domingo, 30 de agosto de 2009

ela, a vida
se recobre e recolhe todos os dias
no sol das horas às 3 da manhã

afinal de contas
é por conta própria
e de coração arredio
que nos ajunta
em meio ao apartamento no centro da cidade

que nem o percurso da padaria
me ensina de pouquinho
a minha herança, um adeus

afinal de contas
é por reconhecimento
o que há em si
que nos afasta, com certeza
o meu eu você e o seu você eu

vocês foram embora e eu me senti desamparado. não sei mais dos teus sinais porque acostumei-me aqui no centro, acostumei-me ao descobrir-me. é devagar como as tuas vindas.
vocês foram porque era a hora, como quando eu vou. eu acho bonito demais o sorriso, o jeito delicado de me apertar e dizer um "tá tudo tão bem" por diante.
e para os próximos anos, vocês sinalizam: "filho, o seu coração é extremamente fraco."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

repousando amor.

domingo, 23 de agosto de 2009

"não tenha medo. existem as coisas ruins. existem as ruins que vêm pra o bene. e o bene vence o mal."

sábado, 22 de agosto de 2009

mas se eu te rabisco
é pra embrulhar meu amor
você escolhe a tesoura
e corta em haikai

como eu te espero terminar
o que nunca teve passado
se eu engasgar dois vocábulos
executo a tarefa

e atiro a primeira pedra
sou tão levadiço
então dou feito e forma a ti
uma linha retilínea

com agora instante ocasião
eis a minha precisão.
"você trata as coisas com tanta frieza."
você pediu para que eu permanecesse estático, disse que eu deveria ficar quieto, na segunda vez, embora me impulssionasse até aquele nosso lugar semi-iluminado, espaço de falhas, para nomear o erro. atendeu ao telefone e não desviou o olhar de mim, esperando que eu esperneasse. fiz o contrário, claro.
mas eu ri e só pude concluir que havia perdido e estava ali para reparar dano algum, afinal eu errava e você fingia ter as respostas para os nossos erros cometidos sempre que um mencionava as faltas do outro. não peça silêncio agora pois terei todo o tempo do mundo, o meu prêmio de consolação do vazio, para justificar o meu amor... e basta você colocar seus pingos nos is para que, pelo visto não vou terminar, o começo tenha fim.
vou ver de perto o mar. vou ver de perto você errar no silêncio enquanto grita pelo meu coração. você, tirando o meu fôlego, "ainda gosto de você". para quatro palavras apenas você não hesita.
te conto que meu coração está em pedaços, você vê e se apega. "eu não posso mais chegar até aqui". "mas você já veio". vou te chamar até aqui para chorar e dormir abraçado. no outro dia você vai embora cedo e vou sorrir sem fôlego. "eu nunca te amei, coração". logo a resposta me aparece com uma risada sem jeito e inteligível. um grande amor também tem seus dias de pequenez absoluta. e tem a falta de ar.
cigarros servem para aquecer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

livros bonitos precisam de balões voando.
quando você retornou eu sugeri o restaurante próximo à avenida em que andávamos a pé, sem forma e conteúdo, parecendo um bocado de versos brancos à deriva; senti vontade de te convencer a me pedir perdão, mas o seu rosto tinha o formato de um coração e não, eu não poderia forçar nada, afinal já não havia nenhum laço colorido entre nós, pois tudo o que importava, dos girassóis ao desenhos de cinema, foram para lá. mas se eu te valorizo e se o seu rosto pálido me lembra um coração, talvez eu pudesse dizer alguma palavra bonita enquanto você chora.
-eu estou tão engasgado...
e você se assusta.
-...preciso vomitar todo o meu amor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

essa é a segunda vez e, por favor, é a última que estou chegando por essas bandas.

domingo, 2 de agosto de 2009

então vem
e decora de azul o meu
estar
que fica aqui
do tamanho do mar
em breve aí