sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

gente é uma coisa esquisita e não é convencional. tampouco contente. gente é gente em tamanho.
ele, que é quem precisa de todo o cuidado, de verdade, não entende que escrever um livro é muito mais difícil do que dizer o que se sente.
mas, ainda para ele, ao seu redor, há sons que escutam o barulho das teclas, do computador e do piano.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

no ano seis, neste mesmo dia, eu estava com os meus pais. no ano sete, neste mesmo dia, eu estava com um pote de sorvete e com os meus amigos. no ano oito, neste mesmo dia, eu estava num cantinho particular, assoviando. no ano nove, neste mesmo dia, eu estava com um monte de borboletinhas ao meu redor, esperando. no ano dez, que é hoje, eu espero ficar mais tarde para dizer aos meus amigos sobre a importância de tê-los para mim, ao meu lado, com cento e cinquenta balões coloridos, bem dizendo que "vou até onde eu conseguir ir".
até porque todos eles sabem continuar a música, sabem me entender da maneira mais carinhosa e amável: "e ao amanhã, a gente sorri". que pode ser hoje, neste mesmo dia.
conto vinte um, mas que pode ser vinte e dois, vinte e oito, trinta e sete ou quarenta e quatro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

te entrego a minha paisagem bonita
para que não percas na tempestade

domingo, 10 de janeiro de 2010

em cada rua eu te deixo por não saber quem realmente você é
e se eu não sei quem você é, eu também não sei quem sou eu
porque em todo eu há um tanto mais de você
em cada amor eu abandono um pouco mais de mim
para que todos os amores tomem o melhor que há de mim
e então eu me desencontro e te entrego

sábado, 9 de janeiro de 2010

são paulo pode me engolir sem mastigar trinta e tantas vezes como toda tia gorda, daquelas que oferecem presentes bobocas, alerta.
recorreu ao banco de imagens, o editor perguntou qual seria mais usual. eram tantas imagens, aquelas da cena do casamento, com um bolo cheio de glacê e dois bonequinhos lá no topo, que sorriu. poderia atribuir um novo ritmo ou então forjar uma moralidade, um empreendimento ou, como ele devia, entregar tudo na quarta, com a cena do assassinato da viúva, com todas as correções de cor, variações em azul e verde.
abre a porta de casa para reconhecer e despedir

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

a gente abre a caixa de email e começa a chorar quando ele manda um poema de amor.
deixei alguns fogos de artifício, para não dizer do meu colo quieto ou do coração aflito em buscar você naquela temporada de chuva e vento forte. uma temível alegria às quatro horas da manhã de sexta para que nada fique morto.
como tal desencontro semelhante ao abano de um leque: eis um possível retrocesso do tempo, sua insistência que pousa na minha memória. propuseram a ausência que ocupa todos os portos, o seu nome calado que corroe todas as baías maltratadas pelo barulho do automóvel maior.
(cheio de intenções, quando são descansos, e a terrível tempestade anunciando o dia-a-dia e o perigo do primeiro amor)
acontece a partida do herói, o mormaço para eu colorir a bandeira. e você dividido em adiar-se novamente; eu gritando "não amo" em plena avenida paulista para toda estação do ano.
você me tem nas mãos
por saber que eu sorrio e te digo quero
e comparo com todo seu legado
corro de coisa mais insegura
por saber que você me tem nas mãos
e te digo "vem terminar o que você não acabou"
rodando e rolando pelo colchão
me insinuando com o cabelo molhado

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

me contou uma mentira inútil por saber que eu entendia toda aquela verdade.
luísa estava deitada naquela grande cama enquanto ele a esperava na porta do banheiro, sorrindo ao lado da porta azul. o rapaz aproximou-se da cama e permaneceu ali até as 3h da manhã do outro dia.