quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"mãe, diz 'para'"
"hã?"
"é, mãe, diz 'para", e aponta para o livro em mãos.
"hum... p-a-r-a-!"
"saiu outro poema de amor da adélia."
"lá vem você com essa história de roxo."

domingo, 27 de dezembro de 2009

e sorri para o próximo ano. e já desdobra no dia 06.

sábado, 26 de dezembro de 2009

pegue a bolinha dourada de natal
e dê para o miguel
ele ainda não sabe todas as cores
mas entende que foi natal

e se esconde no canto do sofá
e pede iogurte para mim
como quem sorri com a chegada do papai noel
então abraça a almofada
o bebê miguel

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

mas, benedito, você só supõe o que pode ou não ser. se ele te fosse mais direto, você entenderia. ai, benedito, que pena de você. ai, benedito, enxuga esses olhos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

deu pra ti, 2009.

video

eu desejo um novo 2009 e também não desejo mais.
ele é tão bobo que chora em todos os episódios de "troca de família" e em alguns da "supernany".

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

desenhei uma casa nova com três quartos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

eu já não tenho mais razões para dizer o que penso a respeito, eu só preciso que tudo se encaminhe para que eu diga, na razão certa, o que for necessário.
talvez as coisas encaminhem para o desencontro, talvez eu me perca de vez em outros braços e talvez eu aviste no final da rua e nem queria dizer nada.
tem alguma coisa me dizendo que eu não gosto mais do seu nome, de nada.

domingo, 6 de dezembro de 2009

ele é injusto, mas é amável. tolerante, mas terrível. perde-se em mim e perde-se e mim.

sábado, 28 de novembro de 2009

e lá vai mais
um bordado
que tem todo o cuidado
das folhinhas
que caem nessa estação

para que
se sinta bem amado
não é necessário,
entenda,
um laço bem apertado
ele não poderia com uma história tão cheia de segredos, não poderia com ele que ficava ali, sempre lembrando os seus piores defeitos.
preparou uma coleção de adesivos do picasso, juntou tudo dentro de uma mala, com quadros, algumas camisetas amarelas, cuecas, roupa de cama e um travesseiro. fez com que foi embora, não olhou mais para ele, quis saber de toda a história, mais um pouco, me conte mais, mas por que?, você ainda me ama, eu sinto dor por tudo, amor descomedido, você fez tudo tão errado, cabelos molhados, dor de garganta, ele deve estar feliz, eu não, você sim, estou voltando para casa, pois agora eu faço entender.
e disse, próximo ao ponto de ônibus para o centro, que desejava nunca mais vê-lo. disse que com sua ingenuidade amadurecida, poderia retornar. ou esperava que ele dissesse que não, pedisse para ficar, que poderia ficar tudo bem, só que sem amor.
chorou todos os dias. chorou até o fim do ano. regressou para a sala de sofá e lembrou-se da história maldita daquela noite de amor. não queria ser poupado. sofreria, mas cheio de verdade.
abraçou a luz da escada, observou o enfeite de natal na porta do vizinho e entendeu que o fim do ano estava próximo, em breve teria um 2011. olha só! falta pouco para mais um de seu ano. falta pouco para tudo passar.
deitou-se na cama, um barulho descomplicado da rua, assoprou a vela do bolo que preparou sozinho e telefonou para o outro. "eu não posso mais ser feliz, você deve imaginar". mas acontece que ele me ama, você já devia saber. então, sem alternativa, fumou dois cigarros, desceu a rua 05 e voltou para o longe.
esperou encontrá-lo no grande prédio de azulejos, com detalhes em madeira escura, e lhe contou toda história. ele achou tudo muito bonito. achou que fez errado, mas que fez certo, um dia. abraço. meio-beijo. devolve as coisas. uma bagunçada no cabelo. a concentração da disciplina. sozinho de novo.
e sorriu para mim depois de perguntar se eu amava alguém. "sim". mas é um amor sem jeito, de puro choro. ai, você precisa tanto de proteção. me diz se ele está aqui.
então ele deu meia volta e tratou de lhe contar parte da história.
voltou para o começo da história, um sorriso. voltou para o fim da história, meio sorriso. e o outro entendeu que não poderia com um beijo, só abraço de consolação.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

eu não sei mesmo o que tá acontecendo. não agora. não amanhã.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"eu pretendia estar deitado ao seu lado esta noite."
"você está."
e me abraça com um querer de fim de noite
e me olha com um sorriso de fim de noite
e então se vira para que eu caiba melhor
dentro da minha pretensão.

sábado, 21 de novembro de 2009

o jeito como se questiona
faz com que o meu querer
grite abafado

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

quanto tempo demora
para o sol aterrissar aqui ao lado?
eu fico de olhos abertos (mas eles secam)
só para poder viver todo o tempo
recusar convites
e ser fotografado pelo meu amor.
todo sol tem gosto de descanso
e tem gosto de tempestade para poder secar
(como uma esponja)
a maneira como me olha, em sobressalto, e sorri
e eu peço para ir embora
para que eu fique de olhos abertos
e sozinho

não poder dividir o sol com ninguém
ficar brilhando à luz do pensamento
e recusar o convite

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

pode ser que eu tenha um bocado de mágoas dentro de mim e que isso se torne suficiente para eu me lembrar
do quanto
o menino aparentemente virá com seu jeans surrado e abrirá um sorriso desencantado.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"se ele entendesse o que me fez sentir
tão sozinho
e como isso pode repercutir dentro de mim
tão calado
não estamparia na estante uma medalha
não pegaria mais nenhum livro na biblioteca
ficaria ao meu lado
para que eu cochilasse até as marchinhas
do ano que vem
tan-dan-tchun-tan-dan-tchun"

domingo, 15 de novembro de 2009

o picasso desenhou coração humano quadrado?
o meu é só uma bolinha vermelha discreta, no desenho.
"recebi o recado mais delicado dia desses.
então eu respondi, só que indelicado.
mas ele entendeu que delicado pode ser de duas maneiras.
e fui indelicado para outro indivíduo
porque nós dois sempre sabemos
o que queremos
e nos olhamos para sorrir de amor.
cada um com o seu
e o nosso
que poderia ser."
quando ela dançou para o espelho
ele sorriu
porque ela foi a imagem mais bonita
que ele já mostrou
para o ar

ela só queria o espelho
para pentear os cabelos
porque se ele tivesse mãos
se encobriria de fios
para mostrar para o ar
que ela
também era dele


(para o querido).
ela é tão custosa que fica acordando o irmão enquanto ele precisa dormir. mas sim, ela precisa lhe contar das dores do peito, de como vai ser adiante.
sinto dores fortes perto do peito.

(...)
a gente desvenda uma porção de histórias
conta que para lá não é lugar de chegada
mas eis que surge uma desatenção
a gente se encontra para dizer não

para que tudo ocorra bem quando você for
será organizado um cantinho azul
para que nos momentos de sentir solidão
não bata na porta do outro para ouvir um não
se ela não amasse outro homem, amaria você. pode ser até que você tenha outra pessoa ao seu lado, ela não importa. o outro, o que ela ama mesmo, também tem. mas vai chegar um dia que vocês vão se encontrar na porta de alguma apresentação musical ou peça de teatro e você, o segundo amor, entenderá que não se trata de uma segunda opção. ela só precisa ser fiel quando ama alguém que não a ama. ela entende também que a pior maneira de traição é aquela acompanhada de amor. ela amaria você, por você e por tudo isso.

sábado, 7 de novembro de 2009

eu não diria que a videoarte "eu já não caibo mais aqui" possui uma referência direta com a obra do artista ban jan ader. na verdade, assim como luiz fernando carvalho propõe para capitu em relação à obra de machado de assis, parte de uma relação de aproximação com os temas que são recorrentes em sua produção, como a solidão e o desafio.

março foi um mês bastante difícil e eu sabia que se não me propusesse a realizar alguma atividade audiovisual, ou mesmo em artes plásticas, eu poderia adoecer, como todo bom fraco aquariano. mas poderia adoecer de amor. mas poderia adoecer para amar. mas poderia realizar para o amor. decidir a terceira opção me pareceu a mais difícil das tarefas, já que costumo ser exigente nas minhas imagens, principalmente quando elas versam sobre o amor.

pensei em falar com a lidi a respeito do projeto que ainda não tinha um roteiro bem acabado. a lidi me daria algumas referências, pessoais e não visuais, sobre como o garoto da história agiria frente à solidão. mas não deu. não me lembro o motivo, só sei que tem horas que a gente precisa falar, dizer como quer as coisas, argumentar em sentido de construir algo mais sensível, mas não deu mesmo.

a cenografia me permitiu marcar o instante da sacralização da solidão, uma espécie de momento só seu, que também era meu. lembro de um dia ter acordado no meio da noite. tinha só um cigarro e uma garrafa de cerveja que minha mãe deixara em sua última visita. eu pensei, quando sentei-me aos prantos no sofá: "tem lugar mais não pra caber tanta desolação". e caiu como uma luva as músicas do álbum "qualquer" do arnaldo antunes. principalmente a diegese participativa de "acabou chorare", "2 perdidos" e "da aurora até o luar". juntei com observações que me ocorriam sempre que escutava o álbum "the flying club cup" do beirut, nas músicas "the penalty" e "cherbourg".

então a idéia de uma possível "and a fall from you / is a long way down", conseqüente liberdade temática para a construção do roteiro simples estava praticamente terminada. outro dia, acreditando nesse término da elaboração do argumento, meu irmão me ouviu chorar dentro do quarto e, por receio, acredito, preferiu não se aproximar ou perguntar o que estava acontecendo. aquilo me marcara bastante e percebi o quanto eu estava distanciando os meus sentimentos dos meus amigos, principalmente daquele que compartilha a mesma "cenografia" que eu. decidi que o roteiro deveria ficar pronto em uma semana.

a primeira história foi compartilhada com o osvaldo e a renata. eles gostaram quando lhes contei no refeitório da faculdade, embora no fundo no fundo sabiam que eu mudaria o curso da diegese, principalmente o papel desempenhado pelas estruturas do espaço para a moldagem do personagem. não poderia ser uma videoarte em um espaço que não me fosse próprio, parecia que ela me dizia isso. a mudança mais radical dessa história de solidão e saudade aconteceu próxima à vontade de gravar. acho que uma semana antes.

o jr., ao ler o o roteiro novo, soube entender com facilidade como aquele menino deveria se vestir. no começo eu também faria o figurino. a direção, o roteiro, a direção de arte e o figurino. tive uma conversa séria com ele três dias antes de gravarmos em casa e percebi que não poderia confiar toda a visualidade da personagem em mim. não deveria ser um tutorial sobre como eu imagino que as coisas são. eu entendi que ele poderia fazer o figurino naquele momento e entreguei as minhas sugestões, que eram várias, para as cenas, que mudavam acompanhando as alterações dos ambientes (sala, espécie de escritório/biblioteca, quarto, banheiro e cozinha).
o leo faria a música para a videoarte, mas lembro que tudo se atropelou e isso não foi possível. acabei optando, um pouco triste, por uma música da mallu magalhães, na verdade por um trecho instrumental de "sualk". intervenções no ritmo e melodia também aconteceram. na próxima videoarte a música original é do leo, que tanto me entende bem.

o kai foi doce quando contei a história. me surpreendeu ao topar as cenas que pediam um personagem nu dentro do banheiro. na hora de gravar a cena, titubeou, mas fez. e ficou bonito no vídeo cujo objetivo era acelerar os fragmentos de um possível filme que não poderia ser entendido isoladamente, mas com a presença da personagem, feita pelo kai. a larissa fez o still, o meu irmão se enfiou na produção com o jr., responsável também pelo figurino, o rodrigo também deu uma força, o osvaldo foi meu assistente e a renata fez a fotografia. então esperei a aline retornar meu email, completamente sensível, para que me desse uma força na montagem e finalização.

a espera pela aline e o esfriamento da mini-dv dentro de uma latinha antiga de costura, presente da minha avó, foram importantíssimos para que eu rompesse com todo o ideário daquelas circunstâncias da fase de criação. viajei para são paulo no fim de junho e, dentro de um ônibus em campinas, quando retornava para a casa do rafa, notei que a chuva forte cortava alguns pedaços da grama do chão. pode parecer bobagem, mas foi decisivo para a opção de uma montagem toda cortada, um jump-cut. os gestuais da personagem necessitavam ser bifurcados para todo o clima de insatisfação do vídeo. se tivesse chovido em goiânia durante as gravações, talvez a equipe toda entenderia do que estou descrevendo. quando voltei para casa, no primeiro dia depois da viagem, pensei em incluir novas cenas, em razão da experiência do deslocamento. mas a voz do arnaldo veio arrebatadora com "acabou chorare, faz zum-zum pra eu ver" instaurando a possibilidade de cada imagem por sua vez em cada instante sacralizado.

sobre outra volta: com o vídeo dentro da mochila, após a edição carinhosa na casa da aline, junto com osvaldo, eu tive aquela vontade de chorar e sorrir que acontece quando a gente recolhe dentro de uma caixa algumas fotografias antigas.

pois então chegou a hora de mostrar a todos esse trabalho simples, porque precisava ser simples, e de coração.

"eu já não caibo mais aqui", exp., 4min. mostra competitiva universitária do 5o festcine goiânia. sexta, 13, 19h30.

para todos nós que não cabemos em lugar nenhum.
"olhos de cigana dissimulada"

porque nem oblíquo já é mais.
existe uma fronteira não muito agradável
entre o começo real e o começo do que está por vir
se eu te desse um abraço
você apenas diria que não é suficiente

as lágrimas podem não acabar
se você diz não se emocionar
quando eu te der um abraço

existe um pequeno lenço perfumado
entre a despedida de ontem e o sol da janela de agora
se eu te desse um motivo
você apenas diria que não é necessário

posso optar por ficar
se você diz não se importar
quando eu te der além do meu abraço
se ele ainda não respondeu deve ser porque já não importa mais com as nossas imagens.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"cada vez que ouço você chorar eu me sinto mais devagar. pode ser que tudo acabe quando o ano terminar, pode ser que você use sua inocência como desculpa para seguir sozinho. a gente se ama e isso é coisa de grandes amores."

para eles.

vão te convidar para o canto da rua
e você vai fingir desatenção
porque nunca soube, não
fazer a tarde desfalecer

(cenário 03, que é o cenário do osvaldo.)

terça-feira, 27 de outubro de 2009


vão procurar no seu armário
aquela carta do começo do mês
para que o destinatário
se engane outra vez

(cenário 02, que é o cenário da larissa.)

vão ouvir o barulho do quarto
se vocês não forem dormir logo
é que aqui do lado
tem outras meninas de coração apertado

(cenário 01, que é o cenário da lidi e susana.)

domingo, 25 de outubro de 2009

vegetais, desculpe, mas eu adoro ser ser-humano.
ele está tão sozinho que não vai ao mercado
desde dezembro do ano passado.
era quase três horas da manhã. a chuva batia bem devagar a janela da alcova do cozinheiro e a vela estava quase consumida. a luz monótona, prestes a extinguir-se, permitiu com que eu notasse, à claridade dos raios de luz perene, uma sombra que retornava silenciosa pela álea a vizinhança. de início, procurei fingir que nada estava acontecendo. tinha o rio que dividia comigo a angústia enquanto a chuva ameaçava as choças à direita da margem e tinha também seis ou oito pessoas que admiravam-se com a quantidade de água do céu, protegidos por guarda-chuvas.
a varanda estava demasiadamente escura para que eu pudesse distinguir com minha atrevida miopia algum vulto. o céu nesses dias nem parecia notar que mais negros eram os olhos daquele homem que esboçava uma poesia no pequeno estabelecimento comercial, próximo ao sítio em que mamãe educou uma família de oito filhos, não notou. a voz perene e desafinada, que insistia na poesia torta, não se cansava de fazer o pai e o filho.
como alguém poderia suportar a tempestade para fazer poesias em voz alta? posso assegurar que meu medo aumentava a cada verso seu, no entanto, recolhido, obrigava a mudança das mãos pequenas, dirigia os dedos para o céu que não me respondia nada, fazia de conta que esperaria, tinha que ter fim.
a poesia do homem na esquina virava-me as costas no momento em que o rio levava para casa o alimento de duas famílias. o homem estaria fingindo que nada acontecia ou era só meio par de sorriso disfarçado para as moças que observavam pela janela? que voz fraca para dissimular lirismo, quanta fragilidade para essa gente.
percebi, ainda em meu quarto, que o homem morreria em pouco tempo. o coração apertado, a margem do rio poderia despencar e por mais que eu pensasse em sair de casa, não o faria. ele precisava morrer afogado. as mãos cheias de areia, o rosto cheio de areia.
mais uma vez, olhei para céu nebuloso através da janela. era a vida acontecendo pela primeira vez. ele não estava mais perto do rio. a chuva cessaria gradualmente.
de toda aquela terra molhada brotaria uma árvore robusta com seu tronco avermelhado que sossega o peito com as folhas e fareja em decassílabo todos os quartos de gente em solidão.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

a.

pictórico pode ser
a expressão de um desastre
elementar
para que a forma do
caderno santé tome
vida
com o coração de renda

b.

il fait chaud
se vem o calor
acalmaria todo o espaço
quando a criança
era
um jovem batuta
não importa

c.

toda a angústia
clara no começo hediondo
é só a vontade de
cantar
pedem três entrelinhas
para homenagear
o decurso
de seu habitat.

trilogia da saudade (ou) capítulo inteiro de sentir-se em falta. 2009.

a.

reconhece que são
setenta e três bolinhas
amarelas azuis
e vermelhas
desembocadas na xícara

b.

diz-se que não há tempo
para as especulações
de seu movimento
como quando
por pura vontade vontade própria
despedaça
em são paulo

c.

no fim tudo é café
misturado com água do mar
doce e sal
podem ser nutritivos
quando não se tem
e se tem!
paladar

trilogia da saudade (ou) capítulo inteiro de sentir-se em falta. 2009.
a.

vai embora para
o inverno
que vem com o cheiro
do cigarro
e só ouço o barulho
das borboletas sem cor
no banheiro ladrilhado

b.

faz que desata
todos os nós
da árvore de natal
e queima a ponta
errada
do cigarro
para que miró
ascenda o losango

c.

entenda que seu
despertador
não conta os números primos
que versam sobre o capítulo
do livro
que de bonito,
meu bem,
regressa a grenoble
perto de paris
só há
dois cartões postais.

trilogia da saudade (ou) capítulo inteiro de sentir-se em falta. 2009.

domingo, 18 de outubro de 2009

você me deixou escrito que alguma coisa aconteceria.

eu aqui, sem dormir
faço de conta que aconteço na manhã seguinte
do mesmo horário de verão

pois eu sei que vou ficar acordado
e parado
quietinho para tudo o que possa vir

eu te deixei escrito que não saberia contar as horas.

domingo, 4 de outubro de 2009

eu vejo histórias correndo no centro de goiânia, vejo a moça dona do bar vendendo cigarro do paraguai, tudo mais barato, vejo a menina virar a alameda depois da faculdade, a casa cheia de amigos, vejo a tela do computador infestada de imagens, vejo o boneco de pano encostado na escrivaninha, vejo também o menino chorando quando se despede, vejo o homem traindo sua mulher desgostosa, que ainda não sabe, mas saberá, vejo a loja de artigos retrô inundada pela chuva de fim de ano, vejo a chamada do celular do outro menino, que gosta de verde, vejo eles cruzando a avenida para comprar sorvete, vejo o caderno de italiano e o boletim indicando pouco aproveitamento, vejo o passé composé do francês, vejo o insatisfeito trabalhador da padaria preparando o misto quente, vejo o amigo aparecendo no apartamento, tão disforme, tão inseguro, vejo o carro estacionado na rua principal, vejo o ônibus preparando as pessoas para descer no último ponto, vejo o segredo dele virando piada, vejo a manhã se recobrindo de passarinhos das primaveras, vejo tudo se aproximando para ficar em nonassílabo
eu vejo tudo isso em mim, todo dia, virando novas poesias

sábado, 26 de setembro de 2009

eu devo dar um pulo aí.
quando? talvez eu já nem sou mais daqui...
mas eu vou igual, ora.

estou vivendo para que tudo dê certo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

o cinema fica abrindo em mim um tratado de cores de épocas remotas que fazem girar, desde a infância, o tema do conhecimento pelas aparências, motivo do século xix, logo de si mesmo.
faz com que eu me derreta em toda sala de cinema, cujo filme se apresenta a um diálogo interno, subjacente, responsável. faz com que eu me deite na poltrona e me torna um objeto sem causa, brinquedinho sem fundamento de uma experiência viva.
é injusto porque sou só dele, as coisas param, o mundo silencia lá fora e eu, como seu tema, abro sua janela do mar, frame por frame.
- claro. muito, olha só como você está, benedito.
- acho que essa história é sua, é um pouco agresssiva.

e choro porque não devo. e choro porque sou só ci.

sábado, 19 de setembro de 2009

eu vejo as ruas chorarem
sempre quando chove na cidade
mas sou só um para
dar aquela vontade de me molhar
do choro, de você, de mim
que só chovo
sempre quando chove na cidade

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

livros bonitos sabem emudecer de paixão.
não foi capaz de dizer 'não dá' ou 'sim'. mas como, por exemplo, esse exemplo cansativo de proteção, de fingir que vai dar tudo certo ou 'não reclame é só uma ausência' pode terminar assim, camuflada numa espécie de garoto maduro?
devo confessar que é extremamente apropriado ao seu mundo fantasmagórico. só se ouvem vozes. não corre pro escuro.

abra as minhas pálpebras para que eu me veja: quero estar completamente distante para não precisar, em todo o tempo, lembrar-me.

quero somente os meus pensamentos sem razão. eu estou sorrindo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

o peito se encheu de esperança para dar o próximo passo.

domingo, 13 de setembro de 2009

os meus olhos permaneceram estáticos por alguns segundos pelo incopetência do chorar sem fim e então só depois voltaram a ver o mundo com todas as outras cores por insistência do bem que me fez
ela decidiu sair.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

vez ou outra eu recolho no jornal
a fotografia sem querer saber de mim
morada de todo o passar
instante de não sim não sim
acontece quando tudo está dizendo sim em tom dessimétrico
disseram que há uma ruptura na paz
que o faz chorar quando lê os meus poemas
para consolar a sua doçura
mas me visita toda noite
que nem bichinho sem mãe

me redesconto a cada balançada de ar que guia as minhas pétalas - como? - mas pode sim, pode sim me chamar de flor, que é quando acho graça da sensação do movimento retilíneo uniforme me subtrai em qualquer sensação me desvairo pelo chão e não há chuva frágil capaz de me abrigar

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

pois então a minha videoarte ficou pronta.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

vem ver o mar que há em mim

domingo, 30 de agosto de 2009

ela, a vida
se recobre e recolhe todos os dias
no sol das horas às 3 da manhã

afinal de contas
é por conta própria
e de coração arredio
que nos ajunta
em meio ao apartamento no centro da cidade

que nem o percurso da padaria
me ensina de pouquinho
a minha herança, um adeus

afinal de contas
é por reconhecimento
o que há em si
que nos afasta, com certeza
o meu eu você e o seu você eu

vocês foram embora e eu me senti desamparado. não sei mais dos teus sinais porque acostumei-me aqui no centro, acostumei-me ao descobrir-me. é devagar como as tuas vindas.
vocês foram porque era a hora, como quando eu vou. eu acho bonito demais o sorriso, o jeito delicado de me apertar e dizer um "tá tudo tão bem" por diante.
e para os próximos anos, vocês sinalizam: "filho, o seu coração é extremamente fraco."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

repousando amor.

domingo, 23 de agosto de 2009

"não tenha medo. existem as coisas ruins. existem as ruins que vêm pra o bene. e o bene vence o mal."

sábado, 22 de agosto de 2009

mas se eu te rabisco
é pra embrulhar meu amor
você escolhe a tesoura
e corta em haikai

como eu te espero terminar
o que nunca teve passado
se eu engasgar dois vocábulos
executo a tarefa

e atiro a primeira pedra
sou tão levadiço
então dou feito e forma a ti
uma linha retilínea

com agora instante ocasião
eis a minha precisão.
"você trata as coisas com tanta frieza."
você pediu para que eu permanecesse estático, disse que eu deveria ficar quieto, na segunda vez, embora me impulssionasse até aquele nosso lugar semi-iluminado, espaço de falhas, para nomear o erro. atendeu ao telefone e não desviou o olhar de mim, esperando que eu esperneasse. fiz o contrário, claro.
mas eu ri e só pude concluir que havia perdido e estava ali para reparar dano algum, afinal eu errava e você fingia ter as respostas para os nossos erros cometidos sempre que um mencionava as faltas do outro. não peça silêncio agora pois terei todo o tempo do mundo, o meu prêmio de consolação do vazio, para justificar o meu amor... e basta você colocar seus pingos nos is para que, pelo visto não vou terminar, o começo tenha fim.
vou ver de perto o mar. vou ver de perto você errar no silêncio enquanto grita pelo meu coração. você, tirando o meu fôlego, "ainda gosto de você". para quatro palavras apenas você não hesita.
te conto que meu coração está em pedaços, você vê e se apega. "eu não posso mais chegar até aqui". "mas você já veio". vou te chamar até aqui para chorar e dormir abraçado. no outro dia você vai embora cedo e vou sorrir sem fôlego. "eu nunca te amei, coração". logo a resposta me aparece com uma risada sem jeito e inteligível. um grande amor também tem seus dias de pequenez absoluta. e tem a falta de ar.
cigarros servem para aquecer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

livros bonitos precisam de balões voando.
quando você retornou eu sugeri o restaurante próximo à avenida em que andávamos a pé, sem forma e conteúdo, parecendo um bocado de versos brancos à deriva; senti vontade de te convencer a me pedir perdão, mas o seu rosto tinha o formato de um coração e não, eu não poderia forçar nada, afinal já não havia nenhum laço colorido entre nós, pois tudo o que importava, dos girassóis ao desenhos de cinema, foram para lá. mas se eu te valorizo e se o seu rosto pálido me lembra um coração, talvez eu pudesse dizer alguma palavra bonita enquanto você chora.
-eu estou tão engasgado...
e você se assusta.
-...preciso vomitar todo o meu amor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

essa é a segunda vez e, por favor, é a última que estou chegando por essas bandas.

domingo, 2 de agosto de 2009

então vem
e decora de azul o meu
estar
que fica aqui
do tamanho do mar
em breve aí

quinta-feira, 16 de julho de 2009

esta cidade é quente. e é um quente pelos ambientes e à sua maneira de equilibrar o decurso do tempo e do espaço. a cidade tem amor ao amarelo que extrapola as dimensões da arquitetura estacionada no centro histórico e o complexo de seu centro cultural, cuja permanência reflete a poética da imagem da caixinha
podia ser a nordestina da adriana falcão e podia ser uma cidade espanhola isolada numa fração de segundo, como um viajante que pede para morrer embora não o deseje de alma, só para continuar caminhando. e pode ser também um futuro bonito que pouco sorri e então, como nos palhaços de seus espetáculos teatrais, pede um sorriso de quem por aqui passa, se resgata e aprende.
ora, se aqui é tempo e espaço, é também fragilidade. mas não a costumeira, não a almofada que ampara, mas a que pede consolo para quem sorri de tédio ou sorri de leve. e levo desse amarelo as fotografias que abrem e fecham janelas,o meu sentir-se mais humano e o afago do céu refletido em seu lago de noite à beira de uma lua em ataque de nervos, afinal de contas ela não pode dialogar com o amarelo do sol.
minha gente, plantem árvores e contem as suas favoritas histórias, princípio da documentação - fotográfica, jornalística, audiovisual – para essa desordem de conteúdo que nos é ofertada. contem sobre aqui para os vilarejos seguintes, desçam no primeiro estabelecimento e peçam um quitute, rememorem os motivos para o entendimento de seus domingos.
as histórias contadas para uma câmera podem alçar o fôlego não emprestado ao seu centro histórico, podem conter o roteiro lábil do espaço e, como o amarelo, são sínteses de estima, formação e amadurecimento. elas não pedem para atuar, só podem para ser vocês mesmos e o aqui.

acho bonito quando volto maior para casa e, maior aqui nessa terra, é ser amarelo.

(este texto é dedicado ao seu paulo que escreveu que a solidão também pode ser proveitosa e, por sinal, fez uma árvore de natal amarela.)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ela desligou o barulho. fechou a cortina. esperou que ele sentasse ao seu lado, àquela maneira petulante e fragilizada, para ela. deitou a cabeça na almofada da amiga e sorriu bem devagar. fingiu que estava dormindo e murmurou que não poderia morrer de amor porque precisava viver para continuar amando sua fragilidade.
então ele sorriu de leve. ela só levou o sorriso e o jeans. estava escuro demais para morrer de amor, sozinha demais para morrer de amor e, sobre o amor, ela sabia pouco.
tão pouco que também sorriu.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

sai de dentro da mochila.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

posso fechar e abrir todas as janelas
aqui, onde o coração repousa, sou ainda só

saudade se ver

quinta-feira, 18 de junho de 2009

eu também faço imagens aqui.

domingo, 7 de junho de 2009

sentir-se mais humano.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

mas aí ela entendeu que nem sempre a melhor das intenções dão certo. tem horas que recuar, esperar e reconciliar com a verdade não fazem com que o eu-dela se destrua.

sábado, 30 de maio de 2009

vou colorir o seu céu, posso?
de verde ou azul?
eu pensei em laranja.
ai, laranja é tão feio.
feito sabor de laranja, não é?
não publica isso não...
deixa o céu e fala da saudade de subir em um pé-de-laranja, pedro
raul disse que não poderia continuar seguindo aqueles passos, falou de seus sofrimentos como quem vai ao açougue e acaba comprando legumes.
não chorou, tampouco desacreditou na farsa que é o amor. fechou o caderno, pegou o fósforo e deu por fim toda a história; deitou-se na cama, cerveja no chão molhado do quarto, e deixou o ar entrar duas, três, quatro vezes. não hesitou na escolha do poema da adélia, não pediu o caminho de volta ao taxista e não teve vergonha quando disse, aos berros, que seria a última vez que ali, no setor noroeste da cidade, que a dor se manifestaria. foi para casa com três desejos e também não (se) esfregou no gênio da lâmpada. era o ele-raul e só ele, e deus. tudo tão pequeno, tão corrosivo, tão não. mas sim, hoje eles, raul e renato, tinham motivos para comemorar a desordem e as lágrimas de outrora. tinham motivos para plantar uma árvore e apalpar o primeiro fruto sem sabor de uma desgraça que, para o terceiro, não era tão importante. tinham motivos para descer no primeiro bar e pedir quantas bebidas quisessem.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

é quando eu durmo que decido que o seu instante parece eterno. não quero ser vítima dele, mas preciso transparecer força, ou qualquer coisa que seja tocável, feito seus desenhos.
eu preciso do eterno-sempre para decidir se terminamos em câncer ou amor.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

já tenho mais motivos para entender o dia-a-dia de um domingo.

sábado, 23 de maio de 2009

luísa se sentiu usada como quem gasta o pouco do tempo com refrigerante e bolacha recheada. parecia até brincadeira de plot-point de roteiro, só que não era. ela queria voar naquela hora, e não apenas. ele disse que poderiam fazer alguma coisa, se queria, naquele intervalo. perguntou se ali, naquele seu tão espaço, ela estaria disposta. foi. chorou com o fim por não querer abrir as próprias asas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

tudo pode ele

segunda-feira, 18 de maio de 2009

me explica direito onde fica a tua casa?
huum, fica...
hahaha, acho bonito quando você explica as coisas.
ué, por que?
é que parece que a gente, que tudo, que a vida só tem 6 minutos.
hahaha.
vai, continua a explicar...
mas a gente só tem 6 minutos!
hahaha. tem?
é, tem
vem logo, vem. não quero ter só 3 pra ficar ao seu lado.
ontem eu vi uma formiga subir a árvore da porta da minha casa
só que aí eu lembrei que isso é coisa do manoel de barros

sexta-feira, 15 de maio de 2009

liga essa câmera pra brincar com ela de cinema
faz cinema como quem faz sexo
representa quem você quiser
faz mímese de poeta, de dor e de barraco
aperta rec para ela atuar

quinta-feira, 14 de maio de 2009

te achei, como quem acha uma agulha no mar, no ponto de ônibus chorando.
o seu cabelo era mais claro ou é que era cedo demais? parece que era 6h45. bonito o teu olhar. quando entrou, meio espremido pela senhora gorda da mochila azul, eu lancei um sorriso pequeno para longe, para perto da porta, só que você não notou. é engraçado o seu ar de desatenção, eu brigaria com você no terceiro mês de namoro, brigaria para que você concentrasse em mim. lá vai eu...
na parte 01 do corredor, os dedos cruzados, para que alguma força ou a sua própria te levasse até o meu canto. eu tive vontade de cantar alguma da carla bruni (vi a sua pasta do francês!) para você vir. achei tão bonito quando você colocou o fone de ouvido, provavelmente escutando "ficou tudo lindo, de manhã cedinho" ou "e lá vai deus sem... saibamos pois, estamos sós" ou ah, o que você escuta mesmo? quem te apetece?
toquei os seus dedos na hora de você descer naquela praça grande, esqueço sempre o nome dela... e, por hora por pontos por receitas por fugas, nunca perguntei o seu.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

a nuvem subiu, subiu, subiu...
fazia uma sombra seca no rosto suado de joão enquanto ele terminava de se despedir. os olhos, vermelhos de tanto chorar, cambaleavam de dor e, vez ou outra, coçava com os dedos enfaixados. o avô pediu que ele não se preocupasse, que isso de dizer adeus é coisa boba, é coisa passageira, que logo se esquece e quando se vê, plim, estavam juntos novamente.
joão precisava estar ali porque sabia que aos 40, daqui 20 anos, se arrependeria de um bocado de coisas que não fez, amor-amarrado por exemplo. não teria o avô para sempre, não teria...
lançou-lhe um beijo e colocou o óculos-de-sol e permaneceu sentado na mureta de dona perpétua. terminou de ver a nuvem, voltou para o quarto e esperou o carro antigo do avô antigo ir embora e desaparecer no cerrado de setembro. esperou a chuva cair. caiu.
voltou para a mureta, sozinho, e choveu com a chuva.

segunda-feira, 11 de maio de 2009



cem histórias para um livro bonito.

as histórias do antigo, as do novo, das outras pessoas, as de sempre, as de papel, de livro, de porto, de sentir-me

e, por favor, eu gosto de me sentir cem
ele queria dizer a ela o que já sabia
(amor é medo, julia)
ela resolveu pegar as malas e ir para o fim do país
(duda, to indo pro chile)
todas as manhãs eles perdiam os caminhos
(o seu é o da esquerda, duda?)
dizem que não sabiam olhar para o destino
(fiquei sabendo que a julia...)
que aparecia em sonhos, nas fotografias do mar, no trajeto do ônibus
(eu tive um sonho estranho, você não tinha cor...)
(venha ver a minha foto nova, venha)
(olha só a chuva batendo no canto esquerdo, duda)

ela ia dormir todas as manhãs sem roupa
ele segurava a emoção com as pontas dos pés
(julia, não me faça isso agora, não faça a desatenção)

desviavam da cabeça o barulho da avenida
(vrrruuum brrrummmm vrrrruuuuum)
e se concentravam no abraço menos falado do mundo
(e se encontravam entre os parentêses)
ela se lançou ao amor só para se espatifar no chão
tudoissonumplanosequencia

a ideia de amor não merece raccord

sábado, 9 de maio de 2009

acho tão bonito quando me dizem que deu certo. eu fico me sentindo completo, uma coca-cola de 3 litros cheia de gás. e quando me aparece pra dizer que tá tudo bem, de mansinho, logo cedo, janela. me dá vontade de rir, rio, e então eu reforço minha energia e toda a vontade de remar, remar, remar... todo meu fim de tarde é de encantamento. pelas imagens, pela janela, pelo centro, pelo tudo-está-dando-certo.

ai, me abraça e deixa eu ficar do lado de vocês até o outro dia? deixa?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

a tua imagem é feita de cristal e é simbólica, não é representativa, não é laica, não tem textura, não tem cor, não tem cheiro... não tem educação.
acho até que não tem peso, pois não ocupa mais nada.

domingo, 3 de maio de 2009

(...)
cuando me pides / alma ayúdame
siento que el frío me envilece
que se me van la magia y la dulzura

benedetti, m.
gosto de como você entende do quanto eu preciso de cuidados.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

eles apagaram a luz
para dançar

bodas de papel

eles terminaram o café
para se gostar

terça-feira, 28 de abril de 2009

hoje eu perguntei a eles sobre a primeira decisão de imagem na vida.

domingo, 26 de abril de 2009

vai acontecer de um dia a aprendizagem do amor. vai ser simples e frustrante, afinal esse tipo de simplicidade comove a alma em razão de uma frustração. esse algo obstrui o guia dos prazeres só para alcançar, de tempos em tempos, a consciência de poeta choroso.
deverá existir em algum lugar uma violência mais comedida, mais respeitosa. os falta pensar que não deu certo e que ainda não há uma pontinha de sentimento? pois então ele fica com o romantismo, deixa toda essa parafernália idiota da modernidade para se sentir mais alma na alma. acerta na cabeça deles o rádio que toca o cartola.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

hoje eu me lembrei de como tudo pode ser difícil. me lembrei quando troquei a roupa. parece coisa de sentido.
só que hoje eu não posso, eu vou brincar de rir.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

foi bom saber que você é real.

sábado, 18 de abril de 2009

você fica mudando o meu coração somente para adaptar aquela notícia de 1968 do jornal pra hoje. eu fico me sentindo sem lugar e sem paciência porque sempre que termino os meus quadros você me aparece, nos quadros, no coração e nas imagens. ele devia saber que quando acorda, na sua cama logo pela manhã, tem alguém, não muito longe, que te faz em desenho.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

felipe, vira do avesso e osseva od ariv epilef
e não brinca de silêncio, não

(afinal felipe também gosta de como as palavras privilegiam, sempre, ele mesmo)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

a vida repousa no raio de sol
que enfrenta a cortina de metal
para fazer brilho
no papel
no tênis
no memorando
que estão ao lado da cama.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

eu também me faço aqui.

domingo, 12 de abril de 2009

para as lágrimas, o guarda-chuva verde dela. para as cócegas, o livro de piada de ceguinhos. para as notas, todos os boletins de ocorrência de amor. para as dores, todos os poemas do drummond.
de solange para márcio

"márcio, leva a sua metade antes que eu me atire
leva comigo
leva a sua metade antes que eu me vire
leva consigo
leva a sua metade
porque, por aqui, já não há mais de mim"

no dia em que ela descobriu que ele pretendia ir embora.

sábado, 11 de abril de 2009

há tantas cores.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

gostava de perceber como aqueles tempos eram duradouros para compensar toda a falta.
a metade exilada dele é a onda crescente de sono, a metade sem inquietude, o sentido que deu por perdido.
ao seu pedaço só resta o castigo de não querer ir seguro, de se machucar, de se machucar em amor, e por definição prática, dor.

domingo, 5 de abril de 2009

porque, para mim, toda a alegoria é chacota, plasticidade irrevogável da dobra da aparência, todo aquele finge-que-vai pro dá de lá e a asneira do erro. é tolice como se tem levado, é tolice. pois pode ser que esses tempos, tudo ao seu modo, cambie. pode ser que se acostume, pode ser que se relute.

mas hoje, só hoje, eu não estou só. devagar na dedicação, benedito, te faço sorrir de todas as cores.

sábado, 4 de abril de 2009

agora, enfim, todos podem dormir. vale lembrar que o mágico, do teatro, continua.

terça-feira, 24 de março de 2009

terminar a faculdade é tão engraçado.

domingo, 22 de março de 2009

você me fala como se o meu tudo, que nunca começa com 't', mas com 'f' (de fim?), fosse uma brincadeira, um piada de domingo ou um espetáculo de ciranda.

faça favor fique

segunda-feira, 16 de março de 2009

hoje o meu coração pediu colo. hoje o meu coração pediu colo e cama.
pediu colo porque, por ser um coração de passarinho, precisa de ninho. e colo é ninho. acontece que, quando eu chego em casa, só tenho tempo pra minha cama. hoje eu estive cansado.
e pediu cama como uma segunda opção, sem compromisso com o tempo. então, eu acordo e sinto que as coisas, tudo, estão passando... tudo está passando... e me dá vontade de chorar.

eu fico com ele - o coração - ainda mais vermelho.

domingo, 15 de março de 2009

todo tempo e espaço para o cinema.

terça-feira, 10 de março de 2009

"esposa, o que te faz assim, pra mim, não são as tuas bobas qualidades, mas a cara que faz quando eu pergunto a ti para onde e como a gente vai."

"carolina , prometo que, daqui por diante, termino os cálculos e, de mês em mês, a gente segue radiante."

"igor, ruim é escolher o caminho mais difícil. mas não tem jeito! é assim pq pra gente é assim. a outra metade do ruim é o espaço, você sabe. dá vontade de deitar na cama e deixar o mundo acabar em sono. dani."

bilhetes para porta de geladeira.

sábado, 7 de março de 2009

olha pra depois se esconder. deveria ter um nome, deveria.

terça-feira, 3 de março de 2009

eu me lembro da imagem do cinema pouco focada. eu me lembro também do encosto verde da cadeira do cinema. e depois, depois do meu faux-raccord, os diálogos perderam os sentidos do tempo. era dois e o só.

domingo, 1 de março de 2009

ele se mostrava para ela. ela se mostrava para os outros (que não eram tão outros assim...). ele levantava a cabeça para que ela o visse. os olhos dela estavam fechados. ele acenava. os olhos continuavam fechados.

ela sorriu. é que eles estavam sorrindo enquanto ele tentava dizer que estava ali, bem próximo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

no mês 03 da vida, ele sentiu aquela imensa vontade de dizer um olá, saber em que pés as coisas andavam e em que estrutura elas estavam dimensionadas.
só sobrava o barulhinho inoportuno do semáforo, o preço da flor, trajeto de casa e videoclipe. ele, até o meio de março, teria um ataque. um ataque de violências.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

ela terminou a contagem do tempo com a mala no chão. agora ela volta pra casa, um de seus milhares lugares.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

eles apagaram a luz
para dançar

bodas de papel

zigue-zague em dois
para gostar

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

a imagem-real dele era linda e, ao mesmo tempo, medonha. ele sabia que dava pra desmontá-lo, como de desmontam as palavras em sacos de plástico cubistas. ele estava ali, encostado na mesinha de mármore, de camiseta branca e chinelos verdes, parado, filosofando, mergulhando o olhar naquilo que eles chamavam de 'sentir'. era real, portanto, era de carne e osso. mais osso que carne, mais cabelos que dedos, mais tórax que umbigo, mais aperto que saudade, mais desejo que arrependimento, mais real que sonho, mais tato que audição, mais bem que mau...
eram eles e as fragilidades do outro, só.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

não, ele não queria estar apenas naquele novo ambiente... ele queria ser o novo ambiente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

- recolhe, pois, toda a mercadoria, todo o afeto e o tecido amarelo.

- eu vou e preciso do seu abraço.
- você não deveria pedir nada, se quer saber...
- assim eu fico mais só, coração...
- só saudade.
sentir-se é um descrédito no mundo. é recolher as fotografias expostas no mural prateado sem pestanejar. é calcular o valor do troco só quando a porta de casa está aberta. é terminar o curso de francês e, sem mais, optar pela espanha. é, se quer saber de nós, não pagar o valor 0+10 do apartamento. é correr o risco de amar e, logo após, se jogar no poço de borboletas amarelas do estômago.

sentir-se é adotar o ponto de vista da felicidade.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ela entendera que o tempo perdido, sem ação tampouco pretérito, começara a correr, por simples decisão emotiva. no ar, o vestido com desenhos de pequenas flores, estendido, derramava as gotinhas d'água e todas as moléculas aquosas. era, para tanto, o dia de vesti-lo e debruçar-se, pela primeira vez, incólume, nos arredores do quarteirão da outra menina.
doava a força interna aos pedais da bicicleta desgastada e ia, assim, em direção à carroça enfunada de quinquilharias do pai da garota. no ar...
- se afasta da catarina, milena.
danou-se a chorar porque sabia que não conseguiria e, como a água que corre, retornaria ao ponto de partida, e tornaria a se machucar ou aquilo que ele chamava de 'machucar os outros'.
-pai, estaciona a égua. eu quero descer.

então ele lançou o animal à outra menina e só assim se deu por satisfeito.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

só sei que o azul matou o amarelo por causa do verde.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

para tanto, deus escondeu o pote de sal da criança menor e assim que as refeições do dia eram anunciadas, incubia a criança maior de procurar, por puro prazer, o recipiente.
foi então que as duas, a menor e a maior, abriram o potinho de diâmetro insignificante e daí saiu o mar.
- juca, é por isso que é salgado...

domingo, 25 de janeiro de 2009

sulquei o chão para que os passarinhos, hoje de manhã, não tivessem problemas com as asas e assim, bem devagar, celebrassem os novos raios de sol.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

bonito mesmo era ver como ela se compunha de silêncios assim que a tia costureira terminava o vestido de manga balonê para a festa de elias. as palavras se desprendiam das pontas da seda e, como num passe de mágica, os passarinhos atenciosos de setembro, voavam em cojunto até o brilhos pequenos nas pontas da manga do vestido. "deve ser que eles imaginem que sejam besouros, tia". as duas terminavam em risos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

she lives with an orange tree and a girl that does yoga she picks the dead ones from the ground when we come over and she gives i get without giving anything to me like a morning sun like a morning like a morning sun like a good good morning sun the girl that does yog awhen we come over the girl that does yoga

domingo, 11 de janeiro de 2009

então tá, vamos passar algumas páginas antigas.
vou colecioná-las do lado direito da prateleira e, a partir de agora, rememorar com açúcar e com afeto os fatos que, de tão fatos, parecem sustantivos palavras secas que impelem alguns traços futuros.
ao que me parece, de antemão, a leveza de um tempo, o ano passado, camuflada, desonesta, que acabaria deflagrando esse ano, tão tortuoso, tão instável, tão irrelutável. sim, ainda estamos em janeiro. é o meu mês, é o mês de chuva... mas eu já sinto tanto medo... e sinto muito por mim, sinto aquelas dores de quando você é menor, na idade e no entendimento, aquelas dores de brincadeiras de pipa, corre-corre e esconderijo. são dores que aparecem nas horas do gozo, da juventude e do acompanhar das formiguinhas verdes ao formigueiro.
quando contei que vinha pra te bucar, passado, eu não previa que os danos, não tão morais, puxariam alguns fragmentos como de quando, em março, me mandei para pirenópolis atrás de uma mostra de cinema. então foi lá que os descaminhos da produção e a minha língua, meu cérebro e todo o meu riso despencaram lá da ponte. foi bom, é sempre lindo tê-los. preciso recortar as páginas daquele capítulo e, adiante, transcrevê-las na página próxima todas as similitudes e não-proximidades do sentimento compartilhado em janeiro do mesmo ano.
é bom que o vento saiba de como nós mudamos no decorrer do ano, desbotando e aumentando o nível de cor. talvez eu nem seja mais uma aquarela, tenho perdido demais as minhas cores. tenho me sentido muito. o importante nesse momento, cheio de inseguranças e esperas, que eu ainda amo com elegância o "tudo vai ficar bem", "tudo vai ficar bem", "tudo vai ficar bem"... essa iniciativa de colocar dentro de um carro, de um pequeno carro, todas as dívidas e as coisas que, com o tempo, mudam e aquelas que, indiscretamente, permanecem na gavetinha nº 4 do coração. "tudo vai ficar bem".
ao amor dos meus pais. "não fique assim desse jeito, não se desaponte". "a minha superfície já está redonda, pai. eu preciso seguir adiante". a coleção de pedrinhas brilhantes do meu pai, ambientada na estante da sala. o jeitinho como ele está deitado no sofá me observado entre um diálogo e outro da novela... "você já fez suas malas?".
ah, coração, aos meus chás dos últimos dias dezembro. a responsabilidade ainda imatura, escondida no encosto florido da poltrona, de compreender o espaço fílmico. a minha chance, aos vinte anos não completos, se instauram agora, nesse semestre.
tenho sido rancoroso comigo mesmo. tenho me dado poucas chances.
eu fui dizendo, amparado pelo telefonema da minha mãe, que viajar com todos eles em julho foi inesquecível. é lindo como ela tem entendido esse tipo de sentimento. é crisântemo e sincero.
demora não.
vou me encarregar, último-setembro, de me aproximar ainda mais do arcaico, da medida da versatilidade e dos não-lugares. ao som do show em brasília e da família lago norte. a eles e à música daquele. ao nosso carinho.
disse, em algum escrito, que quero tê-los, todos os meus amigos, todos os nossos abraços nos próximos meses. aliciar os sonhos e, marcando o dia e a noite, terminar as primeras estrofes. são primeiras, como somos. primeiros, instáveis, inseguros, pontilhados para transcrever a linha à lápis-de-cor. foi esse o instante: desabotoar a calça, colocar uma bermuda e, em seguida, trabalhar com amor a tinta colorida. depois os lápis-de-cor. é ali, dentro da latinha dos lápis que está a sobremesa desse ano, o teletransporte do meu sentido, agora.
o quarto já não está mais escuro. eu não vou precisar de janelas tão grandes pq, sem segredo, posso atravesar dois ou quatro quarteirões e avistar outros espaços. posso ouvir a música da cicatriz e o burburinho de 69 nos decibéis pretendidos.
eu posso ser mais eu, mesmo que me sinta um plural. me deixo como as pedrinhas brilhantes do meu pai. quietinhas, organizadas e decorativas. e ao coração? já tá longe, já tá longe. fica vagando em cada um dos 365 dias do 2008.

voa coração; não descansa, tem alguns quarteirões pra gente atravessar...