sábado, 25 de setembro de 2010

próprio ao redor.
e sorrimos também.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

muito cuidado com aquilo que se lê. sensível que é, todo dia é dia de chuva.

bonita imagem (1)

todos os dias ele sentava na mesa que ficava próxima à porta da frente da loja de sapatos femininos. todos os dias ele sorria para o trabalho. e fez com que resolveu se esquecer por apenas não lembrar. ele gostava de repetir o nome domingos de moraes domingos de moraes até que os s perdessem o fôlego. como quem observa, notou uma carteira de identidade deixada, afixada com um pedaço de cartolina no vidro da porta número 3. era de uma moça com um olhar meio assustado, aquele tipo de menina que a mãe fez no começo da primavera chuvosa do outro canto da cidade. a moça esqueceu o documento. e não foi buscar. teria ela esquecido de verdade? ela passava por ali todos os dias? ele nunca soube. de si. tampouco dela. mas se apaixonou pelo retrato despenteado de sorriso cortado.
então o vento bateu e a prateleira de sapatos pontiagudos despencou.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"só eu sei
nos mares por onde andei
devagar
dedicou-se mais
o acaso a se esconder"

terça-feira, 21 de setembro de 2010

recordou de quando iniciou sua pesquisa sobre a direção de arte no cinema brasileiro dos anos 1990 com ênfase no filme central do brasil. ele não conseguia dormir. ele sorria quando sua mãe propunha uma discussão sobre o filme. seus olhos brilhavam sempre que começava a contar os motivos que desencadearam tais escolhas. ele gostava de encontrar seu orientador nas sextas. ontem ele reviu o filme e se emocionou com um pouquinho de saudade. deu vontade de escrever na parede da sala "josué, faz muito tempo que eu não mando uma carta para alguém". e abraçar a dora. e oferecer um outro abraço ao josué. e enviar uma carta ao orientador. um email. a gente nunca erra quando escreve amor com gratidão.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

chegou em casa. tudo muito escuro. não pode com o escuro. aumentou o volume. não. repetidas vezes, a música. sorriu no escuro. ninguém viu. não perguntaram. um telefonema. não atendeu. deitou-se no chão da sala. frio. não. pode ser isso ou. não pode. fim da música.
você é igual a todos os outros garotos, garoto.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ele vai buscar alguém. vai terminar os desenhos da nova casa e do novo escritório. ele vai encontrar os meus amigos. eu vou fotografar cada manhã sem ele.
deixa assim. não é saudade, é só aquela mania de cuidado. não posso. por apenas não poder.
teresa sempre precisou de tão pouco, como quando ele gargalhava de seu êxito no trabalho, das histórias que nem o amor é capaz de dar. ela nunca soube. mas, se for assim, quem vai saber? por favor, se reencontrá-lo, teresa, cruzando a avenida próxima à praça desvie o olhar, não o procure, pois ele não te conhece mais.
vemos pedaços de mundo todas as vezes em que ele recorta o chão

sábado, 11 de setembro de 2010

ele abriu a carta


olha, eu nunca desejei voltar. eu não sei onde fica a rodoviária e os meus mapas ficaram guardados dentro do armário da cozinha uma vez que você decidiu embaralhar todos os objetos do apartamento para que eu me propusesse a resgatá-los cada vez que você chegasse tarde. sempre chegou. eu não queria dizer assim, mas é. uma vez, quando estávamos adormecidos, você murmurou um outro nome, que mais parecia um bandeira qualquer, e eu sorri. algum tempo depois você confirmou com a cabeça estendida na porta do banheiro cor-de-rosa que se tratava de um novo amor. olha, eu sei que estamos na fronteira-fácil do se apaixonar pelos novos sinais, afinal temos muita gente encantadora nesse mundo tão grande. mas não deveria ser assim, pelo menos para quem ainda procura o despertador pelos cantos da casa


e não terminou, por ela

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

outro dia eu notei o olhar entristecido enquanto ele descia a escada do prédio. quero dizer, na verdade, não era bem uma escada, era um degrau pequeno, mas que com todos aqueles pressentimentos, poderia ser qualquer coisa sem fim.
quando a gente acorda eu tenho vontade de dizer "meu". e a sensação de que o tempo jamais diria adeus. e o desconforto de não saber quando ir embora.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ele não entenderá nunca.

sábado, 4 de setembro de 2010

e então, aquele dia, eu finalmente entendi que não. estar para o não me parece estar sensível. não dá mais medo. não dá mais insegurança.