segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

muitos dois mil e dez para mim

a minha mãe escondia as tesouras de mim. mas se acharem que a sorte é assim, de quem esconde algo do filho, é algo basicamente certeiro, estarão assinalando o erro número um da lista de ser adulto, afinal eu sempre achei, quando criança que ser adulto também poderia ser uma atitude de irresponsabilidade, consigo mesmo e também com o mundo.
ela escondia porque eu gostava de recortar muitos papéis das revistas e espalhar tudo, eu disse t-u-d-o, pelo quarto que ficava ao lado do meu. eu ainda não entendia de desprodução, era isso. tesouras rasgam o peito.
digo que dois mil e dez, em sua extrema velocidade, rasgou o meu peito para que todas as luzes e parafernálias de uma goiânia dez vezes maior que é são paulo, pudesse enfim se concretizar dentro de mim em habitual e rica necessidade. sempre fui acostumado ao carinho: do meu pai, que com sua sensibilidade implaca todas as explicações, da minha mãe, e seus rituais de proteção e dedicação artística, dos meus avós, seus ricos figurinos, suas tecelagens e também por nossas distâncias de mais de quarenta anos.
são paulo sorri. suspende dois pedaços de madeira e então eu voo. e uma confiança maior do mundo. e eu quieto para mais tarde abandonar o meu guarda-chuva. molhar faz bem. falar de amor também, a gente nunca erra quando fala de amor. nunca.
o que se concretizou em uma segunda-feira fica. o meu encontro com monica palazzo, sua gentil capacidade de entendimento de distância, de alguém que vem; a alegria de renata rugai banhando sua sala colorida com azulejos de papéis; o contato gracioso de rafael blas à tarde, os caminhos de andarilhos em caminhões-baú cheio de objetos de tantos cantos; as cores confidenciais cenografadas por vera hamburguer, suas experimentações, que me alegram no metrô-volta-para-casa, e também me fazem pensar no desenho, na mistura e nas formas.
e as bruxarias coloridas de patrícia cabral, e o afeto às duas horas da tarde de qualquer dia de novembro de ingrid furtado, e o pássaro bonito cyro del nero, e as histórias de filmes, e estar perdido no centro da cidade, e rir, e subir lá no alto, e colecionar objetos, e ipês coloridos, e telefonemas, e reconhecimentos...

há milicias inteiras entendendo que a gente um dia volta. para dentro de si, para outro espaço, outra cenografia. muitos dois mil e dez para mim.

sábado, 25 de dezembro de 2010

gostoso lembrar este ano.
ele acompanhou todas as fotografias do álbum de lucas. tinha a alma de arquiteto.
engraçado como ele brincava de prever futuro justamente no fim do ano. e prever futuro é inventá-lo. mas não adiantava.
ele quer logo dizer, mostra mais, lucas, acompanha essa cidade

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

faltam duas quadras para começarmos, muito pouquinho.

sábado, 13 de novembro de 2010

ele terminou a organização da casa e encontrou um pequeno bilhete detrás do sofá.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

bonita imagem (2) ou julie, agosto, setembro

então julie se apressou até a borda da piscina enquanto erick mergulhava em sua direção para que o calor pudesse ser amenizado.
postcards from xxx

sábado, 16 de outubro de 2010

julie. quantas julies temos em tão pouco tempo?

sábado, 25 de setembro de 2010

próprio ao redor.
e sorrimos também.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

muito cuidado com aquilo que se lê. sensível que é, todo dia é dia de chuva.

bonita imagem (1)

todos os dias ele sentava na mesa que ficava próxima à porta da frente da loja de sapatos femininos. todos os dias ele sorria para o trabalho. e fez com que resolveu se esquecer por apenas não lembrar. ele gostava de repetir o nome domingos de moraes domingos de moraes até que os s perdessem o fôlego. como quem observa, notou uma carteira de identidade deixada, afixada com um pedaço de cartolina no vidro da porta número 3. era de uma moça com um olhar meio assustado, aquele tipo de menina que a mãe fez no começo da primavera chuvosa do outro canto da cidade. a moça esqueceu o documento. e não foi buscar. teria ela esquecido de verdade? ela passava por ali todos os dias? ele nunca soube. de si. tampouco dela. mas se apaixonou pelo retrato despenteado de sorriso cortado.
então o vento bateu e a prateleira de sapatos pontiagudos despencou.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"só eu sei
nos mares por onde andei
devagar
dedicou-se mais
o acaso a se esconder"

terça-feira, 21 de setembro de 2010

recordou de quando iniciou sua pesquisa sobre a direção de arte no cinema brasileiro dos anos 1990 com ênfase no filme central do brasil. ele não conseguia dormir. ele sorria quando sua mãe propunha uma discussão sobre o filme. seus olhos brilhavam sempre que começava a contar os motivos que desencadearam tais escolhas. ele gostava de encontrar seu orientador nas sextas. ontem ele reviu o filme e se emocionou com um pouquinho de saudade. deu vontade de escrever na parede da sala "josué, faz muito tempo que eu não mando uma carta para alguém". e abraçar a dora. e oferecer um outro abraço ao josué. e enviar uma carta ao orientador. um email. a gente nunca erra quando escreve amor com gratidão.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

chegou em casa. tudo muito escuro. não pode com o escuro. aumentou o volume. não. repetidas vezes, a música. sorriu no escuro. ninguém viu. não perguntaram. um telefonema. não atendeu. deitou-se no chão da sala. frio. não. pode ser isso ou. não pode. fim da música.
você é igual a todos os outros garotos, garoto.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ele vai buscar alguém. vai terminar os desenhos da nova casa e do novo escritório. ele vai encontrar os meus amigos. eu vou fotografar cada manhã sem ele.
deixa assim. não é saudade, é só aquela mania de cuidado. não posso. por apenas não poder.
teresa sempre precisou de tão pouco, como quando ele gargalhava de seu êxito no trabalho, das histórias que nem o amor é capaz de dar. ela nunca soube. mas, se for assim, quem vai saber? por favor, se reencontrá-lo, teresa, cruzando a avenida próxima à praça desvie o olhar, não o procure, pois ele não te conhece mais.
vemos pedaços de mundo todas as vezes em que ele recorta o chão

sábado, 11 de setembro de 2010

ele abriu a carta


olha, eu nunca desejei voltar. eu não sei onde fica a rodoviária e os meus mapas ficaram guardados dentro do armário da cozinha uma vez que você decidiu embaralhar todos os objetos do apartamento para que eu me propusesse a resgatá-los cada vez que você chegasse tarde. sempre chegou. eu não queria dizer assim, mas é. uma vez, quando estávamos adormecidos, você murmurou um outro nome, que mais parecia um bandeira qualquer, e eu sorri. algum tempo depois você confirmou com a cabeça estendida na porta do banheiro cor-de-rosa que se tratava de um novo amor. olha, eu sei que estamos na fronteira-fácil do se apaixonar pelos novos sinais, afinal temos muita gente encantadora nesse mundo tão grande. mas não deveria ser assim, pelo menos para quem ainda procura o despertador pelos cantos da casa


e não terminou, por ela

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

outro dia eu notei o olhar entristecido enquanto ele descia a escada do prédio. quero dizer, na verdade, não era bem uma escada, era um degrau pequeno, mas que com todos aqueles pressentimentos, poderia ser qualquer coisa sem fim.
quando a gente acorda eu tenho vontade de dizer "meu". e a sensação de que o tempo jamais diria adeus. e o desconforto de não saber quando ir embora.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ele não entenderá nunca.

sábado, 4 de setembro de 2010

e então, aquele dia, eu finalmente entendi que não. estar para o não me parece estar sensível. não dá mais medo. não dá mais insegurança.

domingo, 8 de agosto de 2010

guardei o sono dele a noite inteira.
alguém deveria cuidar dele, ele precisa repousar para acordar 365 dias depois do sono.
e aconteceu como ele desejou, foi do jeito que pensou, mas só pensou mesmo depois que aconteceu e pensou

terça-feira, 6 de julho de 2010

recebeu a mensagem de novo começo de mês e sentou-se no sofá para que o vento da janela pousasse em sua frente. atirou a xícara de café na mesa ao lado e conclui que teria mais dois dias para terminar todo aquele projeto imenso. conservou em detenção os papéis de carta. sentiu vontade de comprar uma estante de madeira para colocar os livros. pediu o número de telefone do amigo e colocou a nota de dois reais na caixinha de economias. as fotografias do bairro não poderiam ser ele porque não entravam no computador. desejou muito, muito forte, que ele ligasse na manhã seguinte com o telefone pedido, mas não ligaria. pensou então em telefonar. mais tarde ele tomaria um banho e então tudo o que estava sujo o ralo do banheiro engoliria. não tinha forças suficientes para cruzar as asas e sair voando, por isso optaria pelo metrô. não tinha como não olhar para ele. tão quieto, tão ele, tão só. era mês novo, era mês de novas revistas, novas publicações em cores novas e bem impressas. era ele com o caderno de oitenta páginas no sofá da dianteira, era ele com os pensamentos ilesos. mais tarde reclamaria do frio e pediria um chocolate. logo mais estaria dentro da estação, trauteando duas ou mais canções de começo. chegaria, encostando o guarda-chuvas no armário e depois colocaria disposto ao sol seus cabelos e pele calmos para contar, fio por fio, poro por poro a conclusão de mais um semestre.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

um desenho bonito para uma história de amor.
às vezes a gente não precisa de nenhuma surpresa, como uma mãe que descobre que seu filho jovem morreu, como um homem que descobre que a plantação secou, como uma mulher descobre que o filho nasceu morto.
todos eles poderiam ser um sorriso mais tarde, mas não são. todos eles poderiam estar acompanhados, mas não estão.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

minha página social calada aqui. era o seu sorriso que deveria estar aqui. era você quem eu mais precisava para me lembrar que eu posso seguir.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

não cabe ao coração o meu amor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

"tentei fazer com que você entendesse". e respondeu "não, você só tentou me confundir". então, mais uma vez, eles não se entenderam.

domingo, 20 de junho de 2010

encantou-se com o tamanho do espaço e só depois percebeu que estava encolhendo...
logo mais eu vou chegar em casa com um olhar de espanto para a nova cor da frente de casa. eu vou pedir para tirar uma foto do amarelo clarinho e vão me responder em ar de surpresa que é a sua cor favorita a mesa da cozinha para começaremos a esculpir toda a ausência em dois ou três cortes o meu pai me olhará com seus olhos iguais aos meus cheio de atenção e perguntar se chovia muito lá vou responder com atenção vou dar meus abraços a todos e receber alguns presentes eu sei a minha mãe vai teorizar sobre a solidão racionalizará as minhas decisões e eu e meu pai estaremos do lado de fora da casa rindo do jeito como ela se move enquanto fala eu vou pedir pizza no lugar da janta de queijo com boas fatias de tomate acrescentaremos palmito quando estiver mais noite lá no fundo da rua do outro canto da cidade a vovó telefonará pedindo abraço e vou vôo vou com uma camiseta verde porque verde fica bem na cozinha me servirá biscoitos afinal eu estarei muito magrinho a gente vai falar sobre o vovô vou perguntar como ele fazia quando ficava sem graça vamos nos deliciar com as fotografias antigas que comprei pedir uma cerveja para mim e para a minha mãe o meu quarto os livros que ficaram a passagem para goiânia domesticar o olhar quando entrar na casa estarei emocionado com o cantinho que dá acesso à lavanderia os azulejos a estante com o troféu e os livros ele me pedindo para contar as novidades eles me pedindo para contar as novidades mas já sabem estão sabendo agora vou dizer baixinho com os olhos molhados que estou feliz e que me faltaram duas ou três coisas para fazer que deixei algumas coisas que entreguei os meus projetos que morri de amores que pensei os espaços a gente vai se abraçar e pedir colo eu vou chorar e rir depois mostrarei o meu mais bonito

quinta-feira, 17 de junho de 2010

fica transbordando felicidade em mim e agora, depois de tantas despedidas, eu queria dizer "venha aqui agora, pois eu preciso muito de você". mas não vem. não vem a voz. não vem.
há fases em que as pessoas questionam coisas que deveriam ter questionado antes. três, cinco, oito anos.
mas por não se pronunciar, por não saber como se entregar eu talvez não tenha tempo, eu posso ir embora e já não mais querer saber

sábado, 5 de junho de 2010

descobrir enquanto se é descoberto

segunda-feira, 24 de maio de 2010

eu sei que você vai. tá frio. sozinho também pode ser bonito, mas dá um aperto. e dá também claustrofobia no coração amarelo.

domingo, 23 de maio de 2010

dói quando os personagens não podem ser como a gente quer. protejo. mesmo aqueles que não podem ser protegidos ou os que não pedem por proteção. me dão um repertório muito violento para a vida. a gente tem que cuidar pra não ser mediado por um dialoguista todo tempo, a cada instante.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

quando o mundo se separou naquele começo de tarde, romperam-se duas pequenas avenidas em duas máculas escuras. as esquinas acompanhavam o ritmo da chuva e em frente à padaria ela se agarrava ao guarda-chuva. a água lisa rompera com o pequeno fecho do sapato e ela gostava. sentia-se mais absorvida pelo chão. várias lembranças a acompanhavam, noção segura de que partir seria uma espécie de válvula de escape ou, apostando em felicidade, uma esperança banal.
avistou o carro surgindo na outra esquina e se esquivou da poça. lembrou-se de ouvir dele um eu queria você de volta para cuidar de você. mas mentiu quando disse que viria em novembro, se beliscou.
comprou seu bilhete para o metrô. rememorava como ele pedia o bilhete, como dizia obrigado. e como foi capaz de não entender a gravidade dos problemas. era domingo. e ela queria que ele repousasse o seu amor nela. era capaz de desejar. chegou. subiu até o alto do prédio, ali era o lugar onde se conheceram. ele disse, em algum lugar do mundo, que a amava. ela respondeu, com os barulhos dos carros, que não acredita em amor com dúvidas.
voltou novamente. quando longe, sem poder gritar, percebeu que ele recuou por não entender. tudo, inclusive o amor.

terça-feira, 18 de maio de 2010

aconteceu com ela o mesmo que aconteceu comigo.

domingo, 16 de maio de 2010

não sei lidar com a saudade de quem eu nunca vi.

terça-feira, 11 de maio de 2010

não escrever aqui significa que estou me deliciando com o passar desses últimos dias. estou morrendo. de amor.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

estas circunstâncias me ajudam a entender o pouco do que resta para a margem do fim. uma guerra ou epidemia resolveria parte de todas as verdades. mas como não opto, por hora, quase nunca, pelos finais trágicos, careço de desenvolver um tipo de verdade gentil. o que as pessoas tem dificuldade de entender é que finais são compatíveis com as perdas, mas não o contrário. tudo tão disponível e, com o começo da guerra, tão absoluto, tão definitivo e muito nostálgico.

domingo, 18 de abril de 2010

parece cuba. parece o fim da revolução. parece o começo de outra. parece a gente. parece um arcanjo dividido em quatro pedaços similares para que apareça melhor na estante encomendada, bem desenhada, parte uma.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

reagiu com um olhar encantador, apesar de incompreendido e também pelas constantes catástrofes que pairavam sobre o encontro. quando suas lágrimas delicadas encaparam o céu com pouco mais de meia dúzia de esquecimento, tornou a repetir duas palavras de amor para que, não por talento, pudesse impressionar e ouvir o que queria. não esperou um semelhante ah, se eu pudesse voltar esfregava as mãos no material liso e bem limpo que cobria a mesa e apenas abaixou a cabeça para que atestasse um tipo de sentimento futuro e precaver o mundo daquilo que todos já advertiam. questão de não passar despercebido ou, por talento, trocar arte por ensinamento repercutir o gesto a favor da palavra revólver de imposição, mártir em seqüência de responsabilidade ou alcance de si mesmo e conclusão bonita para as próximas manhãs

domingo, 11 de abril de 2010

brilho. ventilador. bagunça o cabelo. barulho do fone de ouvido. descer a escada. não passar atrás. sorrir para eles. encontrar o melhor cantinho. esperar. ibirapuera. dividir o jantar. sorrir para mim. boa noite. sem sono para amanhã.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

os teus sonhos me interessam
mas não vou partir com você
pois preciso do meu porto
que é como você precisa de tempo

segunda-feira, 5 de abril de 2010

me vem como uma nova
mudança
acorda bem cedo
com o cheirinho de chuva
e aperta as minhas mãos
com pouca força
me repousa
com carinho
e reverbera nosso destino

quarta-feira, 24 de março de 2010

a simples apresentação do menino, que elogia todo tipo de olhar, é só uma escolha poética para mostrar como a cidade sem céu enviesa seu tipo de narrativa de amor.

domingo, 21 de março de 2010

amanhã cedo o leo chega aqui em casa. agorinha a larissa aparece. a lidi já foi e o vado está aqui na sala.

e eu nunca me senti tão... tão...
vou. e eles estão em suas casas cheios de lágrimas. amor, cuide deles e de mim.

domingo, 14 de março de 2010

quando a minha mãe olha para mim com um sorriso gigantesco eu fico sem graça. a gente promete as coisas um para o outro, mas sabemos que no final das contas o meu pai é quem empurra o barco para o mar. ela entende o amor que carrego dentro de mim e não se deixa enganar pelas perguntas que poderiam, sim, ser constantes. fica lendo com os olhos moles de insegurança o espaço concreto por onde eu irei transitar; ri de como eu sou atrapalhado com o tempo e sobre como eu queria anulá-lo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

"deus sabe o que eu quis foi me proteger"
da chefe para o funcionário:

dois meses para entregar a explicação do outro dia ou então sugerir que ninguém estará ali, pois não há direção segura para um pequeno moço estacionado no cantinho qualquer da avenida.
durante o amor eu esperava por são paulo como medida de sentir-se mais próximo. e curiosamente atentei-me à placa logo no centro, perto da rua, com o seu nome. "e logo menos você estará aqui" me veio. e eu voei até o edifício mais alto só para poder cruzar as duas avenidas e constatar aquilo que eu mais temia. "poder não ser" talvez não importe agora. é chegada a minha hora de partir, de moer as incertezas e recebê-lo em casa, pela manhã. e escorrego do andar 12 para me ver inocente com o novo corte de cabelo e cheio de novas responsabilidades. vou marcar um abraço inconstante em breve, vou delimitar o meu acampamento como maneira de preservar o meu amor e, além disso, retirar os pés do chão enquanto ele entoa a canção número cinco que compartilha com outro pouso, afinal ouvir a sua voz nunca me pareceu tão importante, mesmo quando as buzinas e rodas de automóveis são constantes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

não me solta mais.

terça-feira, 2 de março de 2010

quando eu volto para casa o meu sonhar fica mais límpido. eu me senti mal, durante aqueles dias, por não entender como alguém pode ser ruim ou então como podem esperar de mim aquilo que eu não posso dar.
ai, felicidade. ai, voltar para casa. ai, meus amigos. ai, telefone.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

pintei a parede da sala de verde e desbotei todas as janelas e portas, azul-fino. voltei, ainda de madrugada, e desenhei todos nós juntos na sacada ladeado por flores e restinhos de tinta e cimento.
preciso me lembrar sempre (ou então ele me avisa) que todo fim tem um começo de dor. e nada, nada mesmo, parece ser próximo do fim.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

rasgue toda a conclusão que surgir a cada final de capítulo de um livro bonito ou feio rrrrrasgue ttttoda a minhhhha conclussssão que sugerirrrrr por retrocessso
rretire a página que perrrsistir no idioma errrado
fiz um pequeno rascunho do que poderia acontecer caso recebesse aquele meu embrulho contendo alguns presentes. mas presente, de agora, ninguém mais entende.
poderia receber a minha insatisfação ou então o meu sentimento. mas não, estou de malas prontas e, acredite, eu não sei nem por onde começar.
mais de uma semana ou um fim de semana podem ser tanto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

adoro quando você diz, toda risonha, que me entende. e adoro ainda mais quando você não suporta o fantástico da rede globo e cai no sono, ainda no sofá. você me disse uma vez "ah, faz lá um livro bonito" e eu entendo que talvez ele peça para acabar, como quando você, de voz mole, aperta o botão do interfone e diz em tom seguro "cheguei, filhote".
ai mãe, se segura bonita aí porque eu sou um barquinho pequeno. e você é o meu porto seguro. cheio de razão.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

querido,

aqui está tudo redondinho. você deve estar rindo mais por conta do "querido" do que pelo "redondinho". eu sei, não é cabível, mas não há nada melhor para exemplificar essa fase, esse fim de fase. coisas sem arestas que sabem deslizar pelo espaço são encantadoras. e elas não param! lembra daquele vaso de porcelana da minha mãe? imagine ele descendo uma cordilheira, assim. assim.
pois me sinto dessa maneira. e é maneiro saber que em breve eu terei condições mais bonitas de poder dizer isso melhor. você sabe que se eu as tivesse agora, é provável que eu não as domesticasse. você sabe que eu não vivo sem aquele presente de aniversário, aquele livro tão bonito que em breve não existirá. você sabe que eu posso voltar quando eu quiser, você sabe que eu sou esquecido e que reclamo dos projetos para os próximos anos.
mas hoje tem eu e eu até às 2h da manhã. e tem aquela nossa samambaia na porta de entrada do apartamento. e tem o espelho torto do banheiro.

por amar,

m.
por um momento ele parou. sentou-se na cadeira da cozinha. ficou tocando o pano que cobria o bolo do café-da-manhã. "qual é mesmo o signo dela?". pois aí pensou em todos eles e não conseguia lembrar-se de nada. duas horas depois. nem do rosto dela. nem de como ela deixava uma mensagem de celular. esqueceu e odiou o mundo para sempre.
e odiar o mundo significava odiar tudo o que havia dentro dele.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

vê se ajuda a colorir esse amor
pois toda a minha herança
não encontrou um marulho
que é a parte em que você
me diz
"eu te amo sem pressa"
mas eu já estou pronto
bagatela de barulho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

desista.

g.

inicio este recado afirmando que você não sabe ainda o que significa perto e longe. olha, pedir para que eu te espere enquanto você termina os desenhos para a aula de história da arte é demasiadamente penoso pois os seus rabiscos, que não são lá grande coisa, são lentos, minuciosos, portanto, caminham feito tartaruga.
implorar por uma redação bonita, com a caligrafia bem elaborada, também é um erro. quando a gente falava sobre o que haveria de ser, juntando 2% ou 5% a mais na média de erro, você nunca me disse que poderia se apaixonar por outra pessoa, nunca me disse ainda que negaria essa geografia errada ou então a minha maneira exagerada em acreditar que a gente sempre pode se apaixonar pela mesma pessoa todos os dias. só que isso é mentira, a tendência, na maioria dos relacionamentos, é de que se canse de que todos os assuntos - arte, cultura, política, literatura e música - pois foram debatidos às 3h da madrugada.
mas vejo você chegando em casa, dizendo um "oi" doce aos demais, enquanto eu permaneço quieto dentro do quarto. digo que vou sair e você vem atrás só para propor um acordo de bons modos, que, por sinal, é precário. por isso eu te peço, não estou disponível na segunda, tampouco nos finais de semana. você me levava a acreditar que eu poderia me doar todos os dias, como quando você aparecia com sorvete em casa, ou quando "parece que chegou aquele livro que você tanto queria comprar na livraria aqui ao lado". mentira, eu nunca quis aquele livro, só queria que você descesse para eu não ter que apertar a merda do interfone para você.
confesso que posso me sentir mal o bastante por não ter o seu sexo, na cama com cobertor amarelo. veja bem, ele nem era lá essas coisas. não era mesmo. dia desses eu encontrei um conhecido e ele usou o travesseiro que você tanto gostava, aquele dos quadradinhos coloridos, em azul, verde e vermelho, para me amar. amar não, para me tocar devagar. e eu pedia mais, mais.
você pode continuar falando em nome do tempo, você pode continuar agindo como se isso fosse apenas uma fase, na televisão corresponderia ao tempo dos comerciais. acontece que três minutos sempre foram importantes para nós, mas agora não são. posso ter 30 com outras pessoas, 3 horas ou 3 meses. ainda que eu observe o quanto você pode ser mesquinho em tuas decisões, eu acredito que faz bem. sabe que poderia me magoar e eu, para sempre, não te perdoaria. do tamanho que esse mundo é, ou mesmo esta cidade, te encontrar representaria uma falsa parede de vidro. mas contenha, amor, encontros podem ser decisivos, podem ser enfadonhos e podem ser trágicos. quero antes recordar que você sonhava - engraçado que ocorria toda quinta-feira - que me via atravessar a ponte do setor leste, e me telefonava de madrugada "estou indo para a sua casa". duas ou três vezes eu quis dizer um "não, não venha aqui". "me deixa" não me pareceu justo, a entender a maneira como você suspirava quando realizava exames nas pessoas doentes da faculdade de medicina. contenha a sua mania de grandeza, de bom pisciano. faça como o eu-lírico disse à paula: se me encontrar na rua, ou mesmo nos teus sonhos, diga em alto e bom tom "não conheço esta pessoa". e ainda, para a conclusão do segundo clímax, desapareça de vez com aquela pasta de raios-x que você deixou aqui. pegue as tuas roupas, o perfume horrível que você comprou nos estados unidos e aquele ingresso medíocre daquele também medíocre show. desista, essa sua fome de que o futuro está aí é a maior bobagem que já li desde aquela sua carta de amor.

c.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

fevereiro

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

gente é uma coisa esquisita e não é convencional. tampouco contente. gente é gente em tamanho.
ele, que é quem precisa de todo o cuidado, de verdade, não entende que escrever um livro é muito mais difícil do que dizer o que se sente.
mas, ainda para ele, ao seu redor, há sons que escutam o barulho das teclas, do computador e do piano.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

no ano seis, neste mesmo dia, eu estava com os meus pais. no ano sete, neste mesmo dia, eu estava com um pote de sorvete e com os meus amigos. no ano oito, neste mesmo dia, eu estava num cantinho particular, assoviando. no ano nove, neste mesmo dia, eu estava com um monte de borboletinhas ao meu redor, esperando. no ano dez, que é hoje, eu espero ficar mais tarde para dizer aos meus amigos sobre a importância de tê-los para mim, ao meu lado, com cento e cinquenta balões coloridos, bem dizendo que "vou até onde eu conseguir ir".
até porque todos eles sabem continuar a música, sabem me entender da maneira mais carinhosa e amável: "e ao amanhã, a gente sorri". que pode ser hoje, neste mesmo dia.
conto vinte um, mas que pode ser vinte e dois, vinte e oito, trinta e sete ou quarenta e quatro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

te entrego a minha paisagem bonita
para que não percas na tempestade

domingo, 10 de janeiro de 2010

em cada rua eu te deixo por não saber quem realmente você é
e se eu não sei quem você é, eu também não sei quem sou eu
porque em todo eu há um tanto mais de você
em cada amor eu abandono um pouco mais de mim
para que todos os amores tomem o melhor que há de mim
e então eu me desencontro e te entrego

sábado, 9 de janeiro de 2010

são paulo pode me engolir sem mastigar trinta e tantas vezes como toda tia gorda, daquelas que oferecem presentes bobocas, alerta.
recorreu ao banco de imagens, o editor perguntou qual seria mais usual. eram tantas imagens, aquelas da cena do casamento, com um bolo cheio de glacê e dois bonequinhos lá no topo, que sorriu. poderia atribuir um novo ritmo ou então forjar uma moralidade, um empreendimento ou, como ele devia, entregar tudo na quarta, com a cena do assassinato da viúva, com todas as correções de cor, variações em azul e verde.
abre a porta de casa para reconhecer e despedir

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

a gente abre a caixa de email e começa a chorar quando ele manda um poema de amor.
deixei alguns fogos de artifício, para não dizer do meu colo quieto ou do coração aflito em buscar você naquela temporada de chuva e vento forte. uma temível alegria às quatro horas da manhã de sexta para que nada fique morto.
como tal desencontro semelhante ao abano de um leque: eis um possível retrocesso do tempo, sua insistência que pousa na minha memória. propuseram a ausência que ocupa todos os portos, o seu nome calado que corroe todas as baías maltratadas pelo barulho do automóvel maior.
(cheio de intenções, quando são descansos, e a terrível tempestade anunciando o dia-a-dia e o perigo do primeiro amor)
acontece a partida do herói, o mormaço para eu colorir a bandeira. e você dividido em adiar-se novamente; eu gritando "não amo" em plena avenida paulista para toda estação do ano.
você me tem nas mãos
por saber que eu sorrio e te digo quero
e comparo com todo seu legado
corro de coisa mais insegura
por saber que você me tem nas mãos
e te digo "vem terminar o que você não acabou"
rodando e rolando pelo colchão
me insinuando com o cabelo molhado

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

me contou uma mentira inútil por saber que eu entendia toda aquela verdade.
luísa estava deitada naquela grande cama enquanto ele a esperava na porta do banheiro, sorrindo ao lado da porta azul. o rapaz aproximou-se da cama e permaneceu ali até as 3h da manhã do outro dia.