quinta-feira, 16 de julho de 2009

esta cidade é quente. e é um quente pelos ambientes e à sua maneira de equilibrar o decurso do tempo e do espaço. a cidade tem amor ao amarelo que extrapola as dimensões da arquitetura estacionada no centro histórico e o complexo de seu centro cultural, cuja permanência reflete a poética da imagem da caixinha
podia ser a nordestina da adriana falcão e podia ser uma cidade espanhola isolada numa fração de segundo, como um viajante que pede para morrer embora não o deseje de alma, só para continuar caminhando. e pode ser também um futuro bonito que pouco sorri e então, como nos palhaços de seus espetáculos teatrais, pede um sorriso de quem por aqui passa, se resgata e aprende.
ora, se aqui é tempo e espaço, é também fragilidade. mas não a costumeira, não a almofada que ampara, mas a que pede consolo para quem sorri de tédio ou sorri de leve. e levo desse amarelo as fotografias que abrem e fecham janelas,o meu sentir-se mais humano e o afago do céu refletido em seu lago de noite à beira de uma lua em ataque de nervos, afinal de contas ela não pode dialogar com o amarelo do sol.
minha gente, plantem árvores e contem as suas favoritas histórias, princípio da documentação - fotográfica, jornalística, audiovisual – para essa desordem de conteúdo que nos é ofertada. contem sobre aqui para os vilarejos seguintes, desçam no primeiro estabelecimento e peçam um quitute, rememorem os motivos para o entendimento de seus domingos.
as histórias contadas para uma câmera podem alçar o fôlego não emprestado ao seu centro histórico, podem conter o roteiro lábil do espaço e, como o amarelo, são sínteses de estima, formação e amadurecimento. elas não pedem para atuar, só podem para ser vocês mesmos e o aqui.

acho bonito quando volto maior para casa e, maior aqui nessa terra, é ser amarelo.

(este texto é dedicado ao seu paulo que escreveu que a solidão também pode ser proveitosa e, por sinal, fez uma árvore de natal amarela.)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ela desligou o barulho. fechou a cortina. esperou que ele sentasse ao seu lado, àquela maneira petulante e fragilizada, para ela. deitou a cabeça na almofada da amiga e sorriu bem devagar. fingiu que estava dormindo e murmurou que não poderia morrer de amor porque precisava viver para continuar amando sua fragilidade.
então ele sorriu de leve. ela só levou o sorriso e o jeans. estava escuro demais para morrer de amor, sozinha demais para morrer de amor e, sobre o amor, ela sabia pouco.
tão pouco que também sorriu.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

sai de dentro da mochila.