domingo, 4 de outubro de 2009

eu vejo histórias correndo no centro de goiânia, vejo a moça dona do bar vendendo cigarro do paraguai, tudo mais barato, vejo a menina virar a alameda depois da faculdade, a casa cheia de amigos, vejo a tela do computador infestada de imagens, vejo o boneco de pano encostado na escrivaninha, vejo também o menino chorando quando se despede, vejo o homem traindo sua mulher desgostosa, que ainda não sabe, mas saberá, vejo a loja de artigos retrô inundada pela chuva de fim de ano, vejo a chamada do celular do outro menino, que gosta de verde, vejo eles cruzando a avenida para comprar sorvete, vejo o caderno de italiano e o boletim indicando pouco aproveitamento, vejo o passé composé do francês, vejo o insatisfeito trabalhador da padaria preparando o misto quente, vejo o amigo aparecendo no apartamento, tão disforme, tão inseguro, vejo o carro estacionado na rua principal, vejo o ônibus preparando as pessoas para descer no último ponto, vejo o segredo dele virando piada, vejo a manhã se recobrindo de passarinhos das primaveras, vejo tudo se aproximando para ficar em nonassílabo
eu vejo tudo isso em mim, todo dia, virando novas poesias