terça-feira, 6 de julho de 2010

recebeu a mensagem de novo começo de mês e sentou-se no sofá para que o vento da janela pousasse em sua frente. atirou a xícara de café na mesa ao lado e conclui que teria mais dois dias para terminar todo aquele projeto imenso. conservou em detenção os papéis de carta. sentiu vontade de comprar uma estante de madeira para colocar os livros. pediu o número de telefone do amigo e colocou a nota de dois reais na caixinha de economias. as fotografias do bairro não poderiam ser ele porque não entravam no computador. desejou muito, muito forte, que ele ligasse na manhã seguinte com o telefone pedido, mas não ligaria. pensou então em telefonar. mais tarde ele tomaria um banho e então tudo o que estava sujo o ralo do banheiro engoliria. não tinha forças suficientes para cruzar as asas e sair voando, por isso optaria pelo metrô. não tinha como não olhar para ele. tão quieto, tão ele, tão só. era mês novo, era mês de novas revistas, novas publicações em cores novas e bem impressas. era ele com o caderno de oitenta páginas no sofá da dianteira, era ele com os pensamentos ilesos. mais tarde reclamaria do frio e pediria um chocolate. logo mais estaria dentro da estação, trauteando duas ou mais canções de começo. chegaria, encostando o guarda-chuvas no armário e depois colocaria disposto ao sol seus cabelos e pele calmos para contar, fio por fio, poro por poro a conclusão de mais um semestre.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

um desenho bonito para uma história de amor.
às vezes a gente não precisa de nenhuma surpresa, como uma mãe que descobre que seu filho jovem morreu, como um homem que descobre que a plantação secou, como uma mulher descobre que o filho nasceu morto.
todos eles poderiam ser um sorriso mais tarde, mas não são. todos eles poderiam estar acompanhados, mas não estão.