabalhar,
que ele me abrace. que feche a janela. choverá.
que ele se molhe e eu o seque.


http://www.youtube.com/watch?v=BbRq5ukmcJA

sábado, 20 de agosto de 2011

bonito demais quando ela não entende que é a hora de voltar pra casa dele
todavia,
se disserem que não é para você
diga
que é sim.
é sim.
diga baixinho
que é para não
contrariar toda
vida.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

anotações de filme (4)

o desejo de fazer com que ele volte. mais de uma vez naquele apartamento. c. abre a porta. fecha. eles estão novamente em seu espaço. uma semi-reforma. um apartamento entregue. pouquíssimos móveis. seus objetos vazados. o espelho que recorta.

para a visualidade:

- pintura do apartamento: susbtituição da cor branca (da locação) pelo azul lavanda;
- aproveitamento do espelho da locação;
- marcação de c. em um dos "x", ela é colocada em questão;
- afixar na porta a sugestão de cor que c. definiu para as paredes, que são as cores definidoras da paleta do filme.

* faltam duas quadras; do meu caderno de anotações/prancha de arte *
dir. e roteiro: jarleo barbosa
dir. de fotografia: emerson maia
dir. de arte e figurino: benedito ferreira
atores em cena: bellatrix, leonardo batista
2011, janeiro

sábado, 2 de julho de 2011

anotações de filme (3)

a água. o banheiro que goteja. surpreendido dentro do box pela coleção de bexigas coloridas que caem do teto do chuveiro. líquido.

para a visualidade:

- pinceladas de condicionador de cabelo no box do banheiro, criação de um "efeito embaçado";
- balões em diferentes tamanhos (eliminar as cores que não ficam tão bem com os azulejos, pro exemplo, o marrom).

* eu já não caibo mais aqui; do meu caderno de anotações/prancha de arte *
dir. e roteiro: benedito ferreira
dir. de fotografia: renata oliveira
dir. de arte e figurino: benedito ferreira
ator em cena: kai labre
2009, maio

segunda-feira, 27 de junho de 2011

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eu amo você.

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anotações de filme (2)

após a cena da entrada de joão no apartamento de maria, j. se questiona sobre permanecer ali ou não. e sim, ele fica. eles falam sobre a janela da sala. é 1993.

para a visualidade:

- instalação de papel contact na janela branca da locação, criação de um "efeito descascado" nas laterais das folhas da janela;
- substituição do tapete *entra com o tapete de palha*;
- isolamento de 1m da porta da direita, a porta do quarto, e também remoção dos adesivos da sala;
- dressing da mesa de centro, dois maços de cigarro de m., seus cigarros da espera.

* um e dois e oito; do meu caderno de anotações/prancha de arte *
dir. e roteiro: ruan canniza
dir. de fotografia: ernesto kobayashi
dir. de arte e figurino: benedito ferreira
atores em cena: fábio menezes, daniela dams
2011, junho

sábado, 25 de junho de 2011

anotações de filme (1)

após a cena do mergulho com o menino-que-a-fizera-descobrir-a-cidade, j. senta no parapeito da piscina e preenche parte da tela, o lado direito, com o biquíni estampado de flores azuis e brancas. tem-se a impressão de que ele, o menino, surgirá até a parte direita da tela, ao seu encontro, como quem a surpreende com um jato d'água dentro da boca e esguicha afeto. não é impressão, ele faz. ela sorri. e o abraça.

para a visualidade:

- posicionamento de varal de chão (módulo para secagem de roupas de verão) no canto da esquerda com toalha amarela;
- recortes dos cobogós para aumento da profundidade de campo;
- piscina transbordando;
- isolamento de cerca de 2m do parapeito;
- j. com os cabelos molhados, acabara de sair de um mergulho.

* julie, agosto, setembro; do meu caderno de anotações/prancha de arte *
dir. e roteiro: jarleo barbosa
dir. de fotografia: emerson maia
dir. de arte e figurino: benedito ferreira
atores em cena: carolina provázio
2010, outubro

sexta-feira, 24 de junho de 2011

- é pra aumentar o valor do inventário.
- eles fazem isso sempre que alguém sai de casa?
- não, eles fizeram porque foi preciso.
- engraçado.
- é?
- bom, eu acho. e inclusive os encontrei próximos à casa dos pais.
- (...)
- eles estavam sentados no alpendre...
- ...duas redes amarelas... ainda?
- não, só uma.
explodiram o meu coração de felicidade. eu estou feliz.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

cinzas. por todos os ares. todos os vulcões.

em erupção. volta.

domingo, 5 de junho de 2011

porque quando a cortina abre e ali, naquele instante do ao vivo, os atores começam a se locomover, projetando suas vozes para o público, e as folhas começam a cair... todos os objetos, todos os figurinos, todas as nossas cores dançam para eles. é lindo. e tão intenso.

domingo, 29 de maio de 2011

está chovendo e a rua está congelada. uma pontinha de medo do mundo que aprisiona pássaros em gaiolas tingidas de branco. todas de arame. na outra parte do palco de teatro, uma mesa. coberta com a melhor toalha de mesa decorada com desenhos estofados de algodão da melhor cor. eles entram em cena. e fazem com que quinze minutos aconteçam devagar. polina, ai polina. apaga esse cigarro. a sanfona. o vestido marrom... pobre alegria de passarinho.

(ou)

minha estreia na cenografia teatral no próximo sábado.
esta é ela amando. e como o pranto de adélia, ama, mas já nem sabe o que.

terça-feira, 10 de maio de 2011

mais uma vez ela se sente expulsa de casa com dois pares de caixas. não coube a cortina da sala. meio cinza. meio lilás. não coube a samambaia. meio verde. meio seca.

terça-feira, 3 de maio de 2011

sorrindo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

um ano atrás. um ano e. eu estava em são paulo. como agora.
eu estava próximo à praça da república. uma aula com cyro del nero para que eu entendesse essa necessidade do teatro, essa vitalidade da arte ao vivo, da funcionalidade das coisas, das experiências cognitivas de luz e cor que os materiais provocam. estava chovendo e aquela era a terceira vez que eu me via em frente ao espaço cenográfico de j. c. serroni. decidi ali, naquele instante de chuva, dos carros com suas luzes coloridas, refletidas no asfalto, que eu precisava estudar cenografia teatral.
fechado. três vezes fechado. sem poder esboçar um grito para adentrar os múltiplos espaços.
mas há atores que te contam o que acontecem. era a vez de dar as mãos para abraçar mais um ciclo, pois eu já sabia que em mim, na minha vida, tudo é assim, devagar, devagar, acontece em escalas 1:25, acontece pequeno e gostoso.
a gente brinca, todos os dias, que este é um tempo de artesão. e, justamente por isso, por tais mãos de artesão, que este é um tempo de flavio império. e tudo, eu disse tu-do, acontece porque precisa.
eu sorrio para mim mesmo quando giro a cabeça e me confronto dividindo os meus pensamentos de aprendiz aos meus formadores. um tipo de geração do agora que tem um monte de distrações, que pertenceu a última turma de cenografia do cyro, que revê império e se emociona, que pede um café enquanto agora, eu disse a-go-ra, investiga o panorama histórico da cenografia teatral brasileira. agora, agora mesmo, estou dentro daquele lugar que estava fechado.
alguém que se surpreende por estar aqui. por fazer parte desta cenografia.
por dividir o vídeo imperial com um mestre.
e, segura as minhas lágrimas. segura porque eu preciso estar aqui.
e eu estou muito feliz. eu estou teatro.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ele acordou no instante em que o sentimento mais bonito, como o livro, sorriu um começo de. e também de.
e me ganha quando eu apresento o pedaço do meu filme favorito enquando corta um pedaço pequeno do meu cabelo
e então você assina o meu nome com sua caneta preta sem tinta tudo é saud
é para você o meu poema de número 300.
três centos. dois mil e onze três centos.
três filmes para você comigo.
três roupas de atores para você dividir comigo.
três é quase dois. passará depois de cada começo.

domingo, 3 de abril de 2011

x,

(...)
sabe quando a gente olha um balão numa festa de aniversário e pensa "eu sei que mais tarde essa será estourada"? é assim, eu sei quais serão estouradas. e não é pela cor, pelo volume, pela disposição em frente ou lateral ao bolo, à mesa do bolo. eu simplesmente sei. e sei também como/quando vou gostar das pessoas. e isso aconteceu ainda na escola, depois no ginásio e, finalmente, na faculdade. eu sempre tive sorte. sempre chorei quando tive sorte. e me orgulho bastante disso. me orgulho pela sensibilidade.
quando eu olhei, ainda na primeira semana, eu comecei a esboçar meus fragmentos de "será que fuma?", "será que já visitou tal país?", "será que acha que tudo, ou quase tudo, pode ser visual?", "será que tem as coisas concebidas e sabe dar brilho a elas?", "será que ele sabe desenhar castelos?". e então você confirma várias das minhas questões e me coloca questionando ainda mais.
(...)
eu espero que você volte logo para eu gostar ainda mais de você. eu espero por nossa amizade como quem espera um desenho de um pássaro ao lado de uma camiseta com desenho de coração.

uma viagem deliciosa para você. um espetáculo emocionante.
vou abrir as cortinas quando você voltar mais forte, mais lindo, mais querido e mais risonho.
eu gosto muito de você.

y.
a viagem dele revirará em mim num certo tipo de sentimento de solidão. de quem está sozinho mas sabe que ele retorna. dois meses. dois meses sem saber o que falar, sem ter o que dizer. conjugando o verbo esperar em todos os tempos, todos os modos. ao meu modo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

preparem os seus casacos. preparem os seus corações.

quarta-feira, 16 de março de 2011

julie, agosto, setembro

conceituar e estabelecer os parâmetros estéticos a que uma visualidade fílmica caminhará não é fácil. primeiro a gente lê o roteiro, depois a gente conversa com o diretor, com o fotógrafo. a gente esboça em desenhos, elabora uma curva cromática, os trajetos de coloração que o filme terá, a gente conversa muito com a gente mesmo, a gente busca na história da arte, no cotidiano, nas vivências, nos estudos... sempre há muitas opções, e todas elas, para que tudo fique afinado, sensível aos olhos. olhos são instrumentos importantes do cinema e também do projeto de direção de arte de um projeto audiovisual.
não há uma fórmula de ensino de cenografia. não que isso seja importante. as receitas podem cegar. e se a gente fala de olhos, a cegueira pode ser um inimigo, um fator que limita, que não deixa seguir adiante.
o importante é que tudo esteja sensível e que a equipe de direção de arte converse para depois estabelecer os diálogos com a fotografia e os demais departamentos.
na realização do julie, agosto, setembro que estreou esta semana em goiânia foi assim. embora dispuséssemos de pouco tempo para a concretização visual do roteiro, ou seja, para a etapa de gravação, sabíamos bem em que território estávamos pisando. o jarleo, diretor do filme, é aquele tipo de profissional que necessita de um tempo para a criação, que entende o personagem como quem dorme com ele todos os dias. mas sabe também se virar em pouco tempo, sabe o que quer, sabe pedir e também escutar. eu o conheci ainda na faculdade de audiovisual e ele acompanhou os meus primeiros estudos em direção de arte. sempre soube das minhas inquietações, de onde eu queria chegar. inclusive é dedicada a ele a minha pesquisa sobre o tema no trabalho de conclusão do curso.
no julie me deparei com um tempo mínimo para a produção dos figurinos do filme. tínhamos o vestido com motivos florais, figurino principal do filme, empréstimo de uma amiga figurinista de são paulo. o vestido estreou antes no julie do que no longa em que apareceu primeiro, conceituado enquanto imagem. os demais figurinos foram produzidos a partir de vivência, com as cores, com os amigos que, como a nossa mocinha, pertencem a esta goiânia, cidade quente e seca. o cenário da julie, minha casa. a casa que abrigou, inclusive, boas discussões sobre o segundo curta, o faltam duas quadras. e eric, o menino amor, o terceiro e quase infiel namorado, aquele que parte, nasceu de um sobrenome que o leo deu. um sobrenome de alguém, de alguém que aparece discretamente na página com as fotografias do rapaz. nós sabemos. e o nome, o eric, foi meu, quando o jarleo estava sentado na sala de casa finalizando o roteiro. a essa relação de parceira entre diretor/roteirista e diretor de arte e, mais importante aqui, de amigo para amigo, foi ficando cada vez mais claro como o filme seria.
gosto cada vez mais de assistir ao teaser e me deparar com uma situação surpresa, o instante em que julie e eric, posicionados em frente à câmera, ouvimos que em sua vida, na vida de julie, tudo mudou. inclusive o vestido. agora, o brinco único em formato de passarinho cor-de-rosa, e o vestido de alcinhas que revela um pouquinho mais do corpo da carol (um empréstimo belíssimo à romântica julie) salienta ainda mais esta goiânia quente.
me surpreendo com o jarleo a cada instante. estava com uma mala com mais de dez figurinos andando com emerson, diretor de fotografia, no centro de goiânia, quando ele resolve parar e assumir uma câmera que simula o olhar dela: sem foco, quase foco, focado. tudo tão rápido, tudo tão rápido, o olhar de alguém que sabe o que quer.

o julie é um presente para a direção de arte. um presente para figurino. um presente de amigo.
um presente de um amigo que eu gosto de receber em casa. em qualquer casa.

vida longa ao julie, vida longa à poesia. vida longa ao cinema que é produzido em goiás.

quarta-feira, 2 de março de 2011

e fez com que a presença dele estive assinada na lista que a secretária deixara ali. mas era mentira. ela até fez dupla com ele no exercício de história. abriu o livro e fingiu que ele estava ali. mas ele estava, oras. ela conseguia imaginar o que ele escreveria sobre a república. sobre toda aquela parafernália que a encardia.
eram os dois. e também todos os outros mortos do livro de história.
g.

a pessoa mais íntegra do mundo cujo sorriso se expande cada vez que cruza a avenida e desce a praça florida e colorida. precisa entender que a gente tem duas opções bem descritas na vida - aliás pouco se entende de escolhas - que são, todas as vezes que eu desço no metrô do brás, aquilo que a gente brincava de sobreviver e viver. perceba que pouco, um pedacinho de prefixo, é tão pouco mas é tão sigiloso: estou dizendo que a gente sempre sobreviveu. o nosso amor só sobreviveu. um artista que assim o faz é tão medíocre, mas tão... pode ser cruel o que eu direi, mas me parece de uma forma absoluta e sincera de convencimento. chega. viver. eu poderia repetir os sons dessa palavrinha toda. viver, gabriel. eu preciso viver mais. e isso significa que eu pedirei mais os meus dias. eu descerei de outras maneiras no brás, eu permitirei com que eu me perca. quando eu me vejo, daqui cinco anos, me imagino mais feliz. e você? com você. só você. vai. você sempre me pareceu tão passarinho, tão parecido com aquilo que eu queria dizer naquele dia em que me apareceu sozinho em casa com dois pedaços de bolo de café da feirinha de santo antônio. você lembra? você lembra tanto, lembra muito. inclusive dos meus deslizes de esquecimento, da minha maneira inconfundível de dizer te olhando através dos desenhos. eu fiz você anteontem. mas eu me esqueci, novamente, de onde aquela sardinha também inconfundível fica. tenho a impressão de que ela cresce todas as vezes que eu me esqueço e que, quando der os cinco anos, ela cobrirá todo o seu rosto e eu já não mais conseguirei te reproduzir nos papéis. te desenhar. como um livro bonito. como aquilo que eu imaginava.
eu sempre brincava que um dia, qualquer um desses, eu te mandaria uma mensagem naquele programa engraçado de rádio, apresentado por aquela voz de mulher, dizendo que não mais você estaria sozinho porque eu estava ali. eu não estou, gabriel. eu estou indo embora distante. e não, não é com você. é o meu recente e íntegro amor.
me perdoe a falsidade e a ausência total de respeito por escrever isso, mas ele tem um hábito tão bonito de querer. de querer me romever com tranquilidade de um túnel que é o esquecimento. ele me quer, e isso não é o bastante. ele escreve em um caderno confeccionado de tecidos, do brás, todas as minhas lembranças. até mesmo as nossas, quando eu peço. sim, eu tenho medo de esquecer você. e foi ele quem me lembrou de escrever esta carta. eu escrevo para que você me desenhe também.

amo você como se ama um passarinho morto. bonito, mas não é meu. é dele, como é mesmo o nome dele?

ele está me guiando no túnel e eu estou bem. sigo amando.
um beijo nosso,

carolina.
as proporções de desenho
do olho, da boca, da canção
prosperam à beira de uma semiótica
que a qualquer momento
ele disse
qualquer momento
podem atormentar o segue
vai, adiante, para que
olho, boca, canção
castiguem o final do poema

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sonho.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

a parede verde, o armário azul da cozinha, os nossos quadros na parede da sala, todas aquelas histórias

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

vê-la chorando ali, deitada, fez com que ele tivesse a certeza de que não era possível, de que ele precisava chorar também.
um abraço de herbert jonkers.

sobre caber, permanecer e o amor

de repente eu entendi que precisava contar uma história. foi de repente mesmo. eu já estava acostumado a contar as histórias de outras pessoas, outros amigos, sempre na posição de diretor de arte e figurinista. e então escrever o “eu já não caibo mais aqui” foi entender que ali, naquele momento, eu precisava contar o meu personagem. não eu, mas também eu.
todo o projeto possui uma referência direta com a obra do artista holandês ban jan ader, principalmente o i'm too sad to tell you, realizado em 1971. eu estudei a obra deste artista para o desenvolvimento da minha pesquisa de graduação em direção de arte, na etapa de elementos que implicam a necessidade de um projeto de direção de arte para filmes. (...) o mês de março foi bastante difícil para mim e eu sabia que se não me propusesse a realizar alguma atividade audiovisual, ou em artes plásticas, poderia adoecer, como todo bom aquariano. mas poderia adoecer de amor. mas poderia adoecer para amar. mas poderia realizar para o amor. decidir a terceira opção me pareceu a mais difícil das tarefas, pois costumo ser exigente nas minhas imagens, principalmente quando elas discursam sobre o amor. minha experiência em cenografia permitiu marcar o instante da sacralização da solidão, uma espécie de momento só seu, que também era meu.
e caíram como uma luva as músicas do álbum “qualquer” do magnífico arnaldo antunes, principalmente a diegese participativa de “acabou chorare”, “2 perdidos” e “da aurora até o luar”. juntei com observações que me ocorriam sempre que escutava o álbum “the flying club cup” da banda beirut, nas músicas “the penalty” e “cherbourg”. com as referências estéticas bem claras, conversei com alguns dos meus amigos e então eles toparam. meus amigos sempre estão por perto e isso me alegra. (...)
o crítico de cinema cid nader parece ter entendido muito do curta quando aponta que os elementos inanimados (bolas de sabão, os balões, cigarro, liquidificador, etc) cumprem com sua função de narradores. os objetos parecem invadir os espaços, a decisão tomada foi a de que os quadros estariam bem marcados por tais elementos. (...)
os ambientes mudam de coloração. os objetos foram escolhidos em um processo muito particular em que eu posicionei uma caixa no meio da sala do meu apartamento e fui preenchendo com delicadeza, seguindo as ordens de obviedade de um dressing-fino. coloquei, em todas as cenas, folhas de celofane em frente à lente para que a imagem não tivesse esse apelo realista.
eu já não caibo... sinaliza uma teoria que carrego mesmo depois de entender que a gente precisa estar aqui, todo tempo, que é a de que ideias são menores que os encontros. o amor nunca deve ser tratado como desculpa para as relações sociais, mas a gente nunca erra quando fala de amor. nunca. e eu amo o eu já não caibo mais aqui assim como amo a direção de arte. as ideias são importantes, mas elas acontecem e aí... ah, e aí elas vão. eu encontrei muitas pessoas com o curta e fui encontrado. por mim, por elas, por todos nós que não cabemos em lugar algum.

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* texto lido por rodrigo cássio na sessão de curtas convidados do cineclube cascavel. goiânia, terça, 15, fevereiro.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

esse é o meu convite para minha casa você vai surgir com os cabelos ainda mais escuros e pesados e com uma nova sarda no canto inferior do nariz eu vou titubear e me aproximar da janela da sala enquanto você abomina a parede vermelha da sala eu vou pedir silêncio para o trânsito talvez você vai sugerir uma música aquela eu vou dizer que aprendi a amar mais e que sempre estive errado dois ou cinco carros parados no semáforo da rua abaixo vão ouvir talvez você vai dizer que está tarde são 2h da manhã eu direi mas o horário de verão não mente vou me sentir melhor vou me despedir do amor e você vai sorrir para a geladeira com a foto da viagem em nossa casa deveria ser teríamos dois novos sofás para assistir à despedida daquele jogador de futebol como é mesmo o nome dele talvez você responda a outra pergunta mas não eu não ouvirei a música está alta o vizinho de baixo chamará o porteiro a gente sempre erra quando escolhe o volume 15 para os discos xx eu poderia se você desenhasse um cristal no ar e alterasse a cor da parede com o abajur comprado no bazar então você faz giro a mesa em direção à janela e seguro um suspiro chorar você deveria estar chorando mas seca eu senti você dia desses me dirá eu vou ouvir porque a música está mais baixa e pedir um repeat exaustivo para que nada nos impessa de diagnosticar você está mais bonito sabe eu queria tanto ter coragem para abrir a caixa amarela do pequeno príncipe e reler as suas impressões de mundo datadas nas cartas que chegarão muito cedo não é difícil estranhar tanta insegurança quando não se sabe quem está parado e porque está parado na faixa daquele sinal você sabe disso e nunca saberá toda hora vai, me diz então porque me chamou aqui e eu vou fingir um outro sorriso nosso deita lá no meu colchão para que eu te explique tudo mas é despedida em sobressalto ai você nunca entende vou abrir a gaveta do armário que não existe e pedir uma ajuda para a família de passarinhos no fio elétrico de alguma cidade aqui próxima consolação é quando você fica em silêncio e solta um talvez queria que você me abrace quando eu me deitar no colchão eu saberia te dizer mas não direi para não poder me parecer recuperado ou melhor o amor tem dessas coisas a gente se amaria só você até às 4h da manhã mas não quero acordar sozinho e subir a rua inteira enquanto penso onde fica a sua casa se está tudo bem o melhor de mim é me preocupar com os seus compromissos afinal você os pediu tanto tanto que eu sorri quando conseguiu mais um resultado positivo, você disse deitar na cama para terminar isso que não termina para sentir eu desfalecer nos seus braços e acabar chorando duad lágrimas uma para você e outra para ele, não, não, para mim e então você introduz em tom explicativo que ainda me ama eu nunca saberia se não me dissesse mas sempre foi silêncio barulho na rua mas você não pode ir adiante tem coisas que não serão vividas agora e sim está tarde ninguém diz adeus àquilo que nunca acaba principalmente às 6h da manhã mas vejo um pedaço do pescoço virar a porta do banheiro enquanto eu permaneço deitado exausto fecha a porta vem trancar a porta não dirá mas eu entenderei a preocupação comigo com as samambaias e silêncio com o prazer de se estar indo embora do meu convite de casa nova
a hora dos espaços da gente é também a hora de se organizar enquanto se é. pendura o primeiro quadro e a cortina da sala, recebe as flores, subverte as ordens, aglutina os ambientes... senta no chão da sala, olha pela janela. azul. grande surpresa. descreva, descreva, descreva. vai, vou narrar o mundo pra mim.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

em fevereiro não tem carnaval. e também pouco de mim aqui, por enquanto.

domingo, 30 de janeiro de 2011

já está na hora de voltar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

balõescoloridosestãomesobrevoandohoje.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

15 cenários

entenda 01: a natureza da imagem que a direção de arte estetiza contém a implicação fundamental antes de se organizar propriamente em imagem, a necessidade de que uma verdadeira representação ocorra organizada dentro de alguma ordem e em um espaço concreto.

listei os 15 filmes (15 sempre me pareceu um bom número para estas listas) que me influenciaram/influenciam e que apresentam um interessante projeto de direção de arte.

1. man in the moon (1902)
diretor de arte: george melies

referir-se à direção de arte como uma mera ilustração daquilo que o roteiro sinaliza é uma observação completamente infortuna, pois até mesmo o cinema dos primórdios (ou "comecinho de um cinema"), da década de 1910 e 1920, atentou-se ao fato de que o espaço, principal objeto de estudo do diretor de arte, auxilia a narração, prevendo o possível encaminhamento da discussão da direção de arte como elemento autônomo para o pensamento fílmico e não como refém do roteiro.

2. metropolis (1927)
diretores de arte: otto hunte, erich kettelhut, karl vollbrecht.

fritz lang, que também era pintor, desenvolveu uma opra-prima visual. o cenário faz um incrível intertexto com a torre de babel de bruegel através do uso das sombras e de uma espécie de "arquitetura de moda" com os figurinos que lady gaga, por exemplo, daria todos os dedos do pé para ter em seu armário. muito também já se disse sobre os espelhos utilizados dentro do cenário para multiplicar o efeitos de clima. é uma ópera.

3. the wizard of oz (1939)
diretores de arte: william a horning, elmer sheeley.

pela variação p&b e cores. pela transposição sincera no figurino e maquiagem. (me sentindo um júri aqui, perdão).

4. gone with the wind (1939)
diretor de arte: william cameron menzies.

o segundo do fleming. anote isso. após o filme, o magnífico menzies mudou a designação da função, que passa de art director para production designer. o que isso significa? uma certa autonomia de criação através da exigência de um profissional capaz de pensaro espaço e não apenas de executá-lo seguindo as ordens do roteiro. e, mais adiante, alguém responsável pelo departamento, elaborando as diretrizes de pensamento com a maquiagem, o produtor de arte, o produtor de objetos, etc. menzies lia os roteiros como ninguém. e recebeu um oscar honorário pelo excelente desempenho no uso de cores para a valorização do humor dramático na cenografia deste filme. as melhores cortinas ever.

5. sunset boulevard (1950)
diretor de arte: john meehan

a imagem arquitetônica delineia a natureza deste filme, a função das ações e a atmosfera das locações. da conjunção destes fatores se define a importância do papel da arquitetura no cinema que é muito mais que mera cenografia e deve saber transitar no imaginário fílmico para construir estruturas capazes de resgatar o espírito de uma época ou lançar o de outras. é o espaço arquitetônico que permite a ligação entre tempo, espaço e homem.

6. giant (1956)
diretor de arte: boris levin

direção de arte para uma diegese de três gerações. três gamas de cores, uma para cada geração. deixa qualquer semioticista louco com a quantidade de objetos escolhidos a dedo e que sempre, sempre pontuam o quadro. como uma pintura.

7.
*
vou cometer uma licença kubrickiana, porque pode. e porque ele é rei.
*

2001 - a space odyssey (1968)
diretores de arte: tony masters, ernest archer, harry lange

a clockwork orange (1971)
diretor de arte: john barry

barry lyndon (1975)
diretor de arte: ken adam

o félix murcia, um diretor de arte espanhol, escreve em um de seus livros* cuando se trata de reconstruir escenarios desconocidos [...] o nunca vistos por nadie em la realidad, la concepción de éstos se apoya en el desconocimiento, permitiendo establecerlos incluso como testimonio para la mayoría de los espectadores, por supuesto más indocumentados. en la escenografía cinematográfica actual este planteamiento requiere saber primeiro todo lo que se puede saber, hasta límites inospechados, acerca de lo que se pretende representar, para inventarse com libertad lo que no se puede saber, sin que se pueda rebatir.

o enquadramento em barry lyndon, assumindo a atividade da moldura na pintura, é fantástica. me emociono sempre. poesia visual.

8. star wars (1977)
diretor de arte: john barry

por que, né?

9. fanny and alexander (1982)
diretor de arte: ingmar bergman

tudo no lugar. direção de arte cuidadosa, sensível e ... alguém me explica aquele teatro de marionetes nas primeiras cenas do filme? adorável.

10. o beijo da mulher-aranha (1984)
diretor de arte: clovis bueno.

clovão e babenco. lembram do menzies lá atrás? o clovis foi o primeiro profissional dos cenários a ser creditado no brasil como diretor de arte. a direção de arte do clovão para o filme é madura e sensível às novas expectativas da função. elementos do universo gay para a composição dos ambientes das personagens e utilização das cores para marcar bem as diferenças dos dois protagonistas presidiários, um expresso pela condição homossexual e o outro pela mágoa e solidão. tem na c.a.r.a. vídeo em vhs. obrigação.

11. wings of desire (1987)
diretor de arte: heidi lüdi

a paisagem, uma das principais referências da direção de arte frente à geografia narrativa do filme, é alcançada pelo trabalho do establishing shot, plano que tem por função localizar o espaço da trama, logo no início do filme. wim wenders faz isso. voa por berlim. muita gente pergunta: mas o que o diretor de arte faz em uma externa? como alterar o espaço real de uma cidade? ele auxilia a posicionar a câmera com o diretor do filme e o fotógrafo. a bibioteca, o circo, os ambientes tristes de personagens que sentem uma alemanha manchada de uma guerra.

12. mujeres al borde de un ataque de nervios
direção de arte: felix murcia, emilio cañuelo

se este comentário tivesse uma trilha sonora, com certeza não seria a adriana calcanhotto cantando... "cores de almodóvar, cores...". mas hein, cenários pomposos, coloridos kitch. um excelente trabalho de set decoration. me dá vontade de ter todos os objetos do filme.

13. trois couleurs (1993-1994)
diretor de arte: claude lenoir
(no 'bleu': claude lenoir e halina dobrowolska)

qualquer coisa que eu disser vai denunciar o meu amor pela trilogia.

14. central do brasil (1998)
diretores de arte: cassio amarante e carla caffé

excelentes continuidades visuais entre os elementos cenográficos e o espaço urbano em crise: permanência de pontos estratégicos, geralmente na cor azul, no enquadramento, para que a imagem não seja refém de uma monocromia de sertão. muito especial a cenografia do apartamento de dora.

15. lavoura arcaica (2001)
diretor de arte: yurika yamasaki

de lavoura arcaica a o rei do gado, os trabalhos do luiz fernando carvalho em tv e cinema possuem um rigor cenográfico muito especial. uma bela fazenda de café. objetos desgastados. luz e sombra. algodões e rendas. selton melo ainda não cansado (desculpe, não resisti rsrs). @pedronovaes, eu também oro todos os dias e peço 1% do talento do luiz.

16. le fabuleux destin d'amélie poulain (2001)
diretor de arte: aline bonetto

dizer que não gosta da história: tudo bem. é aquele tipo de filme que tem fãs escrotos. mas dizer que não tem um trabalho excepcional de direção de arte é cometer um grande erro. vale a pena ter/locar o dvd do filme e conferir os depoimentos sobre os cenários e, é claro, pausar cena por cena e observar o detalhismo dos objetos de cena.


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* la escenografía en el cine, el arte de la apariencia (2002).
** incluí o almodóvar depois. é que 15 é mais plástico. mas 16 também me parece bom.

sábado, 22 de janeiro de 2011

depois da acordar do meu segundo dia sonhando com você em situações perigo, na verdade em que eu me sentia ameaçado, pensei: como eu tenho preguiça de você. como eu quero você distante, bem longe, de mim.
em minha pele nenhum toque. em meus sonhos você não reverbera nem a atmosfera.

sábado, 15 de janeiro de 2011

emolduraram todos os amores para que não fugissem.

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011 pra gente imaginar.