sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ela entendera que o tempo perdido, sem ação tampouco pretérito, começara a correr, por simples decisão emotiva. no ar, o vestido com desenhos de pequenas flores, estendido, derramava as gotinhas d'água e todas as moléculas aquosas. era, para tanto, o dia de vesti-lo e debruçar-se, pela primeira vez, incólume, nos arredores do quarteirão da outra menina.
doava a força interna aos pedais da bicicleta desgastada e ia, assim, em direção à carroça enfunada de quinquilharias do pai da garota. no ar...
- se afasta da catarina, milena.
danou-se a chorar porque sabia que não conseguiria e, como a água que corre, retornaria ao ponto de partida, e tornaria a se machucar ou aquilo que ele chamava de 'machucar os outros'.
-pai, estaciona a égua. eu quero descer.

então ele lançou o animal à outra menina e só assim se deu por satisfeito.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

só sei que o azul matou o amarelo por causa do verde.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

para tanto, deus escondeu o pote de sal da criança menor e assim que as refeições do dia eram anunciadas, incubia a criança maior de procurar, por puro prazer, o recipiente.
foi então que as duas, a menor e a maior, abriram o potinho de diâmetro insignificante e daí saiu o mar.
- juca, é por isso que é salgado...

domingo, 25 de janeiro de 2009

sulquei o chão para que os passarinhos, hoje de manhã, não tivessem problemas com as asas e assim, bem devagar, celebrassem os novos raios de sol.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

bonito mesmo era ver como ela se compunha de silêncios assim que a tia costureira terminava o vestido de manga balonê para a festa de elias. as palavras se desprendiam das pontas da seda e, como num passe de mágica, os passarinhos atenciosos de setembro, voavam em cojunto até o brilhos pequenos nas pontas da manga do vestido. "deve ser que eles imaginem que sejam besouros, tia". as duas terminavam em risos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

she lives with an orange tree and a girl that does yoga she picks the dead ones from the ground when we come over and she gives i get without giving anything to me like a morning sun like a morning like a morning sun like a good good morning sun the girl that does yog awhen we come over the girl that does yoga

domingo, 11 de janeiro de 2009

então tá, vamos passar algumas páginas antigas.
vou colecioná-las do lado direito da prateleira e, a partir de agora, rememorar com açúcar e com afeto os fatos que, de tão fatos, parecem sustantivos palavras secas que impelem alguns traços futuros.
ao que me parece, de antemão, a leveza de um tempo, o ano passado, camuflada, desonesta, que acabaria deflagrando esse ano, tão tortuoso, tão instável, tão irrelutável. sim, ainda estamos em janeiro. é o meu mês, é o mês de chuva... mas eu já sinto tanto medo... e sinto muito por mim, sinto aquelas dores de quando você é menor, na idade e no entendimento, aquelas dores de brincadeiras de pipa, corre-corre e esconderijo. são dores que aparecem nas horas do gozo, da juventude e do acompanhar das formiguinhas verdes ao formigueiro.
quando contei que vinha pra te bucar, passado, eu não previa que os danos, não tão morais, puxariam alguns fragmentos como de quando, em março, me mandei para pirenópolis atrás de uma mostra de cinema. então foi lá que os descaminhos da produção e a minha língua, meu cérebro e todo o meu riso despencaram lá da ponte. foi bom, é sempre lindo tê-los. preciso recortar as páginas daquele capítulo e, adiante, transcrevê-las na página próxima todas as similitudes e não-proximidades do sentimento compartilhado em janeiro do mesmo ano.
é bom que o vento saiba de como nós mudamos no decorrer do ano, desbotando e aumentando o nível de cor. talvez eu nem seja mais uma aquarela, tenho perdido demais as minhas cores. tenho me sentido muito. o importante nesse momento, cheio de inseguranças e esperas, que eu ainda amo com elegância o "tudo vai ficar bem", "tudo vai ficar bem", "tudo vai ficar bem"... essa iniciativa de colocar dentro de um carro, de um pequeno carro, todas as dívidas e as coisas que, com o tempo, mudam e aquelas que, indiscretamente, permanecem na gavetinha nº 4 do coração. "tudo vai ficar bem".
ao amor dos meus pais. "não fique assim desse jeito, não se desaponte". "a minha superfície já está redonda, pai. eu preciso seguir adiante". a coleção de pedrinhas brilhantes do meu pai, ambientada na estante da sala. o jeitinho como ele está deitado no sofá me observado entre um diálogo e outro da novela... "você já fez suas malas?".
ah, coração, aos meus chás dos últimos dias dezembro. a responsabilidade ainda imatura, escondida no encosto florido da poltrona, de compreender o espaço fílmico. a minha chance, aos vinte anos não completos, se instauram agora, nesse semestre.
tenho sido rancoroso comigo mesmo. tenho me dado poucas chances.
eu fui dizendo, amparado pelo telefonema da minha mãe, que viajar com todos eles em julho foi inesquecível. é lindo como ela tem entendido esse tipo de sentimento. é crisântemo e sincero.
demora não.
vou me encarregar, último-setembro, de me aproximar ainda mais do arcaico, da medida da versatilidade e dos não-lugares. ao som do show em brasília e da família lago norte. a eles e à música daquele. ao nosso carinho.
disse, em algum escrito, que quero tê-los, todos os meus amigos, todos os nossos abraços nos próximos meses. aliciar os sonhos e, marcando o dia e a noite, terminar as primeras estrofes. são primeiras, como somos. primeiros, instáveis, inseguros, pontilhados para transcrever a linha à lápis-de-cor. foi esse o instante: desabotoar a calça, colocar uma bermuda e, em seguida, trabalhar com amor a tinta colorida. depois os lápis-de-cor. é ali, dentro da latinha dos lápis que está a sobremesa desse ano, o teletransporte do meu sentido, agora.
o quarto já não está mais escuro. eu não vou precisar de janelas tão grandes pq, sem segredo, posso atravesar dois ou quatro quarteirões e avistar outros espaços. posso ouvir a música da cicatriz e o burburinho de 69 nos decibéis pretendidos.
eu posso ser mais eu, mesmo que me sinta um plural. me deixo como as pedrinhas brilhantes do meu pai. quietinhas, organizadas e decorativas. e ao coração? já tá longe, já tá longe. fica vagando em cada um dos 365 dias do 2008.

voa coração; não descansa, tem alguns quarteirões pra gente atravessar...