segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

o tempo me cansa. mais que a espera, bem mais.

domingo, 28 de dezembro de 2008

quem é encontrado jamais procura. uma pena. leve.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

então eles estavam sentados no canto esquerdo da sala e não estavam nem aí para o barulho enigmático do ventilador. era estranho olhar para o diâmetro do aparelho e, sob a mesma situação, espalhar o ar-interior que cada um dos dois tinham.
era bonito como os desenhos tomavam formas no papel do menino nº 1. começavam os rabiscos e o 2 abraçava os bracinhos dos monstrinhos das festas das bruxas. ali só havia o barulho do ventilador, tão 'oi, como você tá?'.
eles não podiam dormir porque estavam em observação. vez ou outra davam as mãos e, em seguida, repetiam versinhos para a menina ao lado, tão nostálgica, tão despercebida.
bonito era quando o ventilador fazia seus cabelos pelo ar. parecia até festa das bruxas. o pobre do calendário marcava 25 de dezembro, a bagatela do natal. não, nenhuma porcaria do primeiro de abril.
eles precisavam de vento e calendário sempre.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

a todos: cuidem do amor, cuidem.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

escrever aqui é como abraçar o meu redor e refletir dois ou mais pequenos segredos que eu resolveria numa também pequena conversa lá no fundinho do quarteirão.
quando eu escrevo é quando eu permito que a minha dor, não no sentido mais recorrente da palavra, volte atrás e assim possa brotar semente.
a digressão mais comum (e fiel) na participação, repartição, dos meus sentidos nas palavras não devem ser enleada com aquilo que se chama de diário. tampouco bilhete. às vezes parece, mas não desejo rememorar ou ainda estabelecer uma espécie de ibge dos meus sentimentos.
se eu ouço duas ou mais pequenas canções (anotadas no canto superior da tela) eu me sinto tão bem, tão em casa. não sei, talvez escrever supra a idéia de espaço que eu tanto tenho desprezado.

pode ser dolorosa a expresão, o retalhamento dos 'r', 't', 'f' ou ainda as curvas perigosas do 's', 'c', 'g'.
as vogais sempre são mais doces, porém eu estou aqui pra me machucar, dar a cara à tapa e me perder no labirinto. escrever é demasiadamente doloroso.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

recebi dele que prever o futuro é inventá-lo. dá vontade de ter os dois só pra mim.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

amansar os olhos, pelo menos cinco vezes ao dia, faz bem ao coração. a escrituras da imagem e toda a sua dilética contribuem assustadoramente para o 'o que se tem de bom'.
acontece que tem imagens demais e poucas pessoas para a dedicação. é só ver, de um ponto seguro, a vastidão da maldade.
esse filme não ganharia nem 5 estrelinhas.
mais tarde.

domingo, 7 de dezembro de 2008

então o amigo disse que eu não podia usar o que ele me dizia contra ele.

domingo, 23 de novembro de 2008

se você melhorar de vez e voltar, na semana que vem, com tudo certinho (isso também vale para os papéis que precisam do carimbo e da nossa liberdade) eu prometo que brinco de ser você e também de ser alma que acompanha. afinal de contas pra gente ser um um falta dois.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

ontem, voltando para casa, me veio uma preguiça de tanta coisa. deu vontade de segurar tudo pelas mãos e guardar dentro de uma latinha de rolo de filme, só pra ela poder ser despachada para sp.
parte desses sentimentos acontecem geralmente quando eu estou dentro do ônibus, voltando para casa, e as luzes de natal, de algumas ruas, contribuem satisfatoriamente para tudo isso. não é a primeira vez e nem será apenas.
é bom que não seja pq isso me confunde de uma maneira gostosa e eu recaio no senso comum da discussão "técnica-teoria". de manhã, hoje, tem uma pequenina salvação para tal "dúvida mortal". então eu vôo atrás de um abraço mais conciso e fecho a janela do meu quarto.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

afinal de contas as formigas são pequenininhas demais... em outro verde.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

chove em goiânia, minha gente.
eu fui pra chuva às 17h34. o relógio marca 19h25. daqui a pouco tem ônibus e "quadros, débora, áfrica e pra quem encontrar". vão soltar as nossas borboletas na chuva goianiense.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

a meteorologista brinca não saber bem quando chove.
na segunda ela desce no bloco 2 da estação e fica por lá mesmo, 6h por dia, detectando possíveis mudanças climáticas e sintomas da mudança de estação.
da primavera pro verão, por exemplo, ela costuma sentir bastante frio. e neva! neva todos os dias, descogela a geladeira e aí neva. do outono pro inverno ela chove. chove pra poder sentir o gosto das flores que recolhe, no chão, ainda na primavera.
a sua cabine, lá na estação, fica repetindo, feito boba, o que já sabe de pressentimento.

sábado, 8 de novembro de 2008

amarelo é uma cor bonita.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

durante os dois últimos meses, a minha cabeça e todo o meu corpo têm se curvado propositalmente à quantidade de idéias que ficam borbulhando ao meu redor.
me pego pensando em cinema e imagem - toda a parafernália do dispositivo e as cadências da linguagem e estética - sempre que vou à universidade, no ônibus, e também quando desperto para algum tipo de imagem que, simulacro ou não, faça cócegas.
dia desses eu estava falando com a minha mãe sobre as nossas imagens, principalmente as que a gente cria a partir de algum tipo de visualidade que compartilhamos juntos. ela entendeu bem e concordou que é realmente importante persistir naquilo que o meu pai denomina de "pertencimento de mundo". na verdade ele nem sabe o quão bonita é essa teoria dele e, de maneira subjetiva, tenha optado por vivê-la, maneira mais eficaz de dominar toda a nossa historiografia.
antes de viajar, certo fim de semana, eu estava deitado na cama com os meus pais, minutos antes de ir. estava realmente escuro pois eu costumo viajar bem cedo. eu estava abraçando os dois quando me veio à cabeça "essa é uma boa imagem, eu queria poder vê-la".
acontece que se eu a "visse" não poderia tê-la só pra mim. toda essa utopia do cinema de vanguarda...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

quem se lembra ainda do instante em que uma porção de escolhas e sonhos imperam na massa cinzenta obrigando com que o cérebro opte pelo 1 ou pelo 2 se lembrará de como rápido voa o tempo.
e eis que assim, sobre idas (e não mais vindas pq o lugar e o tempo é assim, de apreço constante) e só idas, e mais idas... há mais de 30 meses que o estrangeiro - embora ele acabe retornando sempre que solicitado pelo dispositivo burocrático - toma lotações, invade os próprios percalços e fragilidades.
pareceu ouvir até mesmo as complicações futuras, as ternuras e o ardor, meio mundo de distância e toda aquela felicidade que dia ou mês o mundo acaba roubando. energicamente ele - o filhodaputa do mundo - mente.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

desaprender 48 horas por dia ensina os princípios.

(sobre os escritos de manoel de barros)

domingo, 12 de outubro de 2008

ricardo estava sentado na poltrona que ganhara da avó, tempos antes da primeira crise asmática que a levaria deste mundo. o móvel estava completamente surrado; os desenhos pequenos de flores amarelinhas permaneciam ofuscados pelo ombro do rapaz, além de toda a parafernália que trazia no pescoço.
ele costumaza dizer a todos que a poltrona detinha capacidades metafísicas, semelhantes às petulantes previsões da avó. quando o fim de tarde se instaurava, ele ocupava o assento e acendia, com juízo, o cigarro que comprara em parceria ao amigo. meditava sem sigilo, repetia algumas das canções favoritas dos tempos da faculdade de medicina e, apoiado pelo guardanapo, ateava fogo, a pontinha do cigarro, no braço nº2 da poltrona.

lá no fim do mundo, próximo ao diabo, estava a avó, completamente manca.

sábado, 11 de outubro de 2008

a videoarte (grafado sem hífen e sem acento) é uma forma de expressão artística que utiliza a tecnologia do vídeo em artes visuais. desde os anos 1960, a videoarte está associada a correntes de vanguarda.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

ele terminou de escrever aquele resumo em que determinava a coloração das texturas e, além disso, desembocava o último projeto no arquivo intitulado nº3.
o outro estava sentado diante do espelho, no terceiro cantinho do espaço maior e brincava com a personalidade do ambiente, rememorava os papéis-de-parede, as outras formas e, falando de maneira breve, condecorava o verde e o curto espaço de tempo em que a tinta poderia ser acolhida.

no fim da noite não disseram mais nada. o elevador do primeiro funcionou como um roteiro guia, somente com as instruções de uso, nada demais, não teria a coloração do segundo, obviamente. mas era seguro porque não permitia contra-argumentos e toda a apreciação informal da narração.

o segundo fez com que o traço primordial do movimento vert se alargasse, rompendo a penteadeira da sala, os azulejos da cozinha, o teto em papel fosco e o solado dos sapatos.

estavam presos aos quarenta anos.

domingo, 21 de setembro de 2008

adequação: eu sou pequeno demais pra ser um grande pássaro.

sábado, 20 de setembro de 2008

eu quero minha casa cheia dos meus amigos e coberta das nossas histórias.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

atirou o miúdo pedaço daquele pão-de-queijo para duas pombinhas que dividiam o mesmo espaço. o das manhãs, obviamente.
seguiu seu passo também miúdo até o fim do tempo e só então concluiu que ali, sentado em frente ao templo grande e sem cor, estava realmente mais vivo, mas forte... mesmo só pela manhã.

-é, deus, parece que o jogo dele tem razão.
-ele perde e ganha, ganha e perde, você sabe.
-deixa, vai...
-tudo bem, por hora.
-deixa todas as horas da manhã?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

tenho um texto bonito pra colocar aqui depois. esse só foi um recado pra não esquecer.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

eu quero l, l, j, f pra sempre, pra sempre...

p s p s

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

... sem notar que a nossa estrela vai cair.

domingo, 31 de agosto de 2008

vem.
por alguns instantes ele sentiu a imensa dor da perda. era o mártir de amar.
então, vibrante e inspirador, o baú se abriu a alguns metros e despertou o imenso sorriso de antes.

já não devia chorar... tudo estava voltando aos conformes.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

de repente ele esteve a ponto de chorar dentro de ônibus e sentia uma imensa dor nos pés que, como lhe diziam, parecia estar suspenso pela não-gravidade. a casa estava um pouco longe, ele sabe. não, ele prefere estar quieto, dentro do seu espaço.
de toda história, confesso: eu não sei.

só sei que dia desses ele retrocedeu. já não era uma partícula inerte.
e ainda fazia uma força danada para não acreditar na física.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

vontade de ser não-ser.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

visitando locações a 360 por hora.

domingo, 17 de agosto de 2008

de nada vai valer o seu grito, o chute nessas cadeiras e os desenhos nesses cartazes. de nada vai valer esse afago, essa soberba, o fato de que quando consegue já não quer mais, os dias de chuva na praia e a areia que afunda. de nada vai valer o sol e os raios mais vermelhos que essa estrela possa emitir, a bolacha escondida na mochila, o armário 0 + 60 que comprou, o livro de arte sobre da vinci. não vai valer a 'hong kong telecom tower 979 king's road', a caixa com os boletins do primário e nem a caneca esmaltada, agora cheia de café doce.

não importa, nada disso tem alma. tampouco infelicidade.

agora, vá e saiba dar amor.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

joaquim,

aquele mundo é só nosso e é baixinho. frêmito suave, livros, chuva e dobras dos vales. canções dos avós. a gente guarda tudo num livro bonito - o segredo, a imagem e aquela tarde de domingo.

beatriz.
1, 2, 3...
mariana,

de quando parou o susto. primeiro passou por sua boca, depois escorregou para a ignomínia do tronco e então caiu como pluma... para que houvesse outros medos também.
mas não sei que parte do céu me pegou dessa vez, se a dianteira ou o pedaço nº9 do infinito. se nove é fim, então eu prefiro entender que, fechar os olhos, nada desses indícios me impedem de refrescar.

eu esperava uma grande afeição. mesmo daquelas baratas, mas baratas que balas macias de diversos sabores frutíferos. mastigáveis.
talvez pensasse em mastigar os indícios e trazer o nada, o nada-maior. o nada-nada do que você afogou hoje.

heitor.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

εïз
εïз


εïз






εïз εïз εïз εïз εïз εïз εïз εïз

εïз

εïз


εïз εïз εïз εïз

borboletas amarelas invadem a janela.
francês é bonito demais.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

-bem, ramón, então não há mais o que falar. eu vou atrás dela.
-mas você não sabe o endereço!

ramón surpreende o salão de festas com um grito não muito alto e, de repente todos os holofotes estão fronteiros a sua imagem. as mãos secas caminham em direção ao coração.

-tem uma bússola aqui, estévez.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

não deixa sufocar não.

aperta o sufoco dentro de uma sacola pra chuva levar.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

sinto vontade de pular de uma árvore só pra ver as minhas folhas secas caírem.

sabe-se lá se alguém vai entender.

sábado, 2 de agosto de 2008

segunda tem assassinato de saudade, medição de tempo e desejo, validação dos sentimentos e novidades.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

o meu pai é o pai mais incrível do mundo.
eu penso nele e aí me dá uma vontade de abraçá-lo, de chorar e de dizer que eu o amo.
a minha mãe diz que tem dele (do meu pai) muito em mim.

então daqui uns anos a valentina vai entender o que eu sinto.
estão se acostumando com 'valentina'.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

a formiga disse que se agarraria àquele pedaço de açúcar para todo o sempre. seria uma bela história de amor se a chuva não existisse.
então o sol reflete luz na água-doce. ele ri. por isso nasceu o rio.
-eu vou sem despedidas.
-e não vai dizer nada, nem mesmo retificar aquelas promessas, conflitos e desperdícios?
-vou.
-é, eu sei... embora.
logo de manhã, perdido de amor, ele acorda e olha para o lado esquerdo.

(o lado esquerdo é o lado dela)

ela já não está mais ali.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

é bonito demais audiovisuar.

o meu audiovisual tenciona apresentar a realidade com desejo dentro de nossa visualidade trabalhada ao limite. e você? qual o seu audiovisual?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

os livros. páginas inteiras que colocam a minha alma para dançar.

bonitos, meu porto.

sintam esse lugar.