sábado, 30 de maio de 2009

vou colorir o seu céu, posso?
de verde ou azul?
eu pensei em laranja.
ai, laranja é tão feio.
feito sabor de laranja, não é?
não publica isso não...
deixa o céu e fala da saudade de subir em um pé-de-laranja, pedro
raul disse que não poderia continuar seguindo aqueles passos, falou de seus sofrimentos como quem vai ao açougue e acaba comprando legumes.
não chorou, tampouco desacreditou na farsa que é o amor. fechou o caderno, pegou o fósforo e deu por fim toda a história; deitou-se na cama, cerveja no chão molhado do quarto, e deixou o ar entrar duas, três, quatro vezes. não hesitou na escolha do poema da adélia, não pediu o caminho de volta ao taxista e não teve vergonha quando disse, aos berros, que seria a última vez que ali, no setor noroeste da cidade, que a dor se manifestaria. foi para casa com três desejos e também não (se) esfregou no gênio da lâmpada. era o ele-raul e só ele, e deus. tudo tão pequeno, tão corrosivo, tão não. mas sim, hoje eles, raul e renato, tinham motivos para comemorar a desordem e as lágrimas de outrora. tinham motivos para plantar uma árvore e apalpar o primeiro fruto sem sabor de uma desgraça que, para o terceiro, não era tão importante. tinham motivos para descer no primeiro bar e pedir quantas bebidas quisessem.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

é quando eu durmo que decido que o seu instante parece eterno. não quero ser vítima dele, mas preciso transparecer força, ou qualquer coisa que seja tocável, feito seus desenhos.
eu preciso do eterno-sempre para decidir se terminamos em câncer ou amor.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

já tenho mais motivos para entender o dia-a-dia de um domingo.

sábado, 23 de maio de 2009

luísa se sentiu usada como quem gasta o pouco do tempo com refrigerante e bolacha recheada. parecia até brincadeira de plot-point de roteiro, só que não era. ela queria voar naquela hora, e não apenas. ele disse que poderiam fazer alguma coisa, se queria, naquele intervalo. perguntou se ali, naquele seu tão espaço, ela estaria disposta. foi. chorou com o fim por não querer abrir as próprias asas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

tudo pode ele

segunda-feira, 18 de maio de 2009

me explica direito onde fica a tua casa?
huum, fica...
hahaha, acho bonito quando você explica as coisas.
ué, por que?
é que parece que a gente, que tudo, que a vida só tem 6 minutos.
hahaha.
vai, continua a explicar...
mas a gente só tem 6 minutos!
hahaha. tem?
é, tem
vem logo, vem. não quero ter só 3 pra ficar ao seu lado.
ontem eu vi uma formiga subir a árvore da porta da minha casa
só que aí eu lembrei que isso é coisa do manoel de barros

sexta-feira, 15 de maio de 2009

liga essa câmera pra brincar com ela de cinema
faz cinema como quem faz sexo
representa quem você quiser
faz mímese de poeta, de dor e de barraco
aperta rec para ela atuar

quinta-feira, 14 de maio de 2009

te achei, como quem acha uma agulha no mar, no ponto de ônibus chorando.
o seu cabelo era mais claro ou é que era cedo demais? parece que era 6h45. bonito o teu olhar. quando entrou, meio espremido pela senhora gorda da mochila azul, eu lancei um sorriso pequeno para longe, para perto da porta, só que você não notou. é engraçado o seu ar de desatenção, eu brigaria com você no terceiro mês de namoro, brigaria para que você concentrasse em mim. lá vai eu...
na parte 01 do corredor, os dedos cruzados, para que alguma força ou a sua própria te levasse até o meu canto. eu tive vontade de cantar alguma da carla bruni (vi a sua pasta do francês!) para você vir. achei tão bonito quando você colocou o fone de ouvido, provavelmente escutando "ficou tudo lindo, de manhã cedinho" ou "e lá vai deus sem... saibamos pois, estamos sós" ou ah, o que você escuta mesmo? quem te apetece?
toquei os seus dedos na hora de você descer naquela praça grande, esqueço sempre o nome dela... e, por hora por pontos por receitas por fugas, nunca perguntei o seu.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

a nuvem subiu, subiu, subiu...
fazia uma sombra seca no rosto suado de joão enquanto ele terminava de se despedir. os olhos, vermelhos de tanto chorar, cambaleavam de dor e, vez ou outra, coçava com os dedos enfaixados. o avô pediu que ele não se preocupasse, que isso de dizer adeus é coisa boba, é coisa passageira, que logo se esquece e quando se vê, plim, estavam juntos novamente.
joão precisava estar ali porque sabia que aos 40, daqui 20 anos, se arrependeria de um bocado de coisas que não fez, amor-amarrado por exemplo. não teria o avô para sempre, não teria...
lançou-lhe um beijo e colocou o óculos-de-sol e permaneceu sentado na mureta de dona perpétua. terminou de ver a nuvem, voltou para o quarto e esperou o carro antigo do avô antigo ir embora e desaparecer no cerrado de setembro. esperou a chuva cair. caiu.
voltou para a mureta, sozinho, e choveu com a chuva.

segunda-feira, 11 de maio de 2009



cem histórias para um livro bonito.

as histórias do antigo, as do novo, das outras pessoas, as de sempre, as de papel, de livro, de porto, de sentir-me

e, por favor, eu gosto de me sentir cem
ele queria dizer a ela o que já sabia
(amor é medo, julia)
ela resolveu pegar as malas e ir para o fim do país
(duda, to indo pro chile)
todas as manhãs eles perdiam os caminhos
(o seu é o da esquerda, duda?)
dizem que não sabiam olhar para o destino
(fiquei sabendo que a julia...)
que aparecia em sonhos, nas fotografias do mar, no trajeto do ônibus
(eu tive um sonho estranho, você não tinha cor...)
(venha ver a minha foto nova, venha)
(olha só a chuva batendo no canto esquerdo, duda)

ela ia dormir todas as manhãs sem roupa
ele segurava a emoção com as pontas dos pés
(julia, não me faça isso agora, não faça a desatenção)

desviavam da cabeça o barulho da avenida
(vrrruuum brrrummmm vrrrruuuuum)
e se concentravam no abraço menos falado do mundo
(e se encontravam entre os parentêses)
ela se lançou ao amor só para se espatifar no chão
tudoissonumplanosequencia

a ideia de amor não merece raccord

sábado, 9 de maio de 2009

acho tão bonito quando me dizem que deu certo. eu fico me sentindo completo, uma coca-cola de 3 litros cheia de gás. e quando me aparece pra dizer que tá tudo bem, de mansinho, logo cedo, janela. me dá vontade de rir, rio, e então eu reforço minha energia e toda a vontade de remar, remar, remar... todo meu fim de tarde é de encantamento. pelas imagens, pela janela, pelo centro, pelo tudo-está-dando-certo.

ai, me abraça e deixa eu ficar do lado de vocês até o outro dia? deixa?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

a tua imagem é feita de cristal e é simbólica, não é representativa, não é laica, não tem textura, não tem cor, não tem cheiro... não tem educação.
acho até que não tem peso, pois não ocupa mais nada.

domingo, 3 de maio de 2009

(...)
cuando me pides / alma ayúdame
siento que el frío me envilece
que se me van la magia y la dulzura

benedetti, m.
gosto de como você entende do quanto eu preciso de cuidados.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

eles apagaram a luz
para dançar

bodas de papel

eles terminaram o café
para se gostar