segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

muitos dois mil e dez para mim

a minha mãe escondia as tesouras de mim. mas se acharem que a sorte é assim, de quem esconde algo do filho, é algo basicamente certeiro, estarão assinalando o erro número um da lista de ser adulto, afinal eu sempre achei, quando criança que ser adulto também poderia ser uma atitude de irresponsabilidade, consigo mesmo e também com o mundo.
ela escondia porque eu gostava de recortar muitos papéis das revistas e espalhar tudo, eu disse t-u-d-o, pelo quarto que ficava ao lado do meu. eu ainda não entendia de desprodução, era isso. tesouras rasgam o peito.
digo que dois mil e dez, em sua extrema velocidade, rasgou o meu peito para que todas as luzes e parafernálias de uma goiânia dez vezes maior que é são paulo, pudesse enfim se concretizar dentro de mim em habitual e rica necessidade. sempre fui acostumado ao carinho: do meu pai, que com sua sensibilidade implaca todas as explicações, da minha mãe, e seus rituais de proteção e dedicação artística, dos meus avós, seus ricos figurinos, suas tecelagens e também por nossas distâncias de mais de quarenta anos.
são paulo sorri. suspende dois pedaços de madeira e então eu voo. e uma confiança maior do mundo. e eu quieto para mais tarde abandonar o meu guarda-chuva. molhar faz bem. falar de amor também, a gente nunca erra quando fala de amor. nunca.
o que se concretizou em uma segunda-feira fica. o meu encontro com monica palazzo, sua gentil capacidade de entendimento de distância, de alguém que vem; a alegria de renata rugai banhando sua sala colorida com azulejos de papéis; o contato gracioso de rafael blas à tarde, os caminhos de andarilhos em caminhões-baú cheio de objetos de tantos cantos; as cores confidenciais cenografadas por vera hamburguer, suas experimentações, que me alegram no metrô-volta-para-casa, e também me fazem pensar no desenho, na mistura e nas formas.
e as bruxarias coloridas de patrícia cabral, e o afeto às duas horas da tarde de qualquer dia de novembro de ingrid furtado, e o pássaro bonito cyro del nero, e as histórias de filmes, e estar perdido no centro da cidade, e rir, e subir lá no alto, e colecionar objetos, e ipês coloridos, e telefonemas, e reconhecimentos...

há milicias inteiras entendendo que a gente um dia volta. para dentro de si, para outro espaço, outra cenografia. muitos dois mil e dez para mim.

sábado, 25 de dezembro de 2010

gostoso lembrar este ano.
ele acompanhou todas as fotografias do álbum de lucas. tinha a alma de arquiteto.
engraçado como ele brincava de prever futuro justamente no fim do ano. e prever futuro é inventá-lo. mas não adiantava.
ele quer logo dizer, mostra mais, lucas, acompanha essa cidade

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

faltam duas quadras para começarmos, muito pouquinho.